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Ideias

2015-09-28 às 06h00

Pedro Morgado Pedro Morgado

O governo PSD/CDS não é, naturalmente, o único responsável pelo estado em que hoje se encontra Portugal. Mas é responsável por estarmos muito mais endividados do que estávamos há 4 anos. É também o principal responsável por termos mais desigualdades sociais do que tínhamos há 4 anos. É o único responsável por termos mais impostos sobre quem trabalha e menos sobre as empresas do que tínhamos há 4 anos. É o grande responsável pelo ataque reiterado a os funcionários públicos e pensionistas nos últimos 4 anos. E é também o responsável maior pela degradação do sistema público de ensino, pelo brutal desinvestimento na ciência e nos jovens cientistas e pelo défice inédito no sistema de pensões nos últimos 4 anos.

Contudo, das muitas coisas de que podemos acusar o governo PSD/CDS, há uma que é verdadeiramente gravosa: nestes quatro anos mataram como nunca a confiança do país e, com isso, afundaram a esperança no futuro entregando-nos a um miserabilismo cinzento e conformista.
A propaganda foi clara: somos medíocres, fomos despesistas, comportamo-nos como piegas e, por isso, merecemos viver condenados à pobreza em que estamos.

O projeto ideológico é simples:
(1) não podemos aspirar a ser mais do que um entreposto de mão de obra barata;
(2) devemos viver condenados a saldar a dívida com que pagámos os desfalques nas instituições bancárias a quem agora querem confiar as nossas pensões;
(3) devemos reduzir o Estado ao mínimo possível e entregar o máximo possível a interesses privados que se vão apropriando do património de todos;
(4) o desemprego é um mal necessário, a emigração é a saída merecida para quem não é capaz de arranjar trabalho por cá e o emprego é uma beneficência que os patrões concedem aos mandriões que são os portugueses na sua generalidade.
A narrativa é eficaz porque se alicerça no medo. E o medo pode entorpecer a ponto de se querer a proteção daqueles que humilham quotidianamente.

É por isso que as eleições do dia 4 de Outubro são particularmente decisivas para o futuro de Portugal. Apesar de estarmos a viver a mais insólita de todas as campanhas eleitorais, discutindo mais episódios de campanha do que resultados da governação, o que está em causa no próximo Domingo é a avaliação do que foi feito nestes 4 anos e a escolha entre dois projetos alternativos de governação.

O projeto da coligação PSD/CDS defende o aumento da competitividade do país pela diminuição dos custos do trabalho (i.e., redução de salários), o alívio da fatura da segurança social através da sua privatização, o desinvestimento na escola pública transferindo verbas para colégios privados e o fomento da economia da pobreza através do pagamento de intermediários privados que ajudem os mais pobres.

Por outro lado, o projeto do PS defende o aumento da competitividade pela valorização da produção (i.e., aumento do valor dos produtos/serviços transacionados), o alívio da fatura da segurança social através do maior controlo sobre as prestações sociais não contributivas de que auferem pessoas que têm mais recursos, o investimento nas escolas e nas universidades públicas (como forma de valorizar as pessoas) e a aposta na ciência e na inovação como chaves para um futuro melhor.

O que estes dois projetos têm em comum, diferenciando-se do que propõem CDU e Bloco de Esquerda, também é claro: a necessidade de manter o défice controlado, reduzir a dívida e manter Portugal no Euro.

O que está em causa é demasiado importante para que possamos arriscar baixar os braços, entregar a decisão aos outros e ficar reféns da estratégia de marketing eleitoral daqueles que beneficiam quando a abstenção bate recordes. Há várias alternativas políticas em jogo e votar é mesmo a melhor forma de contribuirmos para a solução de que Portugal precisa para sair do impasse em que se encontra desde a crise internacional de 2008.

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