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Uma questão de prioridades

Onde está o meu peixe

Uma questão de prioridades

Escreve quem sabe

2020-11-06 às 06h00

Rui Ferreira Rui Ferreira

Todo o mundo é mudança. Curiosamente ou não, este foi o título de uma crónica que escrevi há pouco mais de um ano.
Menciono este facto não só pelo enorme valor que atribuo a este tema e a estas palavras, mas também porque o momento não podia ser mais pertinente.
O tempo não para. E a verdade é que todas as nossas vidas se alteraram de uma forma disruptiva nos últimos tempos.
No entanto, acredito que podemos e que temos sempre de conseguir retirar algo positivo de tudo o que vivemos e experienciamos.
Se por um lado é verdade que toda esta crise pandémica trouxe muitas coisas más, por outro veio colocar a nu todas as nossas fragilidades, debilidades e sentimentos, enquanto pessoas e enquanto cidadãos.
Longe vão os tempos em que a nossa liberdade era soberana e absoluta.
Somos todos iguais. Não há dinheiro nenhum que possa pagar a liberdade, o tempo e a força da natureza.
Acho que posso com certeza afirmar que hoje todas as nossas escolhas e decisões são efetivamente bem mais pensadas e ponderadas do que num passado muito recente.
De forma muito prática, podemos verificar que hoje pensamos certamente duas vezes antes de sair para tomar um café ou beber uma simples cerveja com um grupo de amigos. Existe até uma simples frase que evidencia bem o que vivemos – “a vida é feita de escolhas”.
Efetivamente a vida é feita de escolhas. A vida é feita de escolhas, de prioridades, de decisões. E cada vez mais assim o é.
Mas hoje, hoje sentimos que as nossas escolhas e decisões tem de ser mais pensadas, mais ponderadas e conscientes. Hoje colocamos o fator racionalidade em equação antes de fazermos o que quer que seja. E acredito que este dilema seja vivido por todos nós, diariamente.
Ainda há instantes, acabei por decidir ficar no conforto do meu lar em prol de um bom momento de convívio com alguns amigos mais próximos. E foi talvez este o momento de decisão do meu tema de hoje.
Ganha então ainda mais força um conceito que eu tanto valorizo. O conceito de prioridade.
Porque todos os dias nos deparamos com desafios, tarefas ou prioridades diferentes. Mas é a nossa capacidade de mudar e adaptar aos desafios que diariamente nos surgem que nos fazem ser capazes de acrescentar valor ao que quer que seja.
O que ontem era prioridade, hoje já deixou de o ser. E inequivocamente tudo isto é transmitido para as nossas empresas, para os nossos trabalhos, para as nossas vidas.
A vertente humana ganha hoje também mais relevância e elevados índices de exigência.
Ganham relevância as coisas simples da vida. Ganha relevância um simples almoço de família. Ganha relevância um simples convívio com um amigo mais próximo. Mudam os diferentes graus de necessidade.
A realidade é que todos nós estamos bem mais preocupados com o nosso bem-estar e o de todos aqueles que nos são mais próximos, do que com a "necessidade" de jantar fora ou visitar um local com um amontoado de gente.
Tal como disse Vinicius de Moraes no seu belo Samba da Benção: “É melhor ser alegre que ser triste, Alegria é a melhor coisa que existe, É assim como a luz no coração”.
Porque no final de tudo, o que prevalece são as relações que criamos e os momentos que vivemos. Porque as pessoas estarão sempre em primeiro lugar.

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