Correio do Minho

Braga, quinta-feira

- +

Vamos inovar para não comprometermos o nosso futuro

Pandemia, trabalhadores e pais: como conciliar?

Vamos inovar para não comprometermos o nosso futuro

Ideias

2021-01-24 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

Estamos a entrar num novo período de “confinamento total”. Estamos a assistir à sua implementação, envolvida em polémicas, discordâncias, desilusões e expetativas pouco encorajadoras, em relação ao futuro. Agora, chegou o tempo de encerrar as instituições de ensino, como resposta de último reduto, à escalada alarmante da pandemia. Uma situação que coloca no nosso país, com os números avassaladores, que colocam o nos colocam no topo do ranking das taxas de contaminação e do número de mortes, que continua a subir todos os dias. Perante uma indecisão confrangedora, que continua, teimosamente, a marcar o processo de gestão política das medidas de prevenção e combate à pandemia.

Um contexto difícil e desafiante, que exige e implica a responsabilidade de todos. Não admitindo que descartemos a culpa, para o governo e para as autoridades de saúde. Agarrando-nos à diversidade de decisões e à forma como são tomadas as medidas de prevenção, desviando-nos do problema central deste violento combate, que passa pela implementação de um sistema de vacinação eficaz e efetivo. Enquanto nos envolvemos em mais um esforço psicológico, social e económico, que vamos investir num confinamento de sustentabilidade duvidosa, pela forma como está a ser implementado e assumido por cada um de nós.
Um confinamento que de facto, seja capaz de inverter a grave crise societária que se está a aprofundar de forma vertiginosa, cujas consequências são profundamente imprevisíveis, ao nível social, económico, cultural e, de forte pendor geracional. Desde logo, porque não estamos a aproveitar a experiência e as dinâmicas que, apesar de tudo, soubemos desenvolver durante o primeiro semestre de 2020. Aliando o programa de combate e prevenção em curso, a uma expetativa pouco positiva e controversa em relação ao futuro. A avaliar pelo sentimento de insegurança sanitária nas gerações mais avançadas, e de uma esperança que não se tem conseguido afirmar, nas gerações mais jovens. Está a aprofundar-se a sensação de incapacidade de se construir uma “nova normalidade”.

Os jovens que agora vêm as escolas a fechar, sem ensino à distância estão apreensivos, em relação às consequências na sua formação, aos condicionalismos dos seus contextos familiares e ao repositório das suas experiências pessoais. Uma geração que utiliza a internet, e tem acesso à informação com grande perícia na pilotagem das novas tecnologias, um repositório de competências, que está a deixar de ser uma janela de oportunidade, para se assumir com uma fonte de angústia crescente. Na certeza de que estamos perante um novo conceito societal de cidadania e inclusão, com práticas e interações sociais cada vez mais desmaterializadas, e que acontecem na realidade digital e no teletrabalho. Uma nova perspetiva de empregabilidade, que anuncia que tudo vai regressar, gradualmente, a esta “nova normalidade” com o contributo empenhado de todos, centrada nas dinâmicas de transição digital, mas que o que o COVID 19 veio destronar, esperemos que temporariamente.

O vírus trouxe outras preocupações, a uma geração que não compreende o adiamento das soluções do seu combate. Alertando para a importância do conhecimento científico nas tomadas de decisão, que na sua perspetiva, continuam a privilegiar outro tipo de interesses. Sendo cada vez mais necessário estimular a sua vontade de construir e de contribuir, para ultrapassarmos a crise provocada pela pandemia. Esta é a esperança de que precisamos, para reforçar as medidas que estão a ser implementadas, com um custo social e económico elevadíssimo, agravado pelo receio da situação da burnout dos profissionais de saúde. Sem a ilusão imediatista de alcançar a perfeição, vamos ter que inverter este sentimento social. Vamos responder às necessidades do presente, sem tréguas. Sem descurar o investimento em medidas de longo prazo, para compensar o tempo e o conhecimento, que estamos a perder com bloqueio do sistema de ensino e formação, e com a angústia de uma economia moribunda. Temos que acreditar, de verdade, nas novas gerações. No seu enorme talento e na qualidade das suas qualificações, dando-lhe a oportunidade de poderem participar, ativamente, neste processo de transformação societal. Não podemos continuar nesta indefinição, encaixando-os apenas no que já existe. Apostando na sua capacidade de transformar as dificuldades que estamos a enfrentar, em novas oportunidades. Vamos inovar para fazermos melhor, e não comprometermos o nosso futuro.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho