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Vírus Maldito - Pandemia do Covid-19

Um novo pacote de medidas de apoio às empresas

Vírus Maldito - Pandemia do Covid-19

Ideias

2020-03-21 às 06h00

Vasco Teixeira Vasco Teixeira

Pandemias na Era da Globalização
Sempre existiram pandemias na história da Humanidade. A comum gripe foi uma pandemia há muitos séculos. O próprio rumo da natureza (na altura sem medicamentos) levou a que as gerações seguintes ficassem com alguma imunidade. Desenvolveram-se os anticorpos e quando nasce hoje uma criança já tem anticorpos para esse vírus. Mas o Covid-19 é um vírus novo a infetar o ser humano (mas sempre existiu na natureza em “reservatórios” animais, por exemplo no morcego). Por ser novo no corpo humano ninguém tem anticorpos. Não se conhece quase nada sobre este vírus. Sabe-se que cerca de 80% da população infetada consegue desenvolver anticorpos e combater a infeção.
Na Era da Globalização as pandemias propagam-se muito rapidamente e também são logo detetadas. Temos sistemas de saúde avançados, tecnologia e inovação farmacêutica e biomédica.
A Pandemia da Gripe Espanhola (Peste Pneumónica) de 1918, uma variante agressiva do vírus Influenza (H1N1), foi uma pandemia onde morreram entre 50 a 100 milhões de pessoas no mundo, ou seja cerca de 5% da população). A variante do vírus H1N1 do tipo A voltou em 2009, mas com vacinação e outros cuidados higiénicos e médicos que não existiam em 1918 não chegou a ser uma pandemia catastrófica.

A última pandemia, SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave), em 2003, foi controlada graças ao esforço de cooperação internacional e porque o vírus deu uma “ajuda” já que a virulência era muito menor do a do Covid-19 (1 infetado em média infetava 1 pessoa e só na situação de doente sintomático). Os cenários, em termos de saúde pública e impactos económicos, foram grandes (a taxa de mortalidade do SARS é de 10%). Mas essa crise passou rápido e os cenários “devastadores” felizmente não se verificaram. Talvez por isso muitos países agiram tardiamente para combater o surto do Covid-19. Sendo a taxa de mortalidade média de cerca de 3%-4% (mas com países onde a taxa é muito mais baixa e outros, como Itália, onde já chega quase ao dobro), está a causar um grave problema mundial. Reagiu-se tarde e porque este vírus é mais virulento (3 vezes mais do que o do SARS) e doentes assintomáticos transmitem a infeção.

Solidariedade na União Europeia
Cada país por si? A situação de emergência da Pandemia do Covid-19 tem revelado as grandes divisões existentes na UE. A Europa defronta-se com uma enorme falta de solidariedade dos diferentes Estados para enfrentar a crise de saúde pública. Nenhum Estado-membro respondeu ao apelo desesperado de Itália.
A França fez logo requisição civil dos equipamentos de proteção médica. A Alemanha proibiu a exportação desses materiais e só com autorização permitia exportação para países da UE. A Polónia fechou fronteiras.
A UE reagiu tarde e timidamente. Os países tomam medidas mais ou menos erráticas e também com algum (demasiado) atraso, procurando implementar medidas de contenção da propagação do vírus, semelhantes às que Itália foi tomando em atitude reativa. Itália recorre, agora, aos militares para obrigar muitos dos cidadãos a não sair de casa. O Reino Unido começou por desvalorizar a infeção e tentou o método da imunidade grupo. Desistiu desse modelo só agora (quando o governo percebeu que poderiam morrer até meio milhão de cidadãos), encerrou só ontem escolas (medidas que vêm tarde de mais pois o vírus já se propagou de um modo incontrolado pela população).
Os EUA e Brasil que também desvalorizaram a pandemia defrontam agora já graves problemas.

Recessão
A Saúde Pública tem de estar em primeiro lugar numa fase imediata, mas o mundo não pode ficar em suspenso. Só se salvam vidas se a economia não morrer. A crise económica (que já começou) é um período com uma diminuição dos níveis de produção, da comercialização e do consumo de produtos e serviços.
Alguns países já entraram em recessão (como o caso dos EUA). Ninguém consegue prever as verdadeiras consequências económicas desta crise, tanto é que ninguém sabe quando terminará a Pandemia. Possivelmente só quando existir uma vacina segura ou medicamento eficaz (há esperanças que os fármacos para tratamento da Malária possam combater este vírus). Até lá temos, infelizmente, de ver o vírus a propagar-se por outros países e será um grave problema quando chegar a países com sistemas de saúde deficitário.
Vão aparecendo cenários que indicam que haverá entre 5 a 25 milhões de desempregados no mundo. A crise económica e financeira de 2008 levou à perda de 22 milhões de postos de trabalho.
Vamos, certamente, agradecer as medidas de austeridade e a procura pelo equilíbrio das contas públicas e Défice zero (é que, em breve, o nosso Défice e dos outros países europeus vão disparar). Ainda bem que a vulnerabilidade de Portugal nas finanças públicas já não é a mesma.
União Europeia e Euro em risco?
A Europa enfrenta agora grandes desafios e atravessa o seu pior período, não após a crise financeira de 2008, mas seguramente após a Segunda Guerra Mundial.
A UE terá de se preparar para um incremento do populismo e crescimento de forças nacionalistas radicais.
Após a crise de saúde pública será necessário repensar de uma forma nova o modelo social na Europa que se tornará, possivelmente, insustentável.
Corre-se um grande risco relativamente à continuidade do projeto Europeu e até mesmo da moeda Euro.
O modo como a crise económica que aí vem será resolvida, mostrará se, de facto, a União Europeia está à altura de aplicar os princípios e valores presentes no espírito da construção europeia que sempre defendeu.

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