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As Ordens Religiosas e a sua importância na Gastronomia Minhota
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As Ordens Religiosas e a sua importância na Gastronomia Minhota

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As Ordens Religiosas e a sua importância na Gastronomia Minhota

Economia

2021-09-19 às 06h00

Redacção Redacção

Um dos elementos mais marcantes da paisagem cultural do Entre Douro e Minho – além de um verde dominante, dos montes, das encostas onde se encontram solares e casas senhoriais – é, sem sombra de dúvidas, a marca do Património Cultural de matriz religiosa plasmado na construção de Igrejas, Mosteiros e outras estruturas culturais que marcam o pulsar das comunidades minhotas, estruturadas por um domínio bimilenar da Arquidiocese de Braga enquanto administradora espiritual e temporal de um conjunto alargado de comunidades ao longo do território dos atuais distritos de Braga e Viana do Castelo.

Um dos elementos mais marcantes da paisagem cultural do Entre Douro e Minho – além de um verde dominante, dos montes, das encostas onde se encontram solares e casas senhoriais – é, sem sombra de dúvidas, a marca do Património Cultural de matriz religiosa plasmado na construção de Igrejas, Mosteiros e outras estruturas culturais que marcam o pulsar das comunidades minhotas, estruturadas por um domínio bimilenar da Arquidiocese de Braga enquanto administradora espiritual e temporal de um conjunto alargado de comunidades ao longo do território dos atuais distritos de Braga e Viana do Castelo.
Os Mosteiros e Ordens Religiosas começaram a instalar-se no nosso território pouco tempo depois da sedimentação dos estados suevo e visigótico que se tornaram “herdeiros” da Cristandade Latina consubstanciada pela conversão de Roma. A figura de São Martinho de Dume corresponde, ao tempo, a uma primeira marca reformista, claramente identificada na obra “De Correctione Rusticorum” (Da correção dos rústicos) em que procura “educar” os povos num conjunto de hábitos que, enraizados na ligação com a natureza e a herança pagã, careciam de “disciplina”.

Entre estes estavam, claro, o comer e o beber. Não admira por isso que quando a Ordem Beneditina se começa a instalar no território minhoto, na transição da Alta para a Baixa Idade Média – e depois de “refundir” séculos de monaquismo peninsular com as figuras de São Frutuoso e São Rosendo – seja essencial fomentar, primeiramente, os recursos da terra que garantiam o sustento e regular funcionamento das comunidades monásticas e das que, mais próximas, lhes prestavam apoio e asseguravam a afirmação da “res publica christiana” no Ocidente Medieval Europeu.
Graças às granjas monásticas e às terras cultivadas no interior e exterior das cercas limitadas por muros, mas também pelos preceitos da regra beneditina, desenvolveram-se, notavelmente, hortas e pomares, vinhas e culturas aromáticas, em perfeito equilíbrio com a natureza e numa economia plenamente sustentável em que o desiderato a cumprir era a autarcia, a supressão das necessidades fundamenais e, claro, a evangelização e enquadramento cultural dos milhares de colonos que, de norte a sul, da fronteira do Rio Minho até ao curso do Ave e mesmo para lá deste, procuravam trabalho, proteção, mas também fazer parte de um projeto maior.

O mesmo se diga da Ordem Agostinha, sendo de recordar aqui os magníficos azulejos joaninos que, na cozinha do Convento de Refóios do Lima, nos lembram alguns dos produtos mais relevantes da dieta dos séculos de Antigo Regime: o porco, omnipresente nas casas minhotas, era um verdadeiro “repositório” de usos diversos, assim como o peixe, abundante nos rios e no mar ou em pesqueiras, onde também se apanhava a lampreia, que surge nos principais receituários desde a época medieval.
Os monges foram também essenciais na qualificação do vinho verde, como assinalamos na nossa dissertação de doutoramento.
E quanto à doçaria, foi aqui que se fez a alquímica relação do açúcar colonial com os ovos da criação monástica e a capacidade criativa de (re)criar formas e receituários.

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