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Animais são ex-libris de romaria minhota
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Animais são ex-libris de romaria minhota

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Animais são ex-libris de romaria minhota

Cávado

2020-01-21 às 06h00

Marta Amaral Caldeira Marta Amaral Caldeira

A tradição voltou a cumprir-se, ontem, na Feira dos Vinte de Prado, com um concurso pecuário onde os melhores animais foram exibidos e onde vários criadores fizeram negócios. Ontem, dia maior desta ‘romaria’, arrastou milhares de pessoas à vila.

Foi uma verdadeira romaria minhota. Milhares de pessoas acorreram, ontem, à tradicional Feira dos Vinte ou das Trocas da vila de Prado, concelho de Vila Verde, uns para exibir ou fazer negócio com o gado, outros por mera curiosidade de viver um dia de festa e admirar, sobretudo, os animais.
As origens da Feira dos Vinte de Prado remontam ao reinado de D. Dinis, no séc. XIV, e, à época, este era o momento ideal para a troca e venda de gado cavalar e bovino e não só. Os animais serviam como ‘moeda de troca’ e, ainda, hoje continuam a ser o ex-libris de um certame, que a Junta de Freguesia de Prado tem vindo a potenciar, com um programa festivo mais atractivo e cheio de novidades.

Desde criança que Joaquim Ribeiro, 87 anos, trata de gado bovino. Tem uma exploração de 30 cabeças em Loureira, à qual se dedica ‘de corpo e alma’ e é com júbilo que faz sempre questão de vir à Feira dos Vinte exibir o gado que cria. “Esta feira é uma tradição muito antiga e fico contente por ela se manter até aos dias de hoje. É um orgulho ver tanta gente curiosa para admirar os nossos animais”, disse o produtor de gado, indicando que um animal é apreciado “pela qualidade e pela beleza” e uma boa cabeça vale, no mínimo, desde que bem criada, três mil euros ou mais. “Ainda se vai fazendo negócio, há três semanas vendi duas cabeças para a Espanha”, disse. “Hoje é só para exibição”.

Com a sua querida ‘Joana’ pela rédea, a criadora Isilda Lopes, da Laje, segura na vaca minhota à qual deu de biberão por esta ter perdido a mãe praticamente à nascença. “A gente apega-se aos animais e é muito bom podermos trazê-los para estas feiras porque eles, além do nosso ganha-pão, são também o nosso orgulho”, afirmou, assegurando que lá em casa, tanto ela como os irmãos, dão uma ajuda na exploração pecuária da família. “Os animais são a nossa vida”.

“Penso que é muito importante darmos continuidade a estas tradições como a Feira dos Vinte de Prado, embora considere que haja demasiada burocracia exigida, apenas, para exibir um animal”, apontou a criadora.
De Negrelos, Santo Tirso, António Torres e o filho trouxeram cabeças de boi barrosão castrado para participar no concurso pecuário porque os prémios são aliciantes. “Trouxemos duas juntas de bois e corremos várias feiras na região Norte para mostrar a todos o nosso gado, mas é simplesmente por desporto”.

“A Feira dos Vinte é a maior festa da vila de Prado”

“Estamos a conseguir recuperar esta Feira dos Vinte de Prado, tornando-a mais atractiva para cativar mais gente”. Albano Bastos, presidente da Junta de Freguesia de Prado, mostra-se satisfeito pelos milhares de pessoas que nos últimos três dias cumpriram a tradição de rumar ao certame, vivendo o que consideram ser uma romaria minhota por excelência, onde os ‘comes e bebes’, as concertinas dão ânimo a cada esquina e onde os animais são os grandes protagonistas da festa.

Uns de mais longe e outros de mais perto, os ‘romeiros’ que ontem visitaram a vila de Prado dizem ter gostado da Feira dos Vinte. “Vim de Monção, com o meu pai, mais uma vez, e vale sempre a pena ver estes animais de perto”, disse Luís Gonçalves. Também as jovens irmãs Joana e Leonor fazem questão de cumprir a tradição familiar, fazendo gazeta aos compromissos só para ir à Feira dos Vinte de Prado.“Moramos em Braga, mas os nossos pais têm raízes aqui em Prado e nós vimos cá desde pequenas. Adoramos ver os animais”, disseram.

Pela primeira vez, os animais presentes na Feira dos Vinte de Prado foram, ontem, benzidos com água benta pela mão do padre João Alberto Correia, com a escolta da Confraria Gastronómica das Provas da Feira dos Vinte. Mais uma novidade, entre outras, como a aposta na animação musical e actividades diferenciadas como o espectáculo equestre, que foram uma aposta para tornar o cartaz do evento ainda mais atractivo. “A Feira dos Vinte é a maior festa da vila de Prado e que nós fazemos questão de preservar porque estas são as nossas raízes, a nossa tradição, a nossa identidade”, frisou o autarca. “Estamos muito felizes com tanto povo que acorreu à feira e a compra e venda de animais também esteve bastante concorrida, o que nos mostra que esta feira faz todo o sentido e tudo faremos para continuar a perpetuar esta tradição”, garantiu, indicando que a vila de Prado é cada vez mais urbana e que as quintas estão a desaparecer.

“A pecuária está a decair porque não há animais de trabalho e o leite também não compensa, mas é por haver cada vez menos animais para venda que temos implementado algumas actividades paralelas à feira para que os mais velhos recordem tempos antigos e os mais novos conheçam as realidades de outros tempos. O objectivo é que a Feira dos Vinte não desapareça”.

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