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Verdade e consequências da raiva

A vida é um diálogo entre fronteiras

Verdade e consequências da raiva

Escreve quem sabe

2020-01-12 às 06h00

Joana Silva Joana Silva

A raiva desde sempre que foi vista com uma imagem muito negativa. Tantas vezes escutámos, “Está com a raiva.”, para dizer que alguém expressa inveja. Quem nunca disse, “Que raiva!”, para expressar o quanto está chateado, incomodado com alguma situação. Quem nunca advertiu, “Estou com tanta raiva, que não posso ver nada à minha frente.”, uma espécie de aviso, em que esclarece , que não está para conversas. Quem nunca?!Toda a “gente que sente e é filha de boa gente.”, tal como diz o ditado popular. Quem afirmar, que nunca exteriorizou raiva, mente, pois apenas dissimula ou mascara as emoções.

A raiva é uma emoção, forte, brusca e imprevista, incontrolável por veze, perante algo que se vê como uma ameaça. Pode-se categorizar ou entender por ameaça, porque não se circunscreve unicamente à agressão física ou verbal, um comentário mal intencionado, uma atitude incorreta que lesa, que se considera com a intenção de prejudicar. Também se sente raiva, quando na rua, se vê a ser maltratado um animal inocente. Também não se fica indiferente com algumas notícias da comunicação social de casos chocantes como a violência doméstica. A raiva pode manisfestar-se a qualquer altura da vida e sim, há pessoas que são mais resilientes ao controlo emocional das emoções e outras pessoas que não.Há quem “exteriorize para fora” quando o seu trabalho não é valorizado e o seu colega de trabalho que nada faz, é valorizado pela chefia. Há quem “exteriorize para dentro” e mediante a situação anterior, num claro voto de protesto simplesmente passe a tarde sem trabalhar.

Neste sentido, “fazer de conta” e transparecer que se está calmíssimo/a mas na realidade não, causa danos severos na saúde mental com repercussões a nível físico, aumento da tensão arterial, cefaleias, ansiedade, doenças graves e até doenças auto imunes, etc. Quer-se com isto dizer que sentir, raiva é como o ato de chorar, terapêutico. Quando chora não fica mais aliviado/a , parece que lhe saiu um peso da alma?! Quando externaliza a raiva, também não sente alívio?! Claro que da forma, como se externaliza, pode trazer consequências.
Atenção que externalizar a raiva, não dá o direito de ser indelicado/a ou desagradável quando apetece. Há situações e situações. Há que haver coerência e ser justo/a. Existe a raiva patológica em que há claramente uma falta de auto controlo emocional e imcumpre em regras sociais afeto a comportamentos desviantes (Ex. incendiar carros, lesar fisicamente pessoas etc.), ou aquelas pessoas que não sabem conversar ou estar em sociedade sem ser aos gritos e com comportamentos violentos.

Estes casos carecem de intervenção clínica. Há por outro lado outras situações em que a pessoa está tão subcarregada com os problemas da sua vida, que num ato de desespero, fruto em muito do stress, tem comportamentos menos adequados mas que depois dos nervos até choram e sentem culpa. É uma descarga de energia física.
Sabia que a raiva tem sempre um significado? Normalmente a questões pendentes da vida. A raiva tem na sua génese , histórias mal resolvidas, rancores, mágoas, incapacidade para o perdão. As pessoas tornam-se assim…revoltadas! E à minima situação, pela sua falta de capacidade de “aguentar mais” externalizam. A raiva patológica, destrói vidas, porque não se vive o presente e o futuro está pendente. Nem sempre é fácil ter um autocontrolo emocional, principalmente nos dias que correm, em que estes momentos mais agrestes de raiva estão presentes, seja numa fila de supermercado, seja no transito, seja mesmo até em casa. A respiração diafragmática ajuda imenso assim como sair imediatamente do local por minutos do local que está a ser catalaizador da raiva. Pare e saia por uns momentos e pense num dos momentos mais felizes da sua vida e concentre-se apenas nesse momento. Se lhe aconteceu algo desagradável, pegue no telefone e partilhe com amigo, “deite tudo fora” o que lhe vai na alma. Se alguém for indelicado consigo, utilize a técnica do disco riscado. Em quê que consiste esta técnica? Suponha que alguém lhe diz, comentários desagradáveis sistemáticos, interpele-a sempre com a mesma frase “riscada”.

Exemplo, “Não fazes nada de jeito” - responda : “ Tu é que sabes tudo e fazes sempre tudo bem” (em ironia) “Isso não está bem.” - responda : “ Tu é que sabes tudo e fazes sempre tudo bem” (em ironia), “Não sabes, impressionante.”, - responda : “ Tu é que sabes tudo e fazes sempre tudo bem” (em ironia).
Vai vencer essa pessoa pelo cansaço e vai preservar o seu bem-estar. Pode perder-se dos outros mas nunca de si e o seu equilíbrio emocional e a sua saúde é bem mais preciosa.

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