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Bárbara Barros: “Mais eleitos da CDU significa melhor qualidade de vida”

Entrevistas

2021-09-09 às 10h00

Rui Miguel Graça Rui Miguel Graça

Bárbara Barros é o rosto principal da candidatura da CDU à Câmara Municipal de Braga. Aborda o legado dos vereadores Casais Baptista e Carlos Almeida, classificando-os de “um património notável”. Destaca que têm contribuído para melhorias na vida dos bracarenses e que a linha construída ao longo de vários anos é “para continuar”. Apresentam candidatos a todas as juntas de freguesia, numa simbiose entre experiência e novos rostos.

P - O maior desafio da CDU é manter o lugar na vereação ou conquistar mais um?
R - Não temos o objectivo de manter ou segurar-nos a nenhum lugar, o que queremos é ver o nosso resultado reforçado, porque entendemos que o contributo que temos dado, não só desde 2013, mas com uma expressão naturalmente maior desde que elegemos um lugar no executivo municipal, é de confiança junto dos bracarenses.
Mais eleitos da CDU que significado para Braga?
Mais eleitos da CDU significa melhor qualidade de vida para os bracarenses. As nossas propostas vão nesse sentido, a nossa acção vai nesse sentido. Temos feito a diferença na vida dos bracarenses. Mais força da nossa parte evita também, muitas das vezes, maiorias absolutas como aquela em que nos encontramos hoje. Sabemos que é uma diferença que pode ser feita na vida dos bracarenses e é esse repto também que deixamos

Como analisa o legado do vereador Carlos Almeida?
Nós carregamos uma herança. Porque somos um projecto que nasceu hoje. Temos um património de intervenção muitíssimo importante, inclusivamente em sede de executivo municipal com outros vereadores, como é o caso do vereador Casais Baptista e o espaço pedonal que temos hoje em Braga. É um trabalho contínuo e assumi este desafio com essa segurança. Naturalmente, o papel do nosso vereador Carlos Almeida foi diferenciador, que representou uma capacidade de conhecimento e intervenção notória. De alguma maneira também houve uma passagem de testemunho, mas temos trabalhado em conjunto, até porque também fui eleita em 2013 para a Assembleia Municipal.

A sua presença como vereadora desde Janeiro é uma mais-valia?
Em primeiro lugar foi uma necessidade devido às questões pessoais e profissionais do Carlos Almeida e, depois, acabou por ser uma renovação e já um caminho que se começou a fazer. A?minha proximidade já vinha da minha intervenção na Assembleia Municipal, mas considero que é uma mais-valia.

Apresentam candidatos a todas as freguesias do concelho.
Contamos com um equilíbrio muito interessante entre pessoas que são exemplos em várias freguesias e há também um rejuvenescimento. Em muitas delas apresentamos candidatos jovens, alguns deles pela primeira vez, muitos independentes que decidiram juntar-se a este projecto, abraçando um desafio que para eles será ainda maior. Mas, contamos, naturalmente, com aqueles que ao longo dos anos têm dado o rosto e a sua expressão às nossas candidaturas. Portanto, parece-me que estamos em condições de reforçar em toda a linha o nosso resultado eleitoral.

Como analisa estes oito anos de coligação ‘Juntos por Braga’?
Há diferenças entre o primeiro mandato e o segundo. Estamos a falar de dois mandatos diferentes, mas com um único projecto político. Muitas das promessas de 2013 só foram concretizadas no segundo mandato e algumas estão a ser apresentadas agora para os próximos quatro anos. Aconteceu aquilo que estavamos à espera que acontecesse, que alertamos que ia acontecer. Mesmo quando votamos contra o orçamento para 2021, fizemo-lo porque era eleitoralista. À semelhança do que esta maioria de direita fez quando era oposição em Braga, mas acabou por usar o mesmo esquema. A mesma forma de estar. A prioridade da mobilidade já tinha sido traçada antes, como a necessidade de resolver o nó de Infias e a ligação entre a Universidade e o centro da cidade. E agora voltaram a ser traçadas como prioridade. Haviam estudos desde 2013 de colocar túneis e semáforos e hoje vemos apenas uma repavimentação. O separador central foi ainda reforçado, vem reforçar ainda mais o aumento de velocidade daquela via. Foi apenas feita uma operação de cosmética que não conseguimos perceber. De resto, aguardamos ainda a requalificação da variante do Cávado.

E sobre as zonas 30?
As zonas 30 são um fracasso e não cumprem o objectivo proposto. São muito importantes na mudança de paradigma, de dar primazia ao pé e de novos modos, que incentivem o uso de modos suaves. Há regras que não foram cumpridas. Foi feito à revelia das negociações com a população, dos moradores e das associações. Estou a lembrar-me por exemplo da Praça do Bocage. As pretensões dos moradores não foram cumpridas. A intervenção foi feita com muitos erros, com erros que ainda persistem, erros de piso, de colocação de contentores de lixo, zonas que ficam entupidas. Para além disso, existe uma queixa universal que é a falta de lugares para estacionamento. Esta alteração não foi acompanhada de medidas de transporte público alternativo ou de meios suaves para que as pessoas possam deixar o seu automóvel. Lembro a nossa proposta que não foi aplicada, que é a criação de parques de estacionamento fora da cidade, que iria ajudar muito.

Como vê as transferências de competências na área da Educação para o município?
Somos absolutamente contra transferências que, desde logo, não sejam acompanhadas dos devidos envelopes financeiros para tornar possíveis essas res- ponsabilidades. Por outro lado, em serviços que necessitam garantir a universalidade, como são os casos da saúde e a educação, não podem ficar à descrição de municípios com mais poder ou menos para investir. O que vai acontecer é que vão ser criadas desigualdades profundas. A Escola Frei Caetano Brandão é um dos exemplos de falhas tanto municipal como da administração central. Da parte do governo estamos a aguardar uma requalificação que já foi aprovada e nem sequer há uma justificação. O município já tem responsabilidades do ponto de vista da manutenção da escola e não as tem aplicado.?A resposta que dá é que com a retirada do amianto que esgotou o plafon para a educação.

A Educação está pior em Braga?
Está. Não soube resolver os problemas que herdou e que já são antigos. Perpetuou, por exemplo, um serviço discricionário de refeições escolares. Há muito que defendemos um serviço que deve garantir uma resposta universal e de qualidade a todas as escolas. As transferências são para as juntas de freguesia, que por vezes são transferidas para as associações de pais, muitas vezes são feitas por serviços de catering e restaurantes que nem sequer estão preparados para fazer um plano nutricional. Nestes mandatos esta maioria conseguiu ainda mais um problema para a educação, que foi concessionar as AECS. Alguns nem são professores e há uma enorme precaridade.

E o que precisamos?
É necessário rever e de garantir que a educação continua a ser um serviço universal. Sem lhes aumentar os encargos. Continuamos com muita falta de assistentes operacionais. A bolsa criada já esgotou. Não me parece que o próximo ano lectivo será diferente de outros anos lectivos.


A resposta à pandemia foi positiva?
Consideramos que todas as respostas, de alguma maneira podiam ter sido mais atempadas, mas também dificilmente o seriam. Houve, na generalidade, uma resposta positiva, mas houve alguns atrasos que foram assinalados por nós. Houve uma injustiça tremenda do ponto de vista do tratamento dos trabalhadores da autarquia, que lhes foi cortado o subsídio de alimentação ainda que estes estivessem em regime de disponibilidade. Não foi por opção que estiveram em casa. Fragilizou estes trabalhadores face à pandemia. Valorizar os trabalhadores é essencial para garantir qualidade de vida e temos que começar pelos trabalhadores municipais. Muitos deles ainda estão à espera do pagamento de horas extraordinárias.

A remunicipalização da Agere é uma das vossas bandeiras.
Todos concordam este ano, mas a verdade é que a CDU foi a única que rejeitou a privatização da empresa. Os que hoje dizem que é necessária foram aqueles que a tomaram o caminho inverso. A?CDU foi a única que desde 2008 apresentou iniciativas e propostas que foram chumbadas pela maioria e pelo PS.

Mas há condições?
Há condições. Obviamente tem que existir um investimento. Tive oportunidade de o dizer na reunião de câmara que o assunto foi abordado. Se essa decisão tivesse acontecido em 2013 podíamos ter alocado, em cada ano, parte dos lucros da empresa para um investimento prioritário. Os lucros têm servido para serem distribuídos como dividendos, quando poderiam já estar a servir para a remunicipalização.

Fábrica Confiança?
Tornou-se uma empreitada por falta de investimento e opção. Na altura nem PS nem PSD queriam fazê-lo, mas fizeram-no por valores escandalosos. Mas desde 2013 ninguém foi capaz de intervir na Fábrica Confiança. No meio deste processo de abandono, a maioria resolver alienar. Hoje o processo apresentado pela Universidade do Minho prova que as opções não estavam esgotadas. Manter na esfera pública é uma vitória e que queremos manter.

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