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André Vieira de Castro: “Este ano há um risco matricial, que é o risco geopolítico”
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André Vieira de Castro: “Este ano há um risco matricial, que é o risco geopolítico”

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André Vieira de Castro: “Este ano há um risco matricial, que é o risco geopolítico”

Entrevistas

2024-02-26 às 10h14

Joana Russo Belo Joana Russo Belo

André Vieira de Castro, empresário famalicense, foi o convidado do Programa ‘Da Europa para o Minho’, da Rádio Antena Minho. Numa conversa onde se falou de empreendedorismo e gestão, foi feita uma análise económica ao país e à Europa.

Citação

“Este ano há um risco matricial, que é o risco geopolítico”. O alerta foi deixado pelo empresário André Vieira de Castro, no Programa ‘Da Europa para o Minho’, da Rádio Antena Minho, conduzido por Paulo Monteiro e o eurodeputado José Manuel Fernandes, em que foram abordados temas como empreendedorismo, inovação, economia e as eleições, já que serão 70 actos eleitorais em todo o mundo, três em Portugal.
“Acho que, este ano, há um risco matricial, mãe de todos os outros, que é o risco geopolítico. Tudo o que acontece a seguir são derivadas desta função. Repare-se que nós temos sete dos dez países mais populosos do mundo com eleições”, analisou o gestor famalicense, em consonância com a ideia defendida por José Manuel Fernandes, de que “as eleições mais importantes que temos este ano são, em Novembro, as americanas”.
“Contará muito mais para o totobola daquilo que é o nosso futuro enquanto nação, porque, de facto, particularmente este ano, é um momento da história marcado por este contexto geopolítico, os contextos de guerra que temos na Europa, na invasão da Ucrânia, Israel com Hamas, o Iémen, neste momento, a bombardear e, se isto envolve o Irão, podemos ter ali, de facto, um conflito de uma escala gigante”, alertou André Vieira de Castro, lembrando ainda a situação de Taiwan, com uma possível invasão da China, à qual a União Europeia devia já estar a reagir.

“Taiwan é responsável pela produção de uma percentagem elevada de microchips, estamos a falar de um país que, sendo pequeno, representa para aí 80% da produção de chips mundiais, é, absolutamente, expressivo e causaria o caos. Causaria, por exemplo, desde logo, a paragem de toda a indústria automóvel no mundo”, referiu, apontando ainda os actuais riscos de 2024 na procura, “por força da inflação, das taxas de juros, riscos muito fortes na cadeia de valor, também por estes riscos geopolíticos”.
Outro dos alertas deixados por André Vieira de Castro - pós-graduado em gestão e fraude pela Universidade do Porto - tem a ver com a cibersegurança fruto da inteligência artifical. “Hoje quase todos nós utilizamos sistemas de identificação biométricos nos nossos telemóveis, a inteligência artificial replica-nos num estalar de dedos. O que significa que a nossa tecnologia que utilizamos nos passaportes para nos identificarmos, para reconhecermos documentos online, vai ter que ser reinventada. Porque a inteligência artificial, quando entrar no cibercrime, pode virar o mundo ao contrário. Todos nós corremos um fortíssimo risco de sermos vítimas de qualquer ataque”, sublinhou.

Apesar dos riscos, o gestor defende que a “tecnologia, a inovação e o conhecimento trarão coisas, absolutamente, fantásticas para a humanidade como trouxeram para trás”.
Olhando à economia portuguesa, o empresário diz que prefere “analisá-la não do ponto de vista do cidadão, não do ponto de vista do Estado, mas pelo ponto de vista das empresas”. “Como é que eu olho para a economia portuguesa? É como é que eu olho para a capacidade das empresas portuguesas permitirem que o PIB cresça e que o nosso drama da produtividade se resolva. O Ferraz da Costa dizia que o principal problema de Portugal é ter 10 milhões de falidos. Vejo a economia assimétrica, no sentido em que nós temos empresas e sectores, umas que explorando produtos endógenos ou características endógenas olharam para o mundo e provaram ser perfeitamente capazes de ser muito competitivas. Os sapatos, vinho, cortiça, têxtil e o azeite são casos desses. Outros que são altamente competitivos, porque estão alinhados com cadeias de valor relevantes ao nível da escala global, no caso de equipamentos metalomecânicos, da cadeia automóvel e num sector que tenho visto com bastante prazer crescer em Portugal, que é a fileira aeroespacial”.

Apesar desta análise, André Vieira de Castro diz estar “numa fase de algum desconsolo”, tendo em conta os números do Plano de Recuperação e Resiliência, porque “achei que nem tudo foi feito”. “Há uma coisa que me faz aflição: não termos há muitos anos um plano estratégico enquanto país. Não sabemos o que queremos”, lamentou.
“Temos estratégias erróneas naquilo que é o apoio aos centros tecnológicos, às associações empresariais, a estrutura de ensino é a mesma há anos, discutimos a localização do novo aeroporto, mas expliquem-me por- quê que precisamos de um novo aeroporto? A pirâmide demográfica é assustadora, somos os mais velhos da Europa, não temos água a sul, temos um problema gravíssimo de coesão interior e vamos ter mais turistas para colocar onde e servidos por quem?”, rematou o empresário.

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