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Ideias Políticas

2016-04-12 às 06h00

Pedro Sousa

A eleição, recente, de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República trouxe uma lufada de ar fresco às relações entre a Presidência e o Governo.
Tenho, em termos pessoais, uma certa simpatia pela figura do ora Presidente da República. Gosto do estilo afável do Professor, agrada-me a sua dimensão intelectual e a inteligência sadia, o facto de ser um homem das leis e do direito é, também, algo que nos aproxima mas é, sobretudo, o facto de, como eu, ser “Braguista” que o torna especial.

No terreno político, não será, certamente, surpresa para ninguém o facto de eu assumir que não sou o maior admirador de Marcelo Rebelo de Sousa. Tenho uma razão fundamental a sustentar este entendimento. A meu ver os muitos anos de comentário político em “prime-time” que, por um lado, lhe deram uma enorme notoriedade, retiraram-lhe, por outro, a sobriedade e a reserva que considero desejáveis e necessárias ao exercício da mais alta magistratura do Estado.
Ainda assim, não posso deixar de enaltecer algumas tomadas de posição recentes que, até para alguém que não apoiou e não desejava a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa merecem reconhecimento e deixam no ar a esperança de um bom mandato do Presidente recém-eleito.

Falo, por exemplo, de algumas das escolhas, como a de Fernando Frutuoso de Melo, homem experiente e capaz, para a Chefia da Casa Civil, a de José Augusto Duarte, um dos mais qualificados diplomatas da sua geração e que tem sido um excecional embaixador em Moçambique que, agora, deixa a embaixada em Maputo para chefiar a assessoria diplomática da Presidência da República e, também, as escolhas ecléticas, nada sectárias e inteiramente justas de António Guterres, Francisco Louçã e António Lobo Xavier.

Mas há mais. Até aqui, tempo demasiado curto pelo que se impõe este ressalva, o Presidente da República têm mantido, quer na forma, quer no conteúdo, uma relação e uma lealdade institucionais com o Primeiro-Ministro e com o Governo, absolutamente inatacáveis.
Parecem, por isso, distantes os tempos “…em que bastava eleger um presidente 'de direita' para se poderem marcar logo novas eleições? Eram em julho, não era?”

Na verdade, o mais relevante a retirar deste comportamento institucional e com sentido de Estado que o Presidente Marcelo tem revelado é que aqueles que contavam com o “…Presidente para poder criar um fácil incidente de percurso ao governo parece poder começar a 'tirar o cavalo da chuva'. Ele deixou claro que o governo só cairá se quem o apoia assim quiser”. Tal facto, é tão mais relevante tendo em conta o contexto político, social e económico que se vive em Portugal e que é, ainda e como todos sabemos, de muitas incertezas e dificuldades que, não tenho dúvidas, a segurança/insegurança e a estabilidade/instabilidade políticas podem ajudar a amenizar ou a agudizar.

Convenhamos que o tempo para análises mais profundas é ainda curto mas, por estes dias, parece que a República está em festa. Não sei se pelo efeito “Olá, Marcelo”, se pelo efeito ”Adeus, Cavaco” (desconfio que seja mais devido a este) mas o mais importante, a bem de Portugal e dos Portugueses, é que a festa possa durar.

Mesmo a fechar uma nota, crítica como sempre, a Cavaco Silva. Entendo que todo este entusiasmo em volta de Marcelo Rebelo de Sousa é a mais dura crítica de Portugal e dos Portugueses a Cavaco Silva e aos seus mandatos. Estávamos há dez anos sem Presidente e a verdade é que, por uma questão de brio e de orgulho nacional, tínhamos saudades.

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