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António Salvador: “Acredito que o melhor está para vir”

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António Salvador: “Acredito que o melhor está para vir”

Desporto

2021-01-19 às 10h00

Joana Russo Belo Joana Russo Belo

António Salvador é o rosto da ambição deste SC Braga centenário. Um clube em crescendo, sobretudo, na última década e de dimensão europeia. Presidente há 18 anos, aponta como meta o sonho da conquista do título nacional da I Liga e destaca projecto da Cidade Desportiva. Vai recandidatar-se e acredita que o futuro será ainda melhor.

Correio do Minho: Colocar o SC Braga entre os melhores é o grande objectivo desde que assumiu a presidência, em 2003. Sente-se um presidente realizado?
António Salvador: Esse foi um dos claros objectivos desde a primeira hora em que cheguei a este clube. Vai fazer 18 anos no próximo mês que estou cá. Todos sabemos em que ponto estava o SC Braga e aquilo que tem sido feito ao longo destes 18 anos. Numa primeira fase, definimos que queríamos estabilizar o clube desportiva e financeiramente, algo que tinha sido intermitente na década anterior à nossa chegada. Esse foi um trabalho que seguimos e que fizemos. Outro caminho que queríamos fazer era o de subir de patamar, estar sempre nos primeiros lugares e ser uma equipa que estivesse sempre nas competições europeias. Também conseguimos esse objectivo. O SC Braga é hoje um clube europeu. Nos últimos 15 ou 17 anos, isso tem sido uma constante. Costumo dizer que difícil não é ir uma vez às competições europeias, o difícil é estar permanentemente lá e estarmos sempre na luta pelos primeiros quatro lugares. Isso é que é difícil manter. Depois de estarmos estabilizados, na última década, conseguimos algo por que o SC Braga sempre lutou: ter uma Cidade Desportiva. Há três anos inaugurámos uma primeira fase, agora estamos a avançar para uma segunda fase e contamos tê-la pronta no final deste ano.
CM: O projecto da Cidade Desportiva é a jóia da sua coroa. Permitirá, definitivamente, afirmar o SC Braga?
AS: Primeiro, é um projecto que vai aproximar o clube dos nossos sócios e adeptos, muito mais do que aquilo que, efectivamente, tem acontecido até hoje. O SC Braga é uma instituição que tem nome e património, que são os seus sócios, mas não tinha nada físico, um lugar onde as pessoas pudessem estar e trabalhar. Lutámos muito por isso e temos uma primeira fase que hoje, ao fim de três anos, tem dado muitos frutos e, com esta segunda fase, onde vamos concentrar tudo aquilo que são as modalidades do clube, toda a parte do futebol e toda a parte adminis- trativa e de atendimento aos associados, levará a que haja uma concentração dos nossos sócios mais efectiva com o clube.  
CM: Depois do impasse nas obras, como está o processo desta segunda fase?
AS: O impasse foi normal. Nas negociações, a Câmara Municipal defendeu os seus interesses, nós defendemos os interesses do clube, mas acabámos por chegar a um acordo. Foi pena haver esse impasse, porque um dos nossos objectivos era ter a Cidade Desportiva pronta agora no centenário. Não foi possível em função desses dois anos de impasse, mas, neste momento, está ultrapassado, avançámos com as obras em Julho, numa altura muito difícil que todos estamos a atravessar devido à pandemia. Felizmente, o SC Braga estava preparado para avançar com as obras e contamos que estejam concluídas no final deste ano ou no início do próximo ano.  
CM: Que vantagens trouxe ao clube a Academia e o usufruto da primeira fase da Cidade Desportiva? 
AS: Digo sempre que nós, em Portugal, temos cada vez mais de apostar na formação. Não temos condições de competir com aqueles que são os cinco ou seis campeonatos principais na Europa. Há uma diferença muito grande do ponto de vista financeiro e, portanto, o futuro é a aposta na formação. Nós temos feito isso muito bem. Infelizmente, não tínhamos grandes condições para o fazer antes da Cidade Desportiva. O resultado destes três anos tem estado à vista de todos, temos tido muitos mais jovens, com qualidade, nas selecções nacionais. As vendas do Trincão e do Pedro Neto, por exemplo, para clubes de topo, são uma das imagens de marca deste SC Braga. Hoje, na equipa principal, temos outros jogadores na calha, o Moura e o David Carmo, que foram campeões europeus, juntamente com o Trincão. Temos outros jogadores que estão a emergir e o futuro é criar jogadores na nossa Academia e que grande parte da nossa equipa principal possa ser constituída por jogadores oriundos da nossa formação.  

“SC Braga terá de fazer todos os anos cerca
de 15 milhões de euros de receitas adicionais”

CM: O Trincão foi vendido ao FC Barcelona por 31 milhões de euros. Acha que será possível superar esta fasquia com outros atletas formados no clube?
AS: Não dou muito relevo a isso. Considero que foi um negócio bom para todas as partes. Neste momento, com toda esta indefinição pandémica, o mercado de transferências está complicado. Não só no futebol, mas em todas as actividades. Não se sabe o que se vai passar, por isso, obviamente que, tanto neste como no próximo mercado, não acredito que haja grandes volumes de transferências. Tirando quatro ou cinco clubes de topo que, esses sim, terão muito dinheiro para investir em jogadores de grande dimensão, para os restantes penso que serão mercados muito complicados.
CM: David Carmo é um dos 7/8 jogadores que saíram da formação para integrar o plantel principal…Há mais talentos que podem ser outros ‘Trincões’?
AS: Temos no nosso plantel, por exemplo, o Rodrigo Gomes. Temos o Bruno Rodrigues que já se estreou no Bessa e tem trabalhado connosco e há jogadores que estão também na calha para poderem subir, no futuro, ao plantel principal. No ano passado, quando as competições da formação foram suspensas, o SC Braga era a única equipa, em Portugal, que não tinha uma única derrota no escalão de juniores. Hoje, mesmo neste contexto, a equipa B lidera o seu campeonato e, mesmo sendo uma das equipas mais jovens, é a única que não tem derrotas. Os sub-23, também com uma das equipas mais jovens, já passaram à fase final. Isso diz bem da qualidade dos nossos jovens.  
CM: Assume o SC Braga como um clube vendedor. É, também, desta forma que consegue encurtar distâncias para os denominados três grandes?  
AS: O SC Braga, como todos os clubes portugueses, terá de ser vendedor. As receitas que temos permanentemente contratualizadas são insuficientes para termos um orçamento para implementar a dinâmica que queremos e sermos o clube que somos. Portanto, tanto FC Porto, Benfica e Sporting todos os anos têm de vender activos para poderem equilibrar as contas. O SC Braga não foge a essa regra e terá que fazer todos os anos cerca de 12,5 a 15 milhões de euros de receitas adicionais para poder estar no patamar que está, para cumprir com as suas obrigações, para construir o património que está a construir e para continuar a ter equipas equilibradas e competentes para lutar pelos primeiros lugares.  
CM: A SAD do SC Braga apresentou, recentemente, um resultado líquido superior a 22 milhões de euros, naquele que foi o melhor ano desde a criação da sociedade. Números que o deixam, certamente, satisfeito?  
AS: Obviamente que é bom e foi muito importante, porque nos deu uma almofada para o momento de crise que estamos a atravessar. O SC Braga, só em termos de prejuízos directos por este confinamento, por não haver público no estádio, por tudo o que envolve esta pandemia, terá este ano perdas de receitas à volta dos quatro milhões de euros. Por isso, esse acumular de vendas nos últimos anos levou- -nos a duas coisas: primeiro, temos uma almofada preparada de modo a que façamos esta época de forma tranquila, sem problemas económicos; e também levou a que, no Verão passado, não vendêssemos, pela primeira vez, nenhum activo do clube. Privilegiámos a manutenção de jogadores-chave no plantel, mas teremos de vender, forçosamente, no final da época, caso contrário isso vai trazer-nos problemas na época seguinte. Temos de estar preparados e o SC Braga tem um projecto que o obriga a projectar um jogador, no máximo, a cada três, quatro anos. Depois, terá de o vender. Hoje, da maneira que o mercado está alterado em termos económicos, o SC Braga, ao contratar um jogador para quatro ou cinco anos, no máximo ao fim de três anos ou o vende ou então terá de renovar com ele, mas aí já terá de lidar com valor salariais que não poderá suportar. Por isso, ou os vende ou arrisca-se a vê-los sair a custo zero, perdendo dessa forma o valor investido no seu activo.  

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