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Braga, quarta-feira

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Alexandra Vieira: “Temos vindo a conquistar um espaço de credibilidade”
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Alexandra Vieira: “Temos vindo a conquistar um espaço de credibilidade”

Professor da UMinho no Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais

Alexandra Vieira: “Temos vindo a conquistar  um espaço de credibilidade”

Entrevistas

2021-09-08 às 06h00

Rui Alberto Sequeira Rui Alberto Sequeira

Alexandra Vieira é a cabeça-de-lista do Bloco de Esquerda às eleições autárquicas de 2021 à Câmara de Braga. Considera que nos últimos anos têm vindo a desempenhar “com credibilidade e respeitabilidade” um papel de oposição, facto mesmo que permitiu a aprovação na Assembleia Municipal de medidas que representam soluções para a comunidade.

P - O Bloco de Esquerda tem tentado alcançar um lugar na vereação. Quais são os objectivos para esta eleição?
R - O Bloco de Esquerda tem vindo a fazer um caminho no que diz respeito à sua representação em termos de município e temos vindo a crescer. É evidente que queremos melhorar e que queremos eleger para a vereação. Este é um trabalho que resulta também daquilo que fizemos durante os últimos quatro anos, onde assumimos um papel de oposição que foi conquistando o seu espaço de credebilidade e respeitabilidade. Para além disso, conseguimos dar voz a todas as pessoas que nos procuraram e apresentar algumas soluções.

Quer elencar essas soluções?
Conseguimos fazer aprovar na Assembleia Municipal uma alteração ao regulamento de apoio ao arrendamento (RADA, da Bragahabit), que tem tabelas desactualizadas da realidade. A proposta foi aprovada por unanimidade, embora as tabelas continuam por actualizar e temos isso a lamentar.
Outra das medidas que temos procurado implementar é a isenção automática da tarifa da água e que já está previsto na lei. Já acontece para a electricidade, mas, até ao momento a Câmara Municipal não mostrou abertura para tal. Caso isso aconteça vai ser possível devolver rendimento às famílias,

A Câmara de Braga trabalhou bem nos tempos de pandemia?
Na nossa perspectiva podia ter feito muito melhor, para não dizer que não teve grande acção. Mas vamos analisar por partes.

No que diz respeito à pandemia propriamente dita e, uma vez que tudo era novidade, esteve bem. Contudo, as acções foram muito centradas no sector privado. No que respeita aos apoios sociais e à resposta de as pessoas estarem confinadas e terem mesmo perdido os seus empregos não vislumbramos por parte da autarquia nenhuma sensibilidade. Pelo contrário, a resposta que era dada aos deputados do Bloco de Esquerda quando interrogaram directamente o presidente da autarquia é que a Câmara não tem essa função. O?que não é verdade, porque, de acordo com a lei, uma das funções da Câmara é o apoio social.

Contudo na água e nos transportes públicos houve isenção de tarifas?
É verdade e isso permitiu assegurar algum rendimento às famílias, mas por exemplo, no âmbito do Programa de Apoio à Redução Tarifária, a capacidade reinvidicativa de Ricardo Rio, até como presidente da CIM Cávado, deixou muito a desejar. A?CIM como autoridade máxima para os transportes limitou- -se a distribuir o bolo financeiro que foi atribuído.

Dentro dessa temática, como analisa a proposta da gratuitidade?
É possível diligênciar no sentido de atingir esse objectivo e de várias formas. Em primeiro tem que ser uma opção política, ou seja, é preciso que o orçamento municipal contemple uma verba para financiar as deslocações. Uma parte do IMI também pode ser dedicado à gratuitidade dos transportes. O próprio Ministério da Educação também financia a autarquia com os transportes escolares e, depois, ainda há a receita dos estacionamentos à superfície. A nossa proposta aponta também para que sejam gratuitos para quem reside em Braga. Se houver vontade política não é difícil de implementar”.

E o que é que isso representa?
É muito importante. Por um lado, devolvemos rendimentos às famílias e, por outro, devido às questões ambientais. Contudo os transportes também têm que ser melhorados.

Há necessidade de implementar uma nova mentabilidade ao nível da mobilidade?
Vivemos numa cidade que tem elevados índices de poluição do ar e sonoros e isso reflecte-se na qualidade de vida das pessoas. A sinistralidade é outro dos problemas, porque há décadas que se valoriza a circulação automóvel. As estradas são cada vez menos seguras para os meios suaves. É muito difícil andar a pé e de bicicleta em Braga.

Quais são as propostas do Bloco de Esquerda nesse sentido?
Queremos criar corredores para os transportes colectivos, que em Braga são praticamente inexistentes. Queremos expandir a rede de ciclovias para 76 quilómetros, que era a proposta de Ricardo Rio há oito anos.

As recentes ligações em rede, como analisa?
São absolutamente necessárias, mas pecam por ser tardias e aparecem à porta das eleições autárquicas. Pecam por não estarem integradas num plano de criação efectiva de uma rede de ciclovias, que não é simplesmente pintar riscos no chão. Pode ser numa fase de teste, mas tem que ser efectivamente uma via dedicada para a ciclovia.

Considera que o crescimento populacional apanhou toda a gente de surpresa?
Este crescimento foi progressivo. Houve uma altura que as famílias que não são portuguesas quase que ‘invadiram’ Braga. O?que é certo é que o executivo municipal tardou em reagir a esta procura por parte de famílias que queriam viver em Braga. A grande crítica que fazemos a este executivo é que relativamen- te a questões do agora, Ricardo Rio só apresenta soluções presas ao passado.

A Fábrica Confiança foi uma das vossas bandeiras de luta.
Consideramos que a proposta da residência universitária é um erro trágico. A cidade tem pouca oferta de equipamentos culturais de grande envergadura como é o caso da Fábrica Confiança e desde a primeira hora defendemos que seja um equipamento direccionado para essa área e para o qual já há um conjunto de propostas. A Fábrica dispõe de um logradouro onde se podia respirar naquela floresta de betão. Além disso, por razões urbanísticas e de modalidade é preciso evitar um erro trágico. O que será viverem 650 ou 700 pessoas numa freguesia que já é densamente povoada. São mais automóveis, mais pessoas a circular, é preciso associar ainda outro tipo de equipamentos numa zona que está sobrelotada. O problema urbanístico de São Victor ficará ainda mais agravado. Na nossa mente, e como fez Ricardo Rio em 2019 por proposta do Governo, é que os sítios ideais das residências universitárias são pelo menos dois. Estão identificados e Ricardo Rio concordou com eles.

Que são?
A antiga escola secundária D. Luís de Castro e o antigo Centro de Recrutamento militar, que fica na rua Bernardo Sequeira. Mas por certo existem mais edifícios públicos que podem ser transformados em residências universitárias. Além disso, não devemos concentrar muitos estudantes num único espaço, porque isso tem muitos impactos. Nós sabemos o que acontece na chamada rua dos bares da Universidade do Minho.

Deram-se passos positivos na cultura em Braga?
Deram-se passos, mas deviam ter sido mais largos e com mais visão. É preciso desde logo ter uma estratégia para a cultura que não seja a de construir um projecto de candidatura a Capital Europeia da Cultura.

Mas esse projecto vai para além de 2027. Vai até 2030.
Concordamos que a cidade se mobilize para ser Capital Europeia da Cultura, mas achamos que há todo um trabalho anterior que nunca aconteceu e tememos, da forma como as coisas estão a acontecer, que não fique lastro, como deixou em outras cidades e até bem perto de Braga. A forma como está a ser construída não está a implicar as várias colectividades, os vários artistas e as pessoas que se dedicam em Braga e que continuam a não ter visibilidade.

Ainda no âmbito da cultura Braga está incluída na rede de media arts e o espaço do São Geraldo é o local ideal?
O contrato do São Geraldo foi feito há dois anos. A renda milionária de doze mil euros está a ser paga todos os meses e que até ao momento não se conhece nenhuma obra de reabilitação do São Geraldo. Achamos que devia manter-se na esfera pública, mas não concordamos com a solução do arrendamento, que tem muitas alíneas...

Tais como?
Ao fim de nove anos a arquidiocese pode decidir se aliena o edifício ao município e qual o montante das rendas que vai contar para essa alienação. A Câmara se quiser vai ter que gastar muito dinheiro e todas as obras de reabilitação são a cargo do município, ou seja, está-se a investir num edifício que não é da Câmara. Não é racional...

O que aconteceu com a Pousada da Juventude foi algo parecido?
A Câmara quando os espaços não são dela decide reabilitar, como é o caso da Pousada da Juventude. Já na Fábrica Confiança, que é da Cãmara, não quer reabilitar. Temos um presidente de Câmara que privilegia as actividades económicas e apenas de uma determinada forma...


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