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Uma nova política espacial da Comissão

Personalidade e carater

Ideias

2016-11-03 às 06h00

Alzira Costa Alzira Costa

Muito embora nem sempre tenhamos perceção disso, os programas espaciais da União Europeia (UE) já prestam serviços que beneficiam milhões de cidadãos.
A Europa no seu conjunto (os Estados-Membros, a Agência Espacial Europeia, a EUMETSAT - Organização Europeia para a exploração de satélites meteorológicos - e a UE) é um importante interveniente no setor espacial a nível mundial. Dispõe de uma indústria forte e competitiva, por exemplo, ao nível de satélites, lançadores e operações e serviços conexos. Para termos uma maior compreensão, a indústria espacial europeia emprega mais de 230 000 profissionais e gera um valor acrescentado estimado entre 46 e 54 mil milhões de euros. Um terço da produção mundial de satélites é fabricado na Europa e é legítimo referir que a indústria europeia tem obtido muitos êxitos no domínio espacial, com tecnologias de ponta e missões de exploração.
A UE está a investir 12 mil milhões de euros no período de 2014 a 2020 para desenvolver projetos espaciais de elevada qualidade. O sistema Copernicus, líder no fornecimento de dados de observação da Terra em todo o mundo, já contribui para salvar vidas no mar, melhorar respostas às catástrofes naturais, como sismos, incêndios florestais ou inundações, mas permite ainda aos agricultores gerir melhor as suas culturas, por exemplo. O sistema europeu de navegação por satélite, Galileo, em breve facultará informações de posicionamento e de sincronização ainda mais precisas e fiáveis para serem utilizadas por automóveis autónomos e conectados, caminhos-de-ferro, aviação e outros setores. O Sistema Europeu Complementar Geoestacionário de Navegação (EGNOS) presta serviços de navegação para salvaguarda da vida humana à aviação e aos utilizadores marítimos e terrestres na maior parte do território europeu.
Um certo número de empresas inovadoras em fase de arranque já utilizam dados de satélite, por exemplo, para permitir aos agricultores controlar as suas produções de forma mais eficiente, usar dados de posicionamento em aplicações da “Internet das Coisas” ou fornecer drones de socorro marítimo.
Na verdade, os programas espaciais da UE já prestam serviços que se tornaram indispensáveis nas nossas vidas quotidianas. Os dados espaciais são imprescindíveis se queremos utilizar o telemóvel, viajar de carro com um sistema de navegação, viajar de avião ou ver televisão por satélite. São igualmente imprescindíveis para proteger infraestruturas essenciais, como as centrais elétricas, as redes inteligentes, ou mesmo as transações bancárias.
Recentemente a Comissão Europeia (Comissão) apresentou uma proposta que conduz a uma nova política espacial. A Estratégia Espacial para a Europa dá resposta à crescente concorrência global, fomentando a participação do setor privado e promovendo importantes mudanças tecnológicas. A Comissão propõe um conjunto de medidas para que os europeus possam aproveitar plenamente as vantagens oferecidas pelo setor espacial, criar o enquadramento adequado para que as empresas em fase de arranque possam crescer, promover a liderança da Europa e aumentar a sua parte nos mercados espaciais mundiais.
As intervenções desta nova política assentam em: tirar o maior proveito do espaço em prol da nossa sociedade e economia, direcionando os programas espaciais da UE para uma maior disponibilização de serviços que contribuem para as prioridades comuns europeias, como a segurança e a defesa, e o combate às alterações climáticas. Promover um setor espacial europeu inovador e competitivo, tanto através de financiamento da UE mais orientado para as empresas do setor espacial, como promovendo mais investimento privado para as empresas em fase de arranque, em especial no contexto do Plano de Investimento para a Europa e dos futuros fundos de capital de risco. E, manter a autonomia estratégica da Europa, reforçando o seu papel no setor espacial mundial. A UE é o maior cliente institucional europeu e tenciona lançar mais de 30 satélites nos próximos 10 a 15 anos para os seus programas Galileo e Copernicus
No passado dia 26 de outubro, a UE e a Agência Espacial Europeia assinaram uma declaração conjunta com a expressão da sua visão comum para a política espacial europeia. É a primeira declaração desta natureza, que revela a importância que ambas as instituições atribuem à cooperação estreita e integrada, numa verdadeira abordagem europeia do espaço.
O setor espacial da Europa deve manter-se na vanguarda da rápida inovação disruptiva, da emergência de novos modelos empresariais e da crescente concorrência mundial.


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