Correio do Minho

Braga, quinta-feira

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Vira o disco e... toca sempre o mesmo!

Manuel Fernandes

Vira o disco e... toca sempre o mesmo!

Ideias Políticas

2023-09-19 às 06h00

André Patrão André Patrão

Estamos de regresso ao nosso espaço habitual, gentilmente cedido pelo Correio do Minho, para que possamos, quinzenalmente, falar sobre várias questões, numa balbúrdia de assuntos, que me apoquentam – e que, julgo, nos vão apoquentando a todos.
Presos num ciclo sem fim, poderíamos começar, como já o fiz algumas vezes, pela enumeração de vários dados estatísticos que demonstram o que têm sido os anos de governação desta caranguejola que se apelida de “Coligação Juntos por Braga”. Tal e qual como uma antiga relíquia de museu, a nossa cidade vai permanecendo estática face ao desenvolvimento, que se traduz nas mesmas estradas, nos mesmos serviços, nas mesmas estruturas, nos mesmos problemas, nos mesmos desperdícios e, claro, nas mesmas promessas vazias e nas mesmas desilusões de sempre.
A maratona que Braga deveria, efetivamente, promover, era a corrida pelo seu capital humano, as pessoas que compõe esta cidade. Temos a sorte de possuir uma população diversificada, que conjuga a experiência e conhecimento das gerações mais antigas, também essenciais para preservar o vasto património cultural desta cidade antiga, com as ávidas mentes jovens, promotoras das novas tecnologias e completamente entrosadas com a digitalização do mundo, Braga dispõe dos ingredientes para ser uma cidade referência no contexto nacional, europeu e mundial, como fazem várias instituições que se enquadram neste eixo duplo, quer sejam de âmbito público ou privado.
Por um lado, tem associações, instituições e organizações que são exemplo, há muitos anos, pelo seu trabalho e conhecimento, em várias áreas. Por outro lado, Braga é a casa de associações, instituições e organizações, mais recentes, que são líderes na inovação e no desenvolvimento, o que resulta numa conjugação perfeita entre duas realidades, que pode- riam ser promotoras de um desenvolvimento acentuado e assente numa dicotomia passado/futuro. Para isso acontecer, tem que haver quem faça a ligação, quem sirva de ponte, quem disponha da sua legítima capacidade, enquanto representante das pessoas e do poder público e político, para afinar os instrumentos e alinhar os músicos, cumprindo-se a orquestra, mas o que vemos é uma cacofonia de interesses pessoais e políticos. A caranguejola desafina e desvai-se, dia após dia.
Desde os tempos de ditadura, só quem não conhece a realidade de crescimento da cidade, provado pelo vasto desenvolvimento, durante várias décadas, é que pode aceitar os tempos atuais e defender a atual governação. Sendo ainda mais concreto, só quem tenha recebido algum patrocínio é que pode premiar os últimos dez (!) longos anos do atual executivo, que culmina no espetáculo circense, que decorre numa arena de gladiadores, para a escolha do próximo Imperador – até porque os tiques da posição já existem – em que todos se vão gladiando para suceder ao atual dono dos baldios do poluído Este.
No fundo, mais do que defender algum partido ou atacar qualquer outro, vejo, no meu dia-a-dia, o tempo a passar e as oportunidades a desperdiçarem-se. Assim como me sinto capaz de criticar algumas opções, ações e inações do atual governo, que muitas vezes foi incapaz de promover as políticas necessárias para a melhoria das condições de vida de todos nós, por estar envolvido em demasiadas polémicas, é-me de todo impossível compactuar com a situação atual, vendo e ouvindo as críticas que se sucedem, com as mais variadas origens, à atual governação. Pior do que isso, é sentir a atual descrença das pessoas em relação ao futuro da nossa cidade, sentindo a indiferença com que olham para os políticos e até desvalorizando o trabalho que alguns cidadãos, da direita à esquerda, promoveram através do poder público e político. Mas é a consequência natural quando se vira o disco e a música é quase sempre a mesma.

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