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É urgente priorizar

Como ativar territórios e criar novos destinos

É urgente priorizar

Voz às Escolas

2021-05-06 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

Regressados ao ensino presencial, entendemos proceder à monito- rização do Plano de Atuação para a Recuperação e a Consolidação das Aprendizagens – Adequações para a Implementação do E@D, com vista à definição de estratégias mobilizadoras de práticas de melhoria, através da aplicação de um questionário de satisfação que, dirigido a alunos, professores e encarregados de educação, tinha como objetivo aferir a eficácia da sua implementação.
Analisados os questionários, constatou-se que, não obstante o reconhecimento, generalizado, da melhoria das práticas educativas, comparativamente com o período em que decorreu o ensino neste contexto, no ano letivo transacto, há lacunas que carecem de especial atenção, por forma a evitar que se repercutam no desenvolvimento das aprendizagens dos alunos e na sua formação para uma cidadania ativa e consciente.
Numa análise, embora muito superficial, das áreas mais afetadas no processo de E@D, começo por evidenciar a herança cultural de um povo que continua a subvalorizar a educação e, por arrastamento, a alocação de recursos financeiros para um setor que alicerça o desenvolvimento de qualquer sociedade, insistindo na priorização de investimentos megalómanos que pouco acrescem a melhoria de condições de vida de uma faixa significativa da população.
E, assim, quando confrontados com uma calamidade como aquela que, inesperadamente, fomos obrigados a enfrentar, as repercussões da falta de aposta na educação afetam, chegando mesmo a obstaculizar, qualquer plano de ação, evidenciando as assimetrias existentes, desde logo o isolamento a que, em pleno século XXI, ainda estão votadas algumas zonas do país.
A Escola continua a ser, para uma grande parte dos alunos, o principal, ou mesmo único, lugar de acesso a ferramentas indispensáveis ao desenvolvimento de todas as áreas de competências definidas como essenciais, para que consigam prosseguir caminho, um caminho que todos desejamos possa, de alguma forma, contribuir para a implementação das mudanças estruturais de que a sociedade tanto carece.
As Escolas foram, muito recentemente, chamadas a pronunciar-se sobre as áreas do currículo mais afetadas pelos E@D, contribuindo para a elaboração, pelo Ministério da Educação, de um Plano de Recuperação das Aprendizagens, a implementar no biénio 2021/2023, tarefa que levaram a cabo, em tempo recorde, embora imbuídas de algum ceticismo quanto aos efeitos práticos das propostas que apresentaram.
É de louvar a auscultação das bases, mas temos consciência de que, pelas razões já elencadas, as propostas apresentadas só poderão ser atendidas se forem invertidas as priorizações dos investimentos, o que sabemos dificilmente acontecerá, sobretudo porque o investimento na educação não alcança grande mediatismo, e o mediatismo, queiramos ou não, é um elemento preponderante quando o povo é chamado a decidir quem o “representa”.
Mas, à parte considerandos que pouco peso têm, importa que o poder político, a todos os níveis, tenha consciência de que é urgente prevenir, dotando as Escolas de recursos humanos e materiais que possibilitem não só a recuperação do que se perdeu mas, essencialmente, o desenvolvimento de competências e capacidades que permitam aos nossos alunos lidar com momentos de adversidade, sempre que as situações o exijam.
Desconhecemos o que está a ser forjado para o próximo biénio, mas que a recuperação e a melhoria não se fazem com o alargamento do calendário escolar, isso temos como garantido, sobretudo nos tempos que correm, em que o cansaço provocado pela diversidade de cenários de aprendizagem, aliado ao desgaste psicológico provocado pelo isolamento/distanciamento social, de alunos, professores e funcionários, não permite que estejam criadas condições para o sucesso de uma medida que, a ser imposta, hipotecará, ainda mais, o futuro de uma geração.
Esperemos que impere o bom senso e que, para a recuperação, sejam dados os recursos de que necessitamos, investindo em respostas que abranjam todos os alunos, sobretudo aqueles que contam, apenas, com a Escola.
“(…) Há, assim, ainda, necessidade de prosseguir o caminho, no intuito de dar resposta cabal e ajustada às dificuldades e necessidades de todos os alunos, encarregados de educação e docentes, nos seus diversos contextos.” (in Relatório de Monitorização)

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