A Cruz (qual calvário) das Convertidas
Ideias
2015-03-23 às 06h00
A duas semanas da Páscoa, Braga abre-se por estes dias para acolher quem vem de fora. Este turismo religioso não se amplia de um dia para o outro. Requer uma estratégia de longo prazo. Já se fez bastante, mas é necessário mais. Braga precisa de criar uma espécie de embaixadores que deem notoriedade a uma estratégia de expansão.
Comecemos pelas procissões. A do próximo domingo de Ramos não será a mais carismática, mas tem a vantagem de percorrer as ruas da cidade num dia em que a maior parte das pessoas não trabalha. Por isso, atrai facilmente quem mora em Braga e nos concelhos circundantes. Mas, por se situar num domingo, poderá também integrar-se num pacote de fim-de-semana que terá forçosamente de apresentar outras atrações, se a estratégia for chamar pessoas de pontos mais longínquos.
A procissão da Burrinha, que calcorreia o centro bracarense na noite de quarta-feira antes da Páscoa, tem maior dificuldade em chamar a si quem mora longe. Mas se olharmos para isso como uma das maiores manifestações religiosas de um povo que sai à rua e que se constitui ele mesmo como um corpo de pessoas que caminha com uma fé que transborda, eis aqui um vector que pode constituir-se como um forte chamamento. Nas noites seguintes, as procissões do “Ecce Homo” e do Enterro do Senhor” são, por si, poderosos polos de atração, reunindo imagens fortíssimas que, por isso, estruturam facilmente uma eficaz campanha de marketing.
É claro que assim apresentado este raciocínio verga-se apenas a propósitos turísticos ao serviço da entrada de novos visitantes na cidade, mas este quadro religioso representa, para aqueles que têm fé, um tempo de forte introspeção e meditação, que um ambiente como Braga propicia nesta altura. E isso tem ser sempre levado em conta quando se fala das cerimónias religiosas em tempos pascais.
Qual a cidade portuguesa que, durante a quaresma, tem o lausperene a passar em todas as paróquias de Braga com tamanha solenidade? Qual a cidade portuguesa que se veste assim de roxo antes da Páscoa? Qual a cidade portuguesa que tem o compasso pascal a percorrer todas as ruas em domingo de Páscoa, chamando para isso centenas de pessoas que se disponibilizam para levar a mensagem de um Jesus ressuscitado até às nossas Casas?
Braga é singular e precisa de ser bem divulgada. No entanto, os métodos tradicionais de publicitação não são suficientes. É claro que as agências de viagens são lugares de obrigatória passagem. É óbvio que a vizinha Espanha precisa de saber o que existe em Braga por estes dias. É evidente que a nossa cidade tem de conseguir ser o contraponto ao Algarve como um destino alternativo de férias de Páscoa. Mas as nossas cerimónias religiosas precisam de tornar a marca mais robusta. Mais notável. Por isso, necessita de embaixadores que projetem o que se passa cá pelo menos à escala nacional. Isso não existe ainda.
De uns anos a esta parte, as solenidades da Páscoa têm tido mais visitantes e tem havido um esforço visível de fazer sair o que aqui acontece fora de portas. Mas precisamos de fazer mais. Precisamos, por exemplo, de trazer um plateau de um noticiário televisivo até Braga, precisamos de mais reportagem nos alinhamentos de informação da rádio e da TV, precisamos de nos ver mais reflectidos nas páginas dos jornais.
Precisamos de ter aqui uma estratégia de fundo direcionada para conteúdos de referência que são os que conferem uma marca de notoriedade àquilo que se faz. E precisamos de rostos que sejam lugares de difusão daquilo que aqui acontece.
Braga é única. E isso tem de ser conhecido.
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