Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Utopias desejáveis para 2016

O Estado da União

Voz às Escolas

2016-01-04 às 06h00

Maria da Graça Moura

Nada mais esperado do que formular desejos para o início do novo ano! A situação sociopolítica, económica e financeira que atravessamos, tem motivos de sobra para explorar se falarmos de expectativas para 2016.
No entanto, as linhas de força que pretendo evidenciar nos meus desejos para o próximo ano, focam-se na educação e na cidadania porque são estes os pilares estruturantes, sem os quais nenhum país alcança sucesso nas suas políticas sociais.

Assim, desejo para 2016 que a escola pública cumpra o seu grande desafio de dar um sentido pessoal e social a todos os alunos, usando como caminho seguro a pedagogia do otimismo, da participação e da inclusão. É desejável confiar na escola pública e acreditar que nela se formam cidadãos intelectualmente ativos, capazes de intervirem de forma consciente e proativa na sociedade.

Desejo que o sistema educativo integre nas rotinas formativas dos alunos, de forma harmoniosa e inteligente, outros saberes culturais que ajudem a desenvolver capacidades, conhecimentos, aptidões e atitudes, de modo a contribuir para uma sociedade mais aberta e plural.

Desejo que se encontre uma resposta rápida, ampla e abrangente, que proteja as crianças vítimas de violação social ou intrafamiliar que envolve o uso da força física, da violência, da ameaça, do abuso da autoridade, enfim, todo o tipo de agressão ao bem-estar das crianças. Aprofundar o sistema de proteção social e assegurar os direitos da criança é a única forma de lhes garantir o exercício efetivo da sua cidadania.

Desejo que os jovens abracem os desafios com garra, determinação e convicção. Acrescentem valor às suas decisões, enriqueçam as discussões com as suas ideias inovadoras e respondam aos compromissos com ousadia e capacidade para conciliar projetos, trabalhar em equipa e estabelecer prioridades.

Na era da globalização, desejo que a Língua Portuguesa seja um legado sem limites geográficos e que os nossos bens culturais como a literatura, a música, a dança, o teatro, o folclore, entre outros, sejam bens a preservar, ampliar e proteger como a nossa melhor herança cultural.
Desejo que a solidariedade seja um processo gerador de humanização, e que os agentes de transformação social não desistam da ideia de que é possível construir um mundo mais fraterno e justo.

Desejo que a avalanche humana de refugiados da guerra ajudem a construir uma mudança verdadeira no rumo da história humana, passando a predominar o conceito de universalidade, onde o valor central seja o ser humano em toda a sua diversidade.
Desejo que a preservação da biodiversidade, as energias renováveis, os transportes limpos, sejam uma realidade cada vez mais comprometedora com os objetivos da economia verde. A educação ambiental em meio escolar revela-se crucial para mudanças verdadeiramente direcionadas para um desenvolvimento sustentável.

Com tantos aprimoramentos desejáveis mas possíveis, não sei se será pedir demais para 2016! O melhor mesmo é acreditar, segundo Jacques Delors, que a educação é um processo permanente de enriquecimento ou uma utopia necessária. Perante os múltiplos desafios suscitados pelo futuro, é urgente confiar que as dimensões ética e cultural da educação são a chave para o desenvolvimento humano sustentável.
Um Feliz Ano Novo!

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