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Absentismo online está a levar mais alunos às aulas presenciais
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Absentismo online está a levar mais alunos às aulas presenciais

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Absentismo online está a levar mais alunos às aulas presenciais

As Nossas Escolas

2021-03-01 às 06h00

Paula Maia Paula Maia

Filhos de profissionais com cargos essenciais, alunos portadores de deficiência continuam a ir à escola, mas neste momento o absentismo ao ensino online está a fazer com que mais estudantes tenham de regressar às salas de aula.

O confinamento obrigou a maioria dos alunos a regressar ao ensino?à distância, mas há escolas que continuam a abrir portas a estudantes que não têm condições para seguir as aprendizagens em casa. As escolas de acolhimento permitem às famílias deixarem os seus filhos para irem trabalhar ou para procurarem apoios que não têm em casa. É o caso dos alunos portadores de deficiência que continuam a obter apoios complementares, quer em termos terapêuticos, quer escolares, condição essencial para o seu progresso e bem-estar.
Mas, no decurso do confinamento surgiu também a necessidade de seguir de perto, na escola, os alunos que, por razões variadas, mantêm-se ‘off’, não acompanhando as aulas sincronas.

A EB 2,3 Francisco Sanches, uma das escolas de acolhimento do concelho, abre as portas neste segundo confinamento a sete alunos em regime de acolhimento (cujos pais têm de se ausentar para ir trabalhar) e a vinte estudantes portadores de deficiência que, diariamente, recebem apoios a vários níveis. Mas, como referiu o director do agrupamento, há crianças que apesar de terem alguma necessidade especial, têm autonomia mas não estão a frequentar as aulas como seria desejável ou ainda aqueles que não tendo qualquer necessidade, não estão a frequentar o ensino online. De acordo com Arlindo Antunes de Sousa só neste grupo foram sinalizados nesta última semana mais de 30 crianças. Um problema que se levanta às escolas em termos de gestão, onde o objectivo é manter o máximo de alunos em casa.

“Trazer estes alunos para a escola é a última linha de intervenção”, explica o director, adiantando que a escola está a fazer ‘a ponte’ com as famílias para resolver o máximo de casos possível, evitando o regresso de uma grande número aos bancos da escola. Nesse sentido, Arlindo Antunes de Sousa afirma que cabe às técnicas do Gabinete de Apoio ao Aluno e à Família actuar na primeira linha com vista à resolução do problema. “Contactam os pais no sentido de saber porque é que o aluno faltou à aula. Muitas situações conseguem-se resolver, outras não. É uma espécie de filtragem”, afirma o dirigente, garantindo que o grupo de três dezenas de alunos nesta situação era “bem maior”.

Numa espécie de segunda linha de acompanhamento a estes alunos estão os tutores, docentes sem componente lectiva que fazem o acompanhamento às famílias e aos alunos. “Por vezes basta ligar-lhe um pouco antes para lhe lembrar que vão ter aula de seguida”, explica o responsável, revelando que a maioria destes alunos integra o 1.º ciclo
“Quando este acompanhamento não resolve o absentismo - e há situações complicadas - é que colocamos os alunos em regime presencial”, diz o director da Francisco Sanches, revelando que esta semana a escola vai receber alunos nessa condição, tendo, por isso, de reforçar também a presença de professores que garantam o seu acompanhamento. “Esta semana, a escola vai reforçar a presença de professores na escola para dar resposta a este aumento”, confirma o dirigente.
Actualmente são vinte os docentes que continuam a vir à escola todos dos dias.

Docentes garantem acompanhamento e acesso às aulas online

Afonso Ribeiro está no segundo ano do 1.º ciclo. O segundo confinamento não trouxe muitas alterações à sua rotina diária, já que continua a ir à escola todos os dias. A única diferença é que não tem a companhia física dos seus colegas turma. Tal como os restantes estudantes na sua condição, é na escola que acompanha as aulas online. A acompanhá-lo está uma docente que além de garantir a sua entrada nas respectivas aulas síncronas, auxilio-o nos trabalhos de casa. “Os meus pais têm de ir trabalhar e eu venho para escola”, diz-nos o pequeno Afonso que confessa ter na Matemática, no Estudo do Meio e na Educação Física as suas disciplinas favoritas.

Beatriz está a frequentar o 6.º ano. É filha de um profissional da área da saúde e também tem de vir todos os dias para a escola. Mas, garante que a situação “não poderia estar a correr melhor. “Aqui temos professores que nos ajudam muito com os trabalhos de casa. Os equipamentos são melhores, a internet não tem falhas. A comida também é muito boa. É tudo muito bom. Não gosto de ficar em casa sozinha. Por isso é que a minha mãe me aconselhou a vir para cá. E gosto de estar na escola”, diz-nos entusiasmada.

Pais de alunos com deficiência “aliviados” com o acesso a terapias complementares

A secundária Alberto Sampaio está também a acolher os alunos cujos pais têm de trabalhar, os que estão em risco de absentismo e a abandono e, sobretudo, os alunos portadores de deficiência que encontram neste estabelecimento de ensino um conjunto de apoios que não teriam acesso caso a escola estivesse encerrada.
Tal como nas restantes escolas, os estudantes continuam a ter aulas online, só que dentro da própria escola.?Os professores desempenham o papel da família no apoio às crianças. “Os professores não vêm à escolar dar aulas. Temos professores tutores que acompanham as crianças durante o dia”, explica o director.

Em número bastante superior aos filhos de profissionais com profissões essenciais, são sobretudo os alunos portadores de deficiência que beneficiam com a abertura das escolas em tempo de confinamento. “São alunos que vêm sobretudo no período da manhã para beneficiar das terapias e do apoio específico ao ensino”, garante o director da Alberto Sampaio.
Além dos professores, os alunos portadores de deficiência são acompanhados por técnicos especializados da área que, garante o director, “estão todos a trabalhar”.

“Os pais estão muito contentes e aliviados por eles terem a oportunidade de virem à escola”, diz também ao CM a coordenadora da Educação Especial do agrupamento, referindo que inicialmente cada aluno vinha apenas três manhãs por semana, mas agora, e a pedido dos pais, passam a vir todos os dias. “Pediram porque não os conseguem acompanhar da melhor forma Aqueles que não têm equipamentos em casa também ficam cá durante as aulas síncronas”, diz Sandra Queirós, garantindo que este apoio é crucial em alunos com setas características. “Trabalhamos a área específica, como a memorização, a concentração, a autonomia, mas também fazemos uma orientação às aulas online”, continua.

Não menos importantes, a abertura das escolas de acolhimento garante também que alunos já sinalizados em situações de risco de absentismo e abandono escolar continuem a frequentar as aulas online, evitando que fiquem fora do sistema. “São crianças que em contexto regular já apresentavam riscos que se iriam agravar significativamente nesta situação. As que estão aqui são as que sinalizameis com esse potencial”, explica João Andrade, acrescentando que este é um trabalho feito em colaboração com os directores de turma ou os professores titulares. O dirigente diz que o número poderá ainda aumentar se forem detectados mais alunos em situação de risco.
A Alberto Sampaio acolhe neste momento mais de 40 alunos, sendo que a maioria são portadores de deficiência. Além das aulas online e dos apoios dados pelos professores, a maioria almoça ainda na escola.

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