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“A emigração não resulta de uma verdadeira liberdade de escolha”

Entrevistas

2022-09-26 às 06h00

Libânia Pereira Libânia Pereira

Alexandre Gencer, presidente adjunto da AAUM, esteve no programa da ‘Europa para o Minho’ numa conversa onde os custos da habitação e os salários miseráveis em Portugal foram apontados como os principais entraves na vida dos jovens.

Citação

Alexandre Gencer, presidente adjunto da Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM) foi, no passado sábado, o convidado do jornalista Paulo Monteiro e do eurodeputado José Manuel Fernandes no programa ‘Da Europa para o Minho’, da rádio Antena Minho. Em análise esteve o facto dos jovens portugueses terem sido os que na União Europeia (UE) saíram mais tarde da casa dos pais em 2021, numa média de 33,6 anos, bastante acima da média comunitária que anda nos 26,5 anos. Os elevados custos da habitação e dos baixos salários em Portugal foram apresentados como os pontos de maior preocupação.
Para Alexandre Gencer, a habitação e o emprego jovem são dois problemas centrais. Os preços “exorbitantes das casas, e até dos quartos, em Portugal faz com que muitos dos jovens tenham uma grande dificuldade em sair da casa dos pais. Há uma grande desregulação do mercado por culpa da ausência de resposta quer ao nível privado, quer ao nível da habitação pública”, considerou o presidente adjunto da AAUM, acrescentando que “há inclusive muitos jovens que acabam por recusar ofertas de trabalho nos grandes centros urbanos, porque não terem condições para adquirir ou arrendar uma casa”. Em paralelo a este ponto, surge a questão dos salários miseráveis a que os jovens portugueses são sujeitos.

Relativamente ao posicionamento da UE perante esta realidade, o eurodeputado José Manuel Fernandes lembrou que “a juventude, a educação, e a formação são competências nacionais”. Ainda assim, a UE tem programas de apoio à juventude, como é o caso do programa Erasmus+, mas cada país tem de fazer a sua parte.
Para contornar esta realidade de salários miseráveis, “é essencial que os jovens se envolvam, tenham uma voz activa”, afirmou eurodeputado, defendendo que “o nosso grande desígnio deveria ser aumentar os salários, não só o mínimo mas todos os salários, no público e privado. Isto é essencial, caso contrário vamos continuar a ter uma fuga de cérebros, de jovens e mão-de-obra qualificada”, frisou.
José Manuel Fernandes reforçou ainda a necessidade de incentivar o empreendedorismo, e promover “uma maior coesão territorial aliada a competitividade, produtividade e empreendedorismo”.
Neste âmbito, o presidente adjunto da AAUM referiu “o desinvestimento que se tem verificado ao longo dos anos no interior do país, onde não existem condições ao nível da mobilidade, de serviços ou de investimento empresarial’.

Quando questionado pelo jornalista Paulo Monteiro se haveria por detrás de tudo isto alguma questão cultural, Alexandre Gencer considerou que existe um certo “conformismo e comodismo”. “Acho que a nossa geração, a geração dos 30 anos, deve ser mais inconformada e não deve aceitar os baixos salários, a falta de oportunidades, os altos impostos, e ser mais reivindicativa e exigente com a nossa classe política, mais reivindicativa dos seus direitos”, alertou.
No decorrer da entrevista, Paulo Monteiro lembrou que os salários de quem tem habilitações ao nível do ensino superior caiu 11% nos últimos 10 anos, e Alexandre Gencer completou lembrando que há “uma grande pressão por parte da sociedade sobre os jovens para que ingressem no ensino superior, sendo criada uma expectativa de que isso lhes vai trazer mais oportunidades e melhores salários, expectativas que hoje acabam por sair defraudadas”.
Enquanto associação de apoio a jovens estudantes, a AAUM reconhece como principal reivindicação a questão do alojamento estudantil, lembrando que “a construção de uma residência universitária em Braga e Guimarães é ansiada há anos”, e alerta para a necessidade de “revisão do regulamento de atribuição de bolsas, do seu montante, e para a criação de outro tipo de apoios aos estudantes, nos transportes, e na aquisição de materiais”.

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