Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Verão: tempo de acampar

O Estado da União

Escreve quem sabe

2013-06-21 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Este ano, em Portugal, o verão inicia-se (ou iniciou-se) hoje, dia 21 de junho de 2013, às 05:04 horas, momento em que se deu o solstício de verão, que a astronomia define como o momento em que o sol atinge a maior declinação em latitude, medida a partir da linha do equador, em junho, no hemisfério norte, e em dezembro, no hemisfério sul.
Esta é a estação de férias dos jovens portugueses e das suas famílias sendo, por isso, o tempo propício para a realização dos grandes acampamentos escutistas. É com naturalidade que se realizarão, nos meses de julho e agosto, sete acampamentos regionais nos Açores (ilha de S. Jorge), Santarém, Coimbra, Évora, Leiria, Madeira e Porto, um de Núcleo, em Braga e o Oceanos, o acampamento nacional dos escuteiros marítimos, na barragem de Idanha-a-Nova. Nestes nove acampamentos de dimensão média participarão cerca de 15 mil escuteiros. Ainda durante este verão, estão referenciados 700 acampamentos de Agrupamento ou de Secção, mobilizando mais de 12 mil jovens
No escutismo esta é a atividade educativa de excelência, pois na sua realização toda a comunidade é mobilizada, desde logo os jovens, individualmente e em pequeno grupo (bando, patrulha, equipa ou tribo), os dirigentes e as famílias, mas também os proprietários dos terrenos onde se desenvolve o acampamento.
Os jovens mobilizam e apuram as suas competências individuais nas áreas do planeamento, organização, execução, animação e avaliação do projeto; mas também competências sociais, nas dimensões da partilha, da entreajuda, do respeito e da cooperação com a diferença, privilegiando a complementaridade das formas de ser de cada um, como forma de enriquecimento pessoal e comunitário. Afirmam ainda as suas capacidades de liderança em contextos de vida diferentes dos seus “estados naturais”: os ambientes familiar e escolar, desenvolvendo as capacidades de autonomia e de responsabilidade individual e grupal. Trabalham os seus conhecimentos sobre a história e cultura locais do novo espaço onde vivem o projeto de campo, para melhor interagir com as comunidades locais. Descobrem o sentido do serviço, nas ações comunitárias que desenvolvem e consolidam a importância de pequenos gestos como: o tratamento dos lixos, os cuidados com a água, o desperdício dos alimentos e o rentabilizar o que temos, que, no dia a dia da vida em família lhes passa despercebido e recai sobre os ombros dos pais.
Nesta micro realidade que é o campo, o jovem aprende a ser o protagonista do seu crescimento pessoal, mas aprende que não está só e que o seu crescimento está interligado com o dos seus companheiros de campo. É o assimilar da responsabilidade social de cada um deles e o sentido de pertença a uma comunidade, mas é também compreender e viver o equilíbrio entre os seus direitos e os seus deveres e da relação destes com os valores que quer viver.
Equilíbrio bem frágil e difícil de conseguir, mas que, pouco a pouco, o quadrilátero relacional que o jovem vai desenvolvendo na sua relação consigo próprio, com os outros, com a natureza e com Deus, lhe permite, graças às suas vivências, valorizando os êxitos e aproveitando os erros para os compreender e corrigir, definindo uma linha de vida em que o eu individual, social, ambiental e espiritual se vai entrelaçando com consistência, na construção do cidadão que pro-cura deixar o mundo um pouco melhor, mais justo e mais humano do que o encontrou.

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