Correio do Minho

Braga, terça-feira

- +

Viagem a Viena

A avaliação pedagógica...

Conta o Leitor

2020-08-11 às 06h00

Escritor Escritor

Mariana Azevedo Gomes

Na noite anterior à viagem, o Henrique quase não dormiu devido à ansiedade que lhe provocava o voo que saía do Porto às 8h50 com destino a Viena.
Duas horas antes da partida já se encontrava no aeroporto, com uma mochila às costas para a viagem que iria realizar, exatamente no dia do seu aniversário, 8 de agosto. À hora marcada cumpriu todas as orientações dadas pelas entidades e pelos colaboradores da transportadora e embarcou, ocupando o seu lugar.
Exatamente às 8h50 o avião levantou voo com destino à capital da Áustria, cidade imperial e marcada por uma enorme vertente cultural.

Uma hora e meia depois do início do voo, o Henrique, depois da noite mal dormida, acabou por adormecer, encostando a cabeça ao ombro de quem se encontrava ao seu lado. A viagem decorria calmamente e quase não se verificava turbulência, não fosse esse um dia de agosto, marcado por uma temperatura amena de 24 graus e um céu sem uma única nuvem.
Imbuído num sono profundo, chegou à capital do antigo Império Austro-Húngaro onde se deparou com uma forte presença militar nas ruas, destacando-se muitos soldados, alguns generais e muitos carros de combate. Com um ar sorridente, estes militares observavam os populares a limparem os paralelos da calçada das ruas da cidade. Com uma aparência ligeiramente diferente, destacando-se aqui as tranças e as barbichas nos homens, estes populares encontravam-se ajoelhados, a esfregarem as pedras marcadas pela borracha dos veículos e ainda por alguma bosta proveniente de certos cavalos que circulavam pela cidade.

Apesar da vontade que sentia para se aproximar, o Henrique ficou de longe a observar este cenário estranho e inesperado. “Então Viena, uma das capitais culturais da Europa, a capital da música e dos músicos, permite que uns homens gozem e ridicularizem outros que são obrigados a limparem as ruas à mão?”, pensou.
Minutos após observar este estranho cenário, verificou que alguns desses que esfregavam a calçada começavam a sangrar das mãos, em consequência do ácido que estavam obrigados a usar na tarefa.

Verificou também que alguns tinham uma aparência civilizada, usando óculos (na altura um dos símbolos da inteligência) e mantendo uma postura pacífica, porém, concentrados na tarefa humilhante que estavam a fazer.
Estupefacto com o que estava a presenciar, o Henrique decidiu manter-se mais algum tempo a observar este estranho cenário, assistindo pouco tempo depois a uma ordem forte e rígida de um dos generais, que obrigou estes homens a encaminharem-se para a estação de comboios da cidade.
Com receio de ser visto, o Henrique manteve-se distante, mas foi acompanhando de longe o percurso destes pobres homens, verificando que na estação estavam vários vagões à sua espera, que arrancou pouco depois no meio de um fumo intenso da locomotiva, dos gritos dos militares e do ladrar dos cães.

Como a curiosidade, naquele momento, foi maior que o receio, o jovem conseguiu infiltrar-se numa das carruagens, passando despercebido no meio de tanta agitação e temor.
Depois de três longas horas de viagem e de um pouco mais de 160 quilómetros de viagem, o comboio chegou ao seu destino, já noitinha. Contudo, ainda havia luz suficiente para o Henrique conseguir ver alguns cadáveres espalhados por umas escadas de granito que se encontravam no local. Aterrorizado, com o que via, ainda teve discernimento para se aproximar do primeiro degrau e contar as escadas, concluindo que se encontravam nesse local 186 íngremes degraus!

Quando a noite já estava mais cerrada e o ladrar dos cães se fazia ouvir com mais intensidade, o Henrique sentiu um pequeno estrondo que o fez acordar do seu sono profundo e o aliviou do sonho mau que tivera.
Uns minutos depois levantou-se e saiu do avião que, pouco antes, tinha aterrado em Viena. Informaram-no que tinha de descer as escadas… do avião.
Estava curioso por ver a Roda-Gigante que se encontra no Prater.

Deixa o teu comentário

Últimas Conta o Leitor

31 Agosto 2020

A noiva

30 Agosto 2020

A despedida...

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho