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E no fim poderá ganhar (sempre) a Europa!

Ideias

2013-12-29 às 06h00

Felisbela Lopes Felisbela Lopes

Nesta altura do ano, há sempre rituais que se repetem, como o de formular desejos para o novo ano. O limiar de um outro tempo é o momento propício para renovar uma esperança que a banalidade do quotidiano, por vezes, ofusca. Deixo aqui quatro desejos para 2014: um pessoal, um regional, um nacional e um global.

Ser feliz. Não necessito de muito para alcançar a felicidade. Não preciso de dinheiro, de uma casa espaçosa, de um carro topo de gama, de roupas de alta costura ou de uma intensa vida social. Nada disso. Aquilo que me faz falta é, em primeiro lugar, saúde. Depois, tempo: para realizar todos os trabalhos que me são destinados, para me dedicar àqueles que amo, para estar a sós comigo. De quando em vez, sabe muito bem ficar ali, numa casa silenciosa, com todo o tempo para se fazer o que se tem vontade. Sem pressa. Também preciso muito daqueles que me são mais próximos: da minha família e dos meus amigos. Não se trata, na verdade, de um grupo numeroso, mas eles sabem o quão fundamentais são na vida de todos os dias.

Viver numa região com líderes reconhecidos. Nos últimos anos, o Norte perdeu notoriedade pública e projeção mediática. Olhando a região, falta-nos uma liderança inequívoca. De entre as elites políticas, académicas, económicas e culturais, não sobressaem muitos nomes que se projetem à escala nacional, porque também não têm uma obra reconhecida na região. Em cada concelho, todos se queixam do centralismo da capital, mas a verdade é que cada um, à sua maneira, lá vai adotando posições autocentradas, ignorando que o trabalho em rede potenciaria sinergias vitoriosas. Se procurarmos essas lideranças nos media, o resultado é ainda mais catastrófico. Os meios de comunicação social com expansão nacional não falam daquilo que fazem os atores regionais e, quando o fazem, circunscrevem-nos a acontecimentos negativos ou a factos irrelevantes que não ultrapassam o interesse local. O que se passa em Lisboa pode ser nacional, mas o que acontece para lá da capital quase nunca tem esse estatuto. E a culpa nem sempre poderá recair nos tão problemáticos critérios jornalísticos.

Deixar de ouvir falar em austeridade. E, de repente, familiarizamo-nos com palavras como crise, dívida, desemprego, troika, FMI... 2014 será decisivo para conhecer os próximos anos. Se regressarmos aos mercados, talvez possamos sonhar com o retorno (lento) à normalidade. Se houver um programa de ajustamento, lá teremos de atirar para o médio prazo a esperança de equilibrar as finanças domésticas. Se houver um segundo resgate, talvez o melhor seja mesmo emigrar e esquecer que nascemos num país que, um dia, nos fez acreditar que viveríamos num oásis. É difícil para quem, como eu, nasceu na alvorada de Abril e cresceu sob as promessas de ilimitados subsídios comunitários confrontar-se com uma crise sistémica que se abateu sobre cada um de nós. Vamos ver se este será o tempo de virar a página a esta persistente regressão.

Ser parte de um mundo com menos assimetrias. Vivemos imersos em renovados contrastes. O mundo dito civilizado coloca diante de nós permanentes inovações tecnológicas enquanto o gigantesco terceiro mundo está imerso numa extrema pobreza e subdesenvolvimento. Hoje, mais do que nunca, sabemos que temos de preservar os nossos recursos naturais, mas também nunca fizemos tanto para os destruir. Nos livros que guardei para ler nestes dias, sobressaem “A Sociedade da Deceção”, de Gilles Lipovetsky e “O Caminho da Esperança” de Stéphane Hessel e Edgar Morin. No primeiro escreve-se que, “contrariamente às ideias estabelecidas, a deceção atua mais nos desejos não materiais”, sendo, portanto, à partida, mais difícil de neutralizar.

Prefiro o optimismo da segunda obra que faz a apologia de uma “política de desejar viver que nos arranque de uma apatia e uma resignação fatais”. Porque há sempre diferentes formas de encarar os problemas. Um excelente 2014 para cada um.

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