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Vale o que vale…

Quem me dera voltar a ser Criança

Voz às Escolas

2016-01-19 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

O agrupamento das escolas, leia-se a verticalização e, em situação alguma, a criação de mega agrupamentos, constituiu, pese embora a diversidade de constrangimentos que as comunidades escolares tiveram que enfrentar e aprender a ultrapassar até conseguirem unificar, sem destruir, trouxe, na minha modesta opinião, benefícios inquestionáveis, impulsionando uma revitalização que, não obstante ser reconhecida como necessária, tardava, comodamente, em emergir.

A escola sectorizada já não tinha espaço, se atentarmos às exigências e aos problemas de fundo com que a esmagadora maioria das escolas se debatia, no seguimento de uma política educativa que passou a sobrevalorizar os números, em detrimento de uma formação mais globalizante e, consequentemente, mais condizente com as exigências de uma sociedade em que as opções escasseavam, face ao estado caótico em que nos encontrávamos, em alguns setores.

O imperativo de uma visão sequencial da estruturação do ensino, ao longo da escolaridade básica, sem a qual agrupar não passaria de um ato meramente administrativo, frustrando a essência do projeto, reforçou a reflexão em torno de questões básicas, deitando por terra um número significativo das justificações encontradas pelas escolas, enquanto estruturas isoladas, justificações essas que passavam, essencialmente, quando não exclusivamente, pela mera imputação de responsabilidades a fatores locais externos à própria escola.

Ora, a vivência e a convivência entre os diferentes patamares da educação básica veio desmistificar uma verdade enraizada, e defendida, por muitos, como indiscutível, de que a culpa estaria sempre a montante. No entanto, não obstante a verdade ser um conceito com contornos muito especiais, havendo até quem defenda que possa existir pela metade, o certo é que com a unificação da escolaridade básica se tornou evidente a necessidade de promover uma reflexão mais alargada, e alicerçada no conhecimento do processo educativo como um todo, sendo inevitável a conclusão de que os problemas das escolas se encontravam a montante e a jusante, e de que só através da abolição de fronteiras, aos mais diversos níveis, e da corresponsabilização de todos os intervenientes, se poderia caminhar no sentido de serem minimizados os problemas resultantes, no fundo, da ausência de uma política educativa sustentável, ou da atribuição de uma verdadeira autonomia às escolas, que respeitasse as diferenças específicas de cada organização, com o consequente assacamento de responsabilidades.

O jogo de ping pong em que nos vimos envolvidos, e que desvirtualiza a essência do processo do agrupamento das escolas, com impacto num clima que condiciona a ação dos professores e se repercute nas aprendizagens dos alunos, tem que ser encarado numa perspetiva bem diferente - os problemas a montante e a jusante são nem mais nem menos do que a consequência da inexistência de uma política que responda, eficazmente, aos pressupostos em que assentou a unificação da escolaridade básica, valorizando o essencial, num processo que começou por ser um mero ato adminis- trativo, - a vertente pedagógica.

Acontece, porém, que a visão da escolaridade básica como uma corrente com vários segmentos, segmentos esses que devem articular-se por forma a que a corrente não se quebre, assemelha-se, muitas vezes, a uma história em que cada capítulo foi escrito por uma pessoa diferente, e em que os autores apenas se encontram para harmonizar o título da obra e a respetiva capa, valorizando-se o impacto mediático. Ora, como seria previsível, não seria necessário um leitor muito atento e entendido para constatar que não obstante cada capítulo ser atrativo faltava o essencial- um fio condutor.

E assim, e com o passar do tempo, começo a questionar-me quanto à retoma, tão frequente, de algumas ideias que defendo, o que, concluo, acontece tão somente porque, não obstante continuar tudo na mesma, mantenho a expectativa de que alguém se lembre de agrupar o MEC e, quem sabe, desta feita, e finalmente, tanta medida avulsa, quando não contraditória, venha a dar lugar a um pacote de medidas com princípio, meio e fim, devidamente articuladas e com um prazo de validade que permita, pelo menos, começar , terminar e avaliar os impactos.
Sendo opinião…vale o que vale.
Um excelente Ano para todos.

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