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Uma vista sobre a cidade no Dia Mundial das Coberturas Verdes

O dia em que José Saramago passou em Padim da Graça

Uma vista sobre a cidade no Dia Mundial  das Coberturas Verdes

Ensino

2021-06-16 às 06h00

Ana Cristina Rodrigues Ana Cristina Rodrigues

Não poderia estar mais de acordo com a célebre frase de Leo Tolstoy, que nos diz que “Uma das primeiras condições para a felicidade é que o elo entre o homem e a natureza não seja quebrado.” Celebrar as coberturas verdes no dia 6 de junho, em todo o mundo, bem como todos os benefícios que estes sistemas trazem para as pessoas e o meio ambiente, é uma boa forma de demonstrar que não vamos deixar quebrar esse elo. Cidades em todo mundo estão a transformar-se em locais mais verdes para se tornarem mais sustentáveis e resilientes.
Em Portugal, o Programa do XXII Governo Constitucional pretende “Incentivar a instalação de fachadas e coberturas verdes como forma de promoção de eficiência energética, gestão de água e qualidade do ar em estruturas e edifícios” e “Promover a utilização das coberturas de edifícios para a produção de produtos hortícolas nas cidades em conjugação com a promoção da biodiversidade e a produção de energia renovável”.
De facto, a promoção de infraestruturas verdes é, atualmente, um objetivo prioritário da União Europeia, pelos inúmeros benefícios e serviços de ecossistema que proporcionam, sejam eles económicos (pelo aumento da eficiência energética, aumento do isolamento térmico, aumento da longevidade do edificado e valorização imobiliária), ambientais (pelo aumento da biodiversidade e área verde em contexto urbano, redução da poluição atmos- férica, regulação do clima e do ciclo hidrológico) ou sociocomunitários (pelo potencial para produção de alimentos e melhoria da qualidade de vida). Os habitantes de edifícios com coberturas ou paredes verdes poderão efetivamente beneficiar de redução de consumos energé- ticos, atenuação do ruído e de um espaço verde disponível para atividades culturais, recreativas e até terapêuticas (como por exemplo, horticultura terapêutica), com reconhecidos benefícios para a saúde (mental).
Um ano após o início da pandemia por COVID-19, é cada vez mais evidente a necessidade de procura de soluções inovadoras que apoiem na recuperação da crise social e económica. Em meios urbanos e periurbanos, a agricultura em coberturas e paredes verdes, associada a sistemas de produção de energia renovável e de gestão de águas pluviais, está a emergir como uma solução resiliente no contexto da pandemia, uma vez que permite reforçar economias locais e reunir as comunidades, dois aspetos considerados vitais para a recuperação e resiliência das comunidades e dos territórios. Para além da produção de hortofrutícolas, a agricultura urbana em coberturas verdes poderá também incluir a produção de cogumelos, flores comestíveis e plantas aromáticas, constituindo-se como uma forma de apoiar as economias locais, criar empregos, melhorar o acesso aos alimentos e fornecer serviços de ecossistema. Além disso, quando associadas a painéis solares, as coberturas verdes podem potenciar a produção de energia.
A ambição da atual política de investigação e inovação é posicionar a UE como líder na inovação com a natureza para alcançar sociedades mais sustentáveis e resilientes. Para o alcance deste desígnio, é fundamental a cooperação entre os agentes económicos, principalmente das áreas de arquitetura, agronomia e engenharia, os municípios e as instituições de ensino superior, através das suas unidades de investigação. Em Portugal, a Associação Nacional de Coberturas Verdes (ANCV) tem feito um trabalho muito meritório nesta área, promovendo parcerias entre entidades nacionais e internacionais para a instalação de infraestruturas verdes em várias cidades e edifícios (novos ou já existentes). O Guia Técnico para as Coberturas Verdes, disponibilizado pela ANCV, é o documento de referência, adotado pelo Ministério do Ambiente e Ação Climática, para atribuição de incentivos financeiros a coberturas verdes através do Fundo Ambiental, no seu Programa de Apoio a Edifícios mais Sustentáveis.
Segura de que este será o caminho certo, relembro o que nos diz o ser humano incrível que é David Attenborough, no seu extraordinário documentário “Uma vida no nosso planeta”, “A Natureza é o nosso maior aliado e a nossa maior inspiração. Está na hora de estabelecer uma vida em equilíbrio com a Natureza, de começar a prosperar; de aprender como trabalhar com a Natureza e não contra ela… Chegamos até aqui por sermos as criaturas mais inteligentes que alguma vez existiram mas, para continuarmos, precisamos de mais do que inteligência; precisamos de sabedoria.”

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