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“A língua portuguesa é bastante difícil de aprender, mas estamos a ter muito apoio”
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“A língua portuguesa é bastante difícil de aprender, mas estamos a ter muito apoio”

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“A língua portuguesa é bastante difícil de aprender, mas estamos a ter muito apoio”

As Nossas Escolas

2021-06-11 às 06h00

Marta Amaral Caldeira Marta Amaral Caldeira

O número de alunos imigrantes e ex-emigrantes têm crescido nos últimos anos no Agrupamento de Escolas de Maximinos. Ao ‘Correio do Minho’ os alunos confessaram que o Português “é difícil”, mas que recebem todo o apoio na sua aprendizagem.

Aos 16 anos, An Thien, vietnamita, tenta falar português, mas revela ainda dificuldades ao tentar exprimir-se pois está apenas há sete meses a viver em Portugal. É um dos estudantes do Agrupamento de Escolas de Maximinos que frequenta a disciplina de ‘Português Língua Não Materna’ (PLNM), que, neste momento, tem alunos de mais de 28 nacionalidades diferentes do português e que aqui vive o multilinguismo e experiencia a multiculturalidade no dia-a-dia.
Mas é em inglês que ainda se expressa, confessando ter sido “muito bem recebido” no Agrupamento de Escolas de Maximinos e na cidade de Braga, para onde veio residir com a família. “A língua portuguesa é bastante difícil de aprender e é preciso trabalhar muito, mas tanto os professores como os colegas dão-nos muito apoio para que nos sintamos verdadeiramente integrados”, disse à reportagem do ‘Correio do Minho’.
Já Isabel Freitas Silva, que também frequenta o agrupamento, mostra apetência para falar Português, depois de ter vivido com os pais emigrados em Winbledon (Londres, na Inglaterra). A família está de regresso a Braga e agora é tempo de a aluna dar o tudo por tudo na escola, aprendendo ao máximo a língua portuguesa.

“Consegui adaptar-me bem à escola portuguesa e estou muito contente pela forma como este agrupamento me está a acolher e a ensinar e estou a conseguir tirar boas notas, o que é muito bom porque tenho tido o apoio que preciso”, disse.
O PLNM é uma das estratégias contempladas no projecto educativo do Agrupamento de Escolas de Maximinos (AEMaximinos) e é inclusive uma valência prevista no regulamento interno em que se tem vindo a apostar, de forma a responder mais adequadamente também aos muitos alunos estrangeiros, sejam imigrantes de outros países, ex-emigrantes portugueses e retornados a Portugal ou mesmo a alunos com o estatuto de refugiados.
No AEMaximinos, Vânia Coutinho é a coordenadora do PLNM, refere que “a maioria dos alunos não tem nenhum contacto com a Língua Portuguesa e são alunos oriundos de todos os cantos do mundo, desde a América do Sul à África, Ásia e de toda a Europa e que têm como língua materna outras línguas completamente diferentes”, pelo que é necessária uma intervenção diferenciada a este nível, no sentido de promover uma melhor integração dos alunos, mas também visando o seu sucesso educativo.

“Todo o AEMaximinos é multicultural. Temos crianças desde o pré-escolar onde os educadores têm feito um trabalho notável, passando pelos outros ciclos e pela secundária, onde, felizmente muitos estrangeiros têm dado continuidade à sua aprendizagem”, sublinhou a docente.
Indicando que “a escrita é muito difícil”, a professora Vânia indica que “estranhamente, um aluno argentino ou venezuelano é na oralidade que tem maiores dificuldades”.
“Temos alunos com uma miscigenação linguística muito grande porque alguns já passaram por terrenos de conflitos de guerra, onde tiveram de fazer outras aprendizagens linguísticas e, neste momento, já vão no 3.º ou 4.º paradeiro linguístico diferente - o que faz com que haja uma multiculturalidade e um multilinguismo muito grande que dificultam a aprendizagem da língua portuguesa, que, por si só, é uma língua muito difícil de aprender”, frisou.

“Multiculturalidade é uma realidade do nosso projecto educativo”

Mogtaba Mogtb, 15 anos, Mohamed Mahgaub, 19 anos e Mariak Gor, 17 anos, são todos do Sudão, provenientes de campos de refugiados e partilham os três o mesmo sonho de se tornar jogador de futebol profissional. Falam Inglês, mas é na Escola Secundária de Maximinos que estão a ‘dar os primeiros passos’ na aprendizagem da língua portuguesa e na integração no seio da comunidade bracarense.
Sabem ainda poucas palavras em Português, mas conhecem o mundo do futebol, um enverga até a camisola do Benfica e quando se lhes pergunta que palavras sabem dizer já, dizem ‘Bom dia’ e ‘Obrigado’ com um sorriso estendido de orelha a orelha. Dizem gostar da escola, de Braga e confessam sentir-se ‘em casa’, não na sua, mas nesta que encontraram em Portugal.

O director do Agrupamento de Escolas de Maximinos (AEMaximinos), Paulo Antunes, nota a enorme chegada de alunos estrangeiros à cidade de Braga nos tempos mais recentes e diz que é preciso a escola estar atenta e dar-lhes a resposta diferenciada que eles precisam para ter sucesso educativo. “O número de alunos estrangeiros cresceu muito na cidade e no nosso agrupamento também, onde acolhemos alunos desde o pré-escolar até ao 12.º ano. Ao todo, actualmente temos 232 estrangeiros, de 28 nacionalidades diferentes e 14 línguas faladas e temos aqui representado praticamente todo o planisfério”.

“Além do PLNM, esta multiculturalidade é uma realidade presente e por isso está contemplada no projecto educativo do AEMaximinos e no próprio trabalho que é feito na inclusão de todos. Trata-se de um novo paradigma que surge agora nas escolas e da nossa parte temos feito tudo para que estes alunos e estas famílias se sintam confortáveis”, indicou o director, acrescentando que a inclusão não passa só pela língua, mas também por outras áreas como a questão a Matemática, em que há alunos que conhecem alfabetos diferentes e foi necessário proporcionar-lhes apoio especial. “A nossa inclusão também passa pelo apoio às famílias dos alunos, que chegam a Braga e que precisam de um acolhimento e de um acompanhamento muito próximo”, sublinhou Paulo Antunes.

O director do AEMaximinos indica que a integração efectiva dos alunos não se faz de um dia para o outro. “Existe uma espécie de ‘ano zero’, em que os alunos têm disciplinas mais fáceis para entrar e integrar a escola no primeiro ano e só depois é que vão experimentar e fazer todo o currículo. Esta é uma hipótese que está prevista na lei e que entendemos como método ideal para gerar o sucesso educativo”.
Paulo Antunes garante que o Município de Braga, nomeadamente o pelouro da Educação tutelado por Lídia Dias, tem dado “um apoio excepcional” ao agrupamento no sentido de responder a todos estes desafios, como aconteceu com as ferramentas tecnológicas e computadores que foram imediatamente disponibilizados, “mas precisamos mais apoios, mais recursos humanos e materiais porque é muito bonito a escola pública receber jovens refugiados, mas também temos que ter as condições devidas”.

Para Maria João Faria, subdirectora do AEMaximinos, “a educação inclusiva deverá ser uma vocação de todos os agrupamentos que pode ser para alunos estrangeiros ou para alunos que em determinada fase da sua vida ou por algum acontecimento necessitem de algum apoio”.
“A educação inclusiva serve para ajudar todos os alunos a alcançarem o sucesso e isso implica não só o trabalho com os alunos, mas também a capacitação do corpo docente e não docente”, asseverou a responsável. “Todos têm que perceber como é que vão agir com os alunos e como vão trabalhar com estas crianças e jovens, desde a educação pré-escolar até ao 12.º ano de escolaridade e, o facto, é que as necessidades vão variando consoante o nível, mas a capacitação é fundamental”, frisou.

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