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Ver-se grego

Reflexões abertas à sociedade portuguesa

Ideias

2010-04-25 às 06h00

José Cunha Rodrigues José Cunha Rodrigues

Portugal foi notícia de primeira-página de um dos principais jornais de Espanha. O motivo é a crise grega que está a alcançar Portugal. A atenção começa a cair também sobre Portugal, sendo o nosso país a possível “próxima vítima”. O primeiro risco de dívida disparou há poucos dias mas só estará no nível mais alto daqui a mais de um ano. A rentabilidade grega superou apenas há meia dúzia dias os 8% pela primeira vez desde o euro. As negociações com o Fundo Monetário Internacional, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu sobre as condições de ajuda podem ir até aos 45 milhões de euros. 'Uma vez que a ajuda à Grécia parece inevitável, os investidores têm centrado as atenções num outro candidato a ser a próxima vítima: Portugal', escreve o El País, acrescentando que 'os spreads da dívida atingiram o valor mais alto do último ano'. Será que Durão irá ter alguma ideia genial para driblar esta sopa? Bom, mesmo Durão sabendo muito bem que tanto Portugal como a Grécia sofrem do mesmo mal, não sei isso será suficiente para ele se lembrar que também ele mesmo é português.
Agora que estamos com esta batata quente na mão, há que agir. Como diz o Rav Berg, Director do Kabbalah Centre, a Luz está nas acções e não nos pensamentos. E pensar na “morte da bezerra” foi o que certos governos fizeram durante anos e anos. Relembro precisamente o tempo de Cavaco, as grandes somas de dinheiro oriundas da EU; também na Grécia, país de relacionamentos estreitos; em suma dinheiro que foi usado pela pior das ideologias. Nessa altura, houve gregos que saíram do seu país por não aguentarem uma arrogância de novos-ricos que usufruíam dos dinheiros conjecturados para a evolução do país (para usufruto pessoal) que em nada correspondia aos interesses do país. Torre de Babel versão séc. XX. Um tempo de contemplação aos corruptos e inúteis, um tempo de dinheiro a fundo perdido para projectos que nunca se realizaram… ou melhor, que se transformaram em casas com piscina, grandes carros e dinheiro extorquido para ser “aplicado” em paraísos fiscais (Madeira…shhhh, don’t tell anybody!).
Claro que ninguém duvida da melhoria que houve na economia com todo esse dinheiro roubado: um bom tempo para os banqueiros, para os construtores e até para os vendedores de automóveis. Do turismo também. O problema é que a fonte foi secando e - quer em Portugal quer na Grécia - todos esses “gestores” foram entrando em colapso. Durão sabe disso tudo. Agora é tempo de perguntar: Até quando esta Europa, sem rumo, se vai aguentar? Quem vai pagar esta crise? À boleia destas vêm outras perguntas: Fecha-se a torneira aos mais carenciados? Baixam-se os salários de quem não andou a, desculpem mais uma vez o termo, roubar?
Apesar da sua arrogância e incapacidade de sentir “além dos cinco sentidos”, talvez os franceses e/ou alemães consigam pôr fim a esta espécie de império desgovernado - como foram todos os impérios, a bem dizer. A couraça da democracia permitiu que nestes dois países fibrosos nascesse a garra mais atroz. Para haver ordem é necessário eliminar caos. E só se elimina o caos com disciplina e consciência e garra. Agora que estamos no fundo do poço, talvez seja altura de perceber que só somos pequeninos, frágeis e vivemos nas 'bordinhas' porque queremos. Chegou a vossa hora da solidariedade, senhores, um “a quanto obrigas”, pois já que nos coagiram a ter o 'pilim' igual aos demais europeus, para quê agora fazer 'figura de teso”?

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