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A Juventude Popular de Braga chega onde o cds nunca chegou

Entrevistas

2020-03-08 às 06h00

José Paulo Silva José Paulo Silva

O bracarense Francisco Mota assume até ao final do ano a liderança da Juventude Popular (JP), por força da eleição de Francisco Rodrigues dos Santos como presidente do CDS. Em entrevista ao programa ‘Primeiro Plano’ da rádio Antena Minho e jornal Correio do Minho, aborda o seu afastamento do cargo de adjunto na Câmara Municipal de Braga. O jovem político comenta também o distanciamento entre os vereadores do CDS, Altino Bessa e Lídia Dias, registando a ascensão na direcção nacional do partido. Francisco Mota defende que os dois vereadores devem manter-se numa próxima coligação autárquica com o PSD.

P - Vê-se como o ‘enfant terrible’ da política bracarense?
R - Não me considero propriamente isso. Considero-me mais um jovem que olhou sempre para a política com o objectivo de missão e nunca de profissão e que acreditou que as convicções têm de se colar acima do interesse pessoal. Uma ou outra vez acolhi mais ou menos aplausos, quer fosse dos meus adversários políticos, quer fosse dos meus parceiros de percurso político. Fiz sempre das minhas convicções a maior força para seguir em frente.

P - Dentro do CDS as coisas não lhe têm corrido sempre muito bem.
R - Isso é o sinal do desprendimento de estar na política, de que não devemos favores a ninguém. Sempre defendi dentro da Juventude Popular (JP) de Braga que mais vale perder uma eleição de pé do que ganhar algumas de joelhos. As convicções não têm preço, a moral não tem forma de ser hipotecada e os nossos valores são inegociáveis.

P - Ao longo do seu percurso político teve objectivos que não conseguiu concretizar, por força de algum confrontamento com pessoas do CDS. Estou a lembrar-me da sua não integração no executivo da União de Freguesias de Maximinos, Sé e Cividade. Tem irreverência a mais perante a estrutura partidária?
R - É pública e sabida a minha posição sobre o assunto. Achei que se deveria ir novamente a eleições, porque não havia condições conjunturais e políticas para se conseguir avançar para a formação de um executivo. Foi encontrada uma outra solução política, que os cidadãos de Maximinos, Sé e Cividade terão oportunidade de avaliar nas próximas eleições autárquicas. Fiquei na Assembleia de Freguesia com todo o sentido de lealdade e de compromisso.

P - A participação no executivo da União de Freguesias era importante para si?
R - Eu acredito que, à data, poderia ter sido uma boa ferramenta ao serviço da União de Freguesias, com um projecto próximo das pessoas. Não foi possível. Não fiquei com mágoa.

P - Mas ficou desapontado por não ter havido repetição das eleições autárquicas?
R - Os únicos que poderiam ficar desapontados seriam os cidadãos de Maximinos, Sé e Cividade. Há que entender o caminho que foi seguido.

P - Consigo a JP de Braga cresceu. Acha que há algum receio do seu poder dentro do CDS pelo facto de ter a JP atrás de si?
R - Um partido que receia pelos seus jovens... Isso significaria que estaria a caminhar para o seu fim. São as novas gerações que permitem a renovação e a credibilização junto da comunidade. Quero acreditar que o CDS olhou sempre para a juventude como uma oportunidade. Certas atitudes de certas pessoas não fazem regra dentro do partido.

P - Houve, recentemente, eleições para os orgãos concelhios de Braga do CDS. Acha que a JP está bem representada nos órgãos?
R - O próximo presidente ou a próxima presidente da JP de Braga terá assento por inerência na comissão política concelhia. A JP tem 24 autarcas eleitos. Alguém que possa fazer um percurso político dentro do CDS e achar que não conta com a juventude, está a condicionar a acção do partido. Hoje, a JP chega onde o CDS nunca chegou. Qualquer líder da concelhia que considere que pode negar esta realidade está a ir em sentido contrário. O sentimento que tenho é que o caminho está a ser feito em conjunto. A JP de Braga vai a eleições este mês e está focada nas próximas eleições autárquicas.

"Lídia Dias não aparece por acaso. É dos elementos mais próximos do presidente do CDS"

- Como recebeu a notícia do seu afastamento da assessoria do vereador Altino Bessa?
R - Com surpresa. Fui surpreendido, Não estava a contar. Esta é uma questão que o CDS irá saber superar no momento próprio. Estou de consciência tranquila de que fiz o trabalho necessário pela minha cidade. Tive o reconhecimento de instituições, de todos os vereadores e do próprio presidente da Câmara Municipal de Braga pela dedicação e forma vincada com que sempre trabalhei de forma comprometida e leal para com o executivo municipal.

P - Perante essa sua declaração, podemos concluir que houve razões extra trabalho de assessoria que ditaram o seu afastamento?
R - O que eu posso garantir é que não foram questões do foro político interno da Câmara Municipal, nem foi por irresponsabilidade, nem por falta de trabalho. Não foram essas razões que me afastaram do executivo municipal. Sempre disse que mais importante do lugar que possa ocupar é o lugar de onde venho. Eu venho de Braga, eu sou Braga, eu sinto Braga todos os dias.

P - Foi afastado por questões de divergência política?
R - Essa razão nunca me foi dada. Apenas de disseram que não contavam mais comigo. Só os envolvidos podem responder a essa questão.

P - Neste momento, há um mau estar instalado no CDS em Braga. Há vereadores que não se falam. Isso coloca em causa o acordo de coligação com o PSD?
R - Os bracarenses esperam do presidente da Juventude Popular que fale mais dos problemas do país do que das tricas dos partidos.

P - O Francisco Mota integrou a lista da coligação ‘Juntos por Braga’. Se o CDS tivesse três vereadores, seria o terceiro. Não é um elemento a desconsiderar nesta questão.
R - Tenho um profundo orgulho pelo trabalho desenvolvido pelos vereadores Lídia Dias e Altino Bessa. São dois vereadores de referência e que são uma nota distintiva no executivo municipal de centro direita.

P - A vereadora Lídia Dias nem sequer integrou a lista candidata à comissão política concelhia do CDS, liderada por Altino Bessa.
R - As escolhas das equipas ficam à responsabilidade de cada um. Se os dois vereadores se falam ou não, eu não estou no executivo camarário. Eu falo com os dois. Se me questionarem sobre o futuro da coligação ‘Juntos por Braga’, digo que o CDS para continuar a senda de responsabilidade na gestão municipal tem dois grandes candidatos a vereadores: Lídia Dias e Altino Bessa.

P -?Acredita que Lídia Dias integre o próximo executivo municipal pelo CDS?
R - Lídia Dias é membro da comissão executiva do CDS, liderada por Francisco Rodrigues dos Santos. É um dos rostos do CDS a nível nacional. Tem um percurso político reconhecido. Lídia Dias conta para as contas do CDS e conta para Braga.

P - E Altino Bessa também?
R - Naturalmente.

P - É notório um distanciamento entre Lídia Dias e Altino Bessa...
R - Não vou ser hipócrita. Era adjunto de Altino Bessa, trabalhei com ele durante seis anos e fui afastado. Não vamos tapar o sol com a peneira, mas não contam com o Francisco Mota para criar uma espécie de guerrilha interna para dividir. Estou disponível para continuar a construir. O CDS faz parte de uma equação da qual não pode abdicar. Deixem-me dizer que Altino?Bessa faz parte da direcção nacional do CDS.

P - O Francisco Mota pode fazer a ponte no CDS de Braga?
R - Estou disponível para isso. Somos poucos para um partido que teve pouco mais de 4% nas últimas eleições legislativas, 3, 6% aqui em Braga. Valeremos muito mais. Foi um erro de estratégia política a nível nacional. Hoje somos poucos para estar a dividir para reinar.

P - A presença de Lídia Dias ao lado do presidente do CDS é um acaso? Uma afirmação?
R - A vereadora Lídia Dias não aparece por acaso. É, neste momento, um dos elementos mais próximos do presidente do partido.

P - Acredita que, nas próximas eleições autárquicas, Lídia Dias e Altino Bessa, vão manter-se na lista da coligação ‘Juntos por Braga’?
R - Se não se mantiverem os dois, será uma oportunidade perdida para o CDS e, sobretudo, para a cidade de Braga.


P - Reconhece que há militantes e dirigentes do PSD de Braga que não têm uma profunda admiração pela sua postura política?
R - Provavelmente. Eu ficava chateado se não tivesse, na rua, o reconhecimento dos bracarenses. Quanto aos dirigentes políticos, a rivalidade é uma coisa normal. Se calhar, não estão habituados a que o CDS tenha uma voz tão activa e capacidade reivindicativa. A JP nunca pediu licença para trabalhar. Fomos os únicos que votámos contra a compra da Fábrica Confiança, tivemos posições muito claras sobre o estádio municipal e propusemos, recentemente, um debate público sobre o fim a dar ao estádio municipal de Braga.

P - São a favor da alienação do estádio municipal?
R - Tenho uma posição muito pessoal sobre o assunto. Houve dois momentos importantes que foram perdidos. Quando foram cedidos os terrenos para a Academia, era oportunidade de pedir ao Sporting Clube de Braga que ficasse com o estádio como contrapartida. Devia ter estado nesse contrato. Relativamente ao estado actual do estádio, não nos devemos esquecer o seu valor desportivo e patrimonial, tal como não nos devemos esquecer do que já lá foi investido pelo erário público. Não deixa de ser um equipamento emblemático que foi feito para o Sporting Clube de Braga, que não teve sequer a possibilidade de escolher como é que queria o estádio. No final do actual contrato, que o Sporting Clube de Braga perceba que tem uma certa responsabilidade nesse património. O que me parece sensato é entregar o estádio ao clube.

P -?Se houver um referendo à alienação do estádio, como é intenção do presidente da Câmara Municipal de Braga, a JP fará campanha pelo não?
R - Não sei dizer, porque não conheço a pergunta do referendo. Daí que tenha sugerido a realização de um debate para que se discutisse que caminho se quer fazer.

“Dor e sofrimento fazem parte do percurso de vida”

P - É líder nacional da JP. Não poderá candidatar-se a um novo mandato por questões de idade. O que pretende que seja a JP nestes próximos meses?
R - Esta não é uma direcção de transição, é uma direcção de convicção. Estou disponível para nos afirmarmos como a única organização de juventude partidária de direita em Portugal.

P-Valerá a pena assumir essa postura muito afirmativa da sua parte por um período de meses?
R - Até ao final de 2020. Tudo vale a pena, porque a nossa maior causa é Portugal e os portugueses.

P - Nestes meses de mandato, vê-se confrontado com o debate sobre a eutanásia. Continua envolvido na petição para um referendo sobre esta matéria. É uma batalha que está ainda por ganhar?
R - A JP e eu somos contra a eutanásia. Não há nenhuma vida que valha mais do que outra. A vida dos doentes tem o mesmo valor que a dos saudáveis e há uma ideia que está a ser instalada de uma forma muito perigosa: há vidas que, em determinadas situações, podem valer mais do que outras. Isso é um princípio completamente errado perante os valores universais que nos regem. Enquanto estrutura personalista e humanista, acreditamos que estes valores não podem ser abandonados e não podem ser colocados em causa por um conjunto de deputados. A eutanásia não constava dos programas eleitorais dos dois maiores partidos e as pessoas não votam em consciências, as pessoas votam em programas políticos. O que está em causa não é a consciência dos deputados, o que está em causa são os programas políticos. O que já passou no plenário da Assembleia da República é um ataque à democracia, que está ferido de morte à nascença e que mereceria por parte dos partidos políticos um maior respeito.

P - O referendo é possível?
R - Será a única forma natural de conseguirmos dar voz aos portugueses, na garantia de que o Estado terá sempre por obrigação cuidar e não matar. O que os portugueses devem perguntar aos deputados é se o Estado já fez de tudo que está ao seu alcance para garantir os melhores cuidados de saúde aos portugueses. A dor e o sofrimento fazem parte do percurso de vida. O Estado tem de garantir melhores cuidados de saúde.

Estou disponível para o CDS e para a minha cidade

P - Que preocupações tem o presidente da JP relativamente à taxa de desemprego juvenil, ao trabalho precário e à dificuldades dos jovens em comprar casa ?
R -?Vemos como muita preocupação. Quero adiantar que a nossa agenda política será de um diálogo muito próximo com as organizações de juventude e que queremos ser uma voz alternativa ao socialismo e de afirmação de uma visão de Direita em Portugal. Será em Braga, no próximo dia 9, que debateremos o acesso ao ensino superior, os modelos politécnico e universitário, a entrada no mercado de trabalho, a empregabilidade. Não há medidas estruturais para assegurar que as nova geração, considerada a mais bem formada, mas que está de mãos atadas perante um centralismo de Estado, não saia do país. Vamos começar as nossas jornadas académicas em Braga, com uma reunião com todas as associações académicas. Uma das preocupações centrais neste momento é o alojamento estudantil. Os alunos deslocados vêem-se coartados de um direito.

P - Em Braga, a possível solução de uma residência universitária na antiga Fábrica Confiança é boa?
R - Todas as soluções que dêem resposta ao alojamento estudantil são positivas. A JP propôs em momento oportuno o aproveitamento da antiga escola D. Luís de Castro. O Governo, não cumprindo as suas promessas, acaba por enviar cá uma comissão para avaliar e assume que não dá. Fui o único deputado municipal do CDS?que votou contra a compra da Fábrica Confiança. Construímos uma residência universitária ou contratualizamos com os privados. Sentir-me-ia completamente à vontade propor que um privado construísse uma residência universitária na Fábrica Confiança, ou noutro qualquer espaço da cidade, e que os Serviços de Acção Social da Universidade do Minho, contratualizassem com esse privado. Não tem, obrigatoriamente, de ser a Universidade, a Câmara Municipal ou outro organismo público a assumirem essa responsabilidade.?Se existirem estruturas privadas e os Serviços de Acção Social conseguirem contratualizar, seria uma
óptima solução.

P - O CDS teve um resultado nas eleições legislativas que levou a eleições internas no partido, com a vitória de Francisco Rodrigues dos Santos, que o Francisco Mota apoiou. Faz parte da comissão política nacional. Como vê actualmente o CDS e o aparecimento do CHEGA?
R - O resultado eleitoral foi muito penoso. O CDS é um dos pilares da democracia portuguesa. É verdade que no passado já passou por outros momentos difíceis e conseguiu reerguer-se. Este momento mais catastrófico deveu-se ao facto de o CDS ter perdido muito da sua identidade e de olhar para certos temas de forma pouco objectiva. Os temas que sempre definiram o CDS foram engavetados com receio do que os comentadores poderiam dizer. Preocupámo-nos mais com as luzes da ribalta do que com as pessoas. Tivemos um CDS muito afastada das suas estruturas. O CDS terá de assumir o seu ideário ideológico sem receio, sem pedir autorização à esquerda, sem ter receio da sua história. O CDS tem de ter um discurso de esperança para reconquistar um espaço que é seu. O país, mais do que umaguerra ideológica, vive uma guerra cultural. Basta perceber os resultados das últimas eleições legislativas em que mais de 50% dos eleitores não foram votar e 4% delas votaram branco ou nulo. Existem 54% dos eleitores que estão desapontadas com o modelo político, que não se identificam com o socialismo, mas que não encontram na direita uma mensagem e uma identidade que lhes permita acreditar no futuro.

P - Não o preocupa que, passados estes meses das eleições legislativas, o partido CHEGA continuar a granjear novos eleitores?
R - O CHEGA apareceu na democracia portuguesa com qualquer outro. Cria-me alguma urticária alguns discursos mais radicais que vêm o CHEGA como extremista e fascista, que nem deveria contar para a fórmula política.

P - Vê o CHEGA como um partido útil na direita?
R -?Vejo um partido útil na direita que é o CDS. Tenho de saber respeitar os espaços políticos de cada um.

P - A chegada de um novo partido é útil para a direita portuguesa?
R - É bom para a direita que apareçam outros espectros políticos, até para clarificar. No CDS, muitas vezes somos apelidados de extrema direita, de colagem ao antigo regime. Não, o CDS é o partido dos conservadores nos costumes, dos liberais na economia e dos democratas cristãos.

P - É líder da JP até ao final do ano. O que vai fazer, politicamente, a partir de 2021?
R - Será uma reflexão a fazer. Gostaria de continuar na política activa. Olho para estas funções como serviço à minha terra.

P -?Acha que tem possibilidade de ser novamente candidato pela coligação Juntos por Braga indicado pelo CDS?
R - O partido fará as suas escolhas nos momentos certos. Estou disponível para o meu partido e para a minha cidade como sempre estive.

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