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‘Alcaide’ puxou por Tamila na piscina de Maximinos

Desporto

2021-03-05 às 06h00

Rui Serapicos Rui Serapicos

Nadadora Olímpica que completa este mês 22 anos conversou com a página Desporto & Saúde do Município de Braga e contou como começou a prática desportiva, falou de treinos e estudos.

Fernando Albino, um treinador já reformado é mais conhecido em Braga como o ‘Alcaide’ foi quem estimulou Tamila Holub ainda criança para ela evolui na natação. Em aulas na Piscina Municipal de Maximinos “era suposto eu estar no grupo dos mais novos e o Alcaide pediu que eu desse um salto; eu era bem maior do que os outros e fui parar logo ao meio da piscina. Por isso, ele disse: não, vai ter com os mais velhos. As outras crianças faziam cinco pistas e eu fazia sete. Ele puxava um bocadinho mais por mim, porque se calhar via que eu conseguia”, lembrou a nadadora, que esteve nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016 e volta a ter apuramento para Tóquio 2020, entretanto adiados para 2021.

“Naquela fase, a minha mãe trabalhava muito e não tínhamos carro. Por isso eu, com 6 ou 7 anos, ia a pé para a piscina. Era muito divertido. Já era responsável. Gostava imenso”, lembrou, em declarações que prestou via Facebook, através de Zoom, em conversa com Sofia Araújo e Miguel Caldas, na página do Município de Braga ‘Desporto e Saúde’.
Começando por auto-definir-se como “rapariga normal que faz o que gosta, e que tem a sorte de conseguir fazê-lo bem”, Tamila vincou que se dedica “a 100% à natação, por isso posso descrever-me como responsável e muito dedicada a algo”.

“Eu tento ser muito positiva e sorridente, já sofro o suficiente dentro de água”, realçou .
Por isso, prosseguiu, “é muito importante manter o pensamento positivo fora de água, sorrir o maior número de vezes possível. Curiosa penso que é também uma palavra que me descreve. Tento sempre aprender algo novo”.
Nascida em Tcherkássi, a cerca de 300 km de Kiev, em Março de 1999, a nadadora explicou que a Ucrânia encontrava-se em situação instável e os pais vieram para Portugal — primeiro o pai, que já tinha cá amigos. Depois veio a mãe. Tamila ficou com a avó cerca de um ano na Ucrânia. Depois veio ter com os pais e desde os 3 anos vive em Braga.

“A fase de adaptação foi fácil para mim, porque para as crianças é sempre mais fácil aprender uma língua nova. Para os meus pais foi muito mais difícil. Andei num colégio em Portugal, andei no colégio de Nossa Senhora das Graças. A partir daí o percurso foi normal.A única coisa fora do normal, realmente, foi a natação”, considerou.
“Sentia saudades e orgulho, porque a Ucrânia tem uma cultura e história muito rica. Gostava, e ainda gosto, de aprender músicas tradicionais, poemas e literatura. Gosto e acho graça. Mas neste momento orgulho é a última coisa que eu sinto pela Ucrânia. É mais tristeza, ver como um país que teve um passado tão grande veio parar ao estado em que está agora” — confessou a nadadora, que se encontra em estágio de preparação.

“Se um cadete com 9 ou 10 anos precisa de faltar a um treino para estudar para um teste, algo está mal”

“Até ao 9.º ano é bastante fácil”, respondeu Tamila quando questionada sobre os esforços de conciliar competição e estudos.
“É estar atento na aula e de vez em quando dar uma vista de olhos. Quando agora eu vejo infantis ou cadetes a faltar a um treino porque têm de estudar para um teste, ou porque têm explicações eu fico parva. Se um cadete com 9 ou 10 anos precisa de faltar a um treino para estudar para um teste, algo está mal”, salientou.
“No secundário já é diferente. Tens que estudar, tens que estar sempre lá. A mim, calhou-me o 11.º ano num ano de qualificação para os Jogos Olímpicos de Rio 2016. Esse foi de longe o ano que me custou mais, porque a carga escolar é muita. Além disso, estava a treinar duas horas de manhã e três horas à tarde, a faltar meses para estar em Sierra Nevada em estágios. Mas não se pode deixar os estudos à parte”, acrescentou.

“Era muito gozada na natação e escola, pela ascendência “

Bullying entre atletas foi outro tema da conversa. “Senti, as crianças não têm muita noção dos sentimentos”, recordou, adiantando que “eu era muito gozada na natação e na escola, pela minha ascendência ucraniana e eu também tinha uma personalidade complicada”. “As pessoas que mais gozavam comigo e as que me chateavam mais são as pessoas de quem eu agora tenho mais saudades. Em geral eram rapazes, porque era com eles que e treinava. O grupo desfez-se e foi complicado para mim”, admite. A primeira competição foi em Ponte de Lima.
“Recebi a primeira medalha de participação, davam a todos. É uma medalha simples, mas quando eu olho para ela sei que é a primeira medalha”, destacou ainda.

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