Correio do Minho

Braga, quarta-feira

'Valores'

O Estado da União

Voz às Escolas

2016-02-08 às 06h00

João Andrade

Todos os anos a nossa revista Defacto assume um tema unificador distinto. A intenção é, a partir de uma tema ou conceito base, aprovado em Conselho Pedagógico, libertá-lo para que possa assumir todas as dimensões e interpretações que o mesmo, de forma lata ou estrita, permita. Esse conceito base escolhido torna-se também o fio condutor e unificador, sempre que possível, das atividades do nosso Plano Anual.
Este ano, em que aprovamos o nosso Projeto Educativo, o tema pertinentemente assumido foi “Valores”.

Na submissão da proposta de tema ao Conselho Pedagógico, Amadeu Santos, excelso redator da revista, refere: “Proponho que a edição nº 24 da revista da escola trate o tema “Valores”. Vivemos uma época extraordinária quanto ao progresso tecnocientífico, porém, outras dimensões essenciais da nossa existência - enquanto indivíduos, grupos sociais e nações - parecem não acompanhar esse processo evolutivo, havendo mesmo sérios sinais de regressão. Fenómenos como o individualismo nas sociedades mais avançadas, a proliferação de guerras e outros conflitos, o terrorismo e os fanatismos religiosos e ideológicos, as grandes vagas de refugiados, a proliferação da corrupção, a especulação financeira, o crescimento das desigualdades entre ricos e pobres, entre outros aspetos, fazem sugerir que a nossa época atravessa uma verdadeira crise de valores. E é sobre isso, e outras vertentes da palavra “valor”, que nos propomos construir este novo número da revista.”

O convocar de valores é também uma constante, explícita ou implícita, subjacente a todos aos processos de decisão, bem como aos seus discursos justificativos.
Tal é particularmente evidente nas instituições educativas, em que todas as decisões devem ter subjacentes uma ponderação valorativa clara e assumida, pela implicação exemplar e formativa que também assumem.

No nosso agrupamento, de acordo com o nosso recente Projeto Educativo, o quadro de valores e princípios que nos norteia e deverá estar por detrás de todas as decisões de todos os atores, obedece aos seguintes binómios: Liberdade e Responsabilidade, Humanismo e Equidade, Qualidade e Transparência, Conhecimento e Inquietação, Fraternidade e Sustentabilidade e Participação e Motivação.

O processo educativo público, numa sociedade democrática, deve ter como finalidade o desenvolvimento e a formação de cidadãos em condições de igualdade de oportunidades e de sucesso, bem como a promoção de uma educação para todos, orientada para a dignidade da pessoa humana, igualdade de direitos e equidade social. Deve, ainda, construir um espaço de abertura à mudança, de compreensão da pluralidade de opiniões e da diversidade de modelos civilizacionais, estimulando a produção e fruição de bens culturais na concretização um projeto educativo humanista; fomentar lideranças que atuem permanentemente num cariz moral, transformacional e contingencial; recentralizar valores e desenvolver capacidades, entusiasmando e comprometendo todos neste desígnio coletivo.

No entanto, e mais uma vez particularmente em contexto educativo, nunca se deverá cair na tentação, infelizmente tantas vezes constatável, de, num jogo de ethos e pathos, se convocarem outros valores, mais consensuais, que não os deveras subjacentes às decisões e posicionamentos intentados e assumidos.

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