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Ideias

2019-10-04 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Na semana passada, o país ficou siderado com o anúncio do Reitor da Universidade de Coimbra, Prof. Amílcar Falcão, de que a partir de Janeiro de 2020 as cantinas da Universidade de Coimbra deixariam de oferecer carne de vaca nas suas refeições.
Este anúncio registou uma oposição declarada da Associação dos Produtores de Carne de Vaca, os quais argumentam que embora as vacas sejam responsáveis pela emissão de metano, as pastagens de que se alimentam contribuem para a redução de óxido de carbono. E que se o Reitor está tão preocupado com a emissão de poluentes, porque não proíbe o acesso de carros ao pátio da Universidade. Assim, não só se limitava a emissão de produtos poluentes, como se incitava professores e alunos a andarem a pé, o que contribuiria para a sua saúde.
Em boa verdade, esta medida tem mais objetivos de propaganda e de marketing que outra coisa. Pois, da análise das ementas das cantinas da Universidade, verifica-se que só em 10% das refeições entra carne de vaca e, mesmo assim associada a outros alimentos; o que significa que o seu consumo não tem qualquer significado. Acresce que as cantinas não são do Reitor, nem as suas ementas devem obedecer aos seus gostos e preferências culinárias. A isto chama-se ditadura alimentar.
Emma Garnett e o seu grupo de trabalho têm vindo a investigar o consumo de carne nas cantinas universitárias, designadamente em Cambridge, tendo concluído que o que verdadeiramente explica a diminui- ção de refeições de carne é a variedade da oferta de pratos com base em plantas e não a proibição.
Vamos admitir que todas as organizações adotavam a política da proibição de servir carne de vaca às refeições e continuava o incentivo ao consumo de leite. Então o número de vacas iria aumentar, já que a reprodução é importante para a produção de leite. Ainda poderia arranjar-se uma saída para os vitelos que poderiam ser utilizados em touradas de morte. E a carne poderia ser deitada aos cães, que são um animal de estimação. Para as vitelas só restava a alternativa de aumentar o exército de vacas leiteiras
Se também o consumo de leite de vaca for desincentivado, só resta um bovicídio generalizado. Mas não nos podemos esquecer que o bovicídio é um pecado entre os Hindus; e que na antiguidade clássica tinha uma pena equivalente à do homicídio. J. Flandrin e M. Montanari, em HISTÓRIA DA ALIMENTAÇÃO explicam isto porque os bovinos eram indispensáveis para a agricultura. Só esporadicamente, e depois dos sacrifícios aos deuses, os gregos e romanos podiam comer essa carne.
Só que agora a vaca é um animal maldito. É preciso ter juízo. O populismo também é isto. As pessoas vão perdendo o bom senso.?

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