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Bruno Maia (BE): Ajudar a construir uma maioria para governar à esquerda
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Bruno Maia (BE): Ajudar a construir uma maioria para governar à esquerda

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Bruno Maia (BE): Ajudar a construir uma maioria para governar à esquerda

Entrevistas

2024-02-19 às 06h00

Joana Russo Belo Joana Russo Belo

Entrevistas aos cabeças-de-lista dos partidos com assento parlamentar na antecâmara das eleições de 10 de Março prossegue com o Bloco de Esquerda. Bruno Maia é o número um pelo círculo de Braga e dá a conhecer as prioridades do partido no distrito. Para além da meta de eleição de um deputado, partido pretende ajudar a construir uma maioria para governar à esquerda.

Citação

É um discurso muito claro e objectivo: “queremos ajudar a construir uma maioria de esquerda para um Governo que possa governar à esquerda, a partir de negociações com a esquerda”. O Bloco de Esquerda assume de forma clara a meta para as próximas eleições de 10 de Março, com o cabeça-de-lista pelo círculo eleitoral de Braga a assumir a ambição de eleição de um deputado, por forma a que a esquerda possa ter representatividade na Assembleia da República.
“Nestes dois últimos anos de maioria absoluta do PS, o nosso distrito não teve esquerda, o Bloco não elegeu, o PCP não elegeu, o PAN também não, à esquerda só havia PS e o que dizemos no distrito é que precisamos de eleger, pelo menos, um deputado à esquerda para fazer essa representação. Se houver uma maioria de esquerda e um Governo a partir de uma negociação à esquerda, é essencial que Braga tenha um deputado eleito à esquerda e achamos que, neste momento, somos a melhor força política posicionada para fazer essa eleição. Mas gostava que houvesse mais deputados à esquerda, não só do meu partido, porque isso é força negocial”, revelou o candidato, médico neurologista de 41 anos, natural de Gondomar.

Apontando a direita como principal adversário nesta corrida eleitoral e a extrema-direita como “inimigo populista, racista e xenófobo”, Bruno Maia lembra que o BE é “contra a privatização de serviços públicos essenciais, contra o corte das pensões, corte nos salários, fim dos subsídios, pela sustentabilidade da comunicação social, por exemplo, e tudo isso passa por ter uma política de solidariedade em que o Estado tem um papel importante”.
“A nossa relação com o PS foi sempre de conflito do ponto de vista das ideias e políticas e vai continuar a ser, mas muitas vezes é desse conflito que nascem as melhores soluções”, frisou, acrescentando que o “conflito faz parte da política e é desta dinâmica que se conseguem melhores soluções”.

“Mas o que sabemos hoje é que o PS em maioria absoluta não implementa estas soluções e não quer. Sabendo que não há maioria absoluta a partir destas eleições, a melhor solução para o país é que haja uma maioria à esquerda capaz de fazer estas negociações todas, para resolver as crises do país na habitação, saúde, salários e educação”, defendeu.
E prosseguiu. “Precisamos de força neste distrito, à esquerda, para negociar todas estas soluções concretas numa maioria parlamentar de esquerda. Com a força que os eleitores nos derem o que pretendemos é negociar soluções para a habitação, saúde, educação e salários”, referiu, considerando que, nos últimos dois anos, “tivemos um país de crises”.
“A maioria absoluta de PS foi um país de crises, fez mal ao país e estes últimos dois anos foram de caos em muitas matérias”.

Falta de oferta pública é uma raiz do problema da habitação

Uma das principais crises que Portugal enfrenta - na habitação - tem segundo Bruno Maia causas identificadas: “temos um mercado de habitação que foi sendo desregulado ao longo do tempo e uma oferta pública praticamente inexistente, na ordem dos 2%. Os países nórdicos têm mais de 40% e essa é uma das raízes do problema, a falta de oferta pública e a desregulação do mercado”, explicou.
A “procura pelo segmento de luxo” fez disparar o preço de todas as casas e, para o candidato por Braga, as soluções passam por “regular o mercado”. “Propomos tectos para as rendas e nas prestações que a Caixa Geral de Depósitos, banco público, se comporte como banco público e diminua as taxas de juro puxando os restantes bancos para baixo. É preciso intervir na prestação da casa, baixar o tecto das rendas e regular o mercado de outra forma, se a procura estrangeira está a estrangular os portugueses, há que regular essa procura. Vamos acabar com os vistos gold”, defendeu o cabeça-de-lista.
Para além da construção de 80 mil casas, num investimento de dois mil milhões de euros, a proposta do BE “é acabar com o regime de benefícios fiscais para os resistentes não habituais e proibir a venda de casa a estrangeiros não residentes”.

Solução é contratar mais profissionais de saúde

Candidato por Braga é médico neurologista, acompanhando de perto a realidade que se vive na saúde, em Portugal. “É um problema global, temos falta de profissionais no SNS e, por isso, são gastos trezentos milhões de euros em horas extras. Se olharmos para o aumento do Orçamento de Estado para a saúde, é positivo, mas o problema é como o dinheiro foi alocado. Estamos a gastar mais dinheiro em soluções precárias e de curto prazo e isso é que está a causar todos os problemas de sustentabilidade das urgências e listas de espera”, explicou.
O que o Bloco de Esquerda defende é que “é preciso inverter o caminho e com o mesmo dinheiro podemos investir em soluções a longo prazo de carreiras para os profissionais de saúde”. “Se o problema é recursos humanos, só resolvendo os recursos podemos resolver. O problema só se resolve se contratarmos mais profissionais”, defendeu. Considerando que também “não estamos a conseguir fixá-los no SNS, vemos milhões de horas extraordinárias e no sector privado há uma maior flexibilidade, até do ponto de vista dos horários”, Bruno Maia aponta como solução “o Governo sentar-se à mesa com os sindicatos” e com “seriedade e vontade efectiva negociar condições de carreira, de trabalho e acréscimos salariais”.

Exemplo de Cabeceiras devia ser replicado

No raio-x que Bruno Maia fez ao distrito em termos de mais-valias e lacunas na área da saúde, destaca-se o exemplo do SAP - Serviço de Atendimento Prolongado de Cabeceiras de Basto. “A grande mais-valia neste distrito é termos uma cobertura de população com médico de família acima dos 95%, há falhas pontuais, mas uma parte significativa da população tem acesso a médico de família. Depois há falhas, neste momento temos falta de especialistas no SNS e, em termos de infra-estruturas, o Hospital de Barcelos não está capaz de continuar a ser um hospital, não está adaptado aos cuidados de saúde que se prestam hoje e é necessário construir um novo hospital. Estivemos em Cabeceiras de Basto e destaco o atendimento permanente no Centro de Saúde, é uma vantagem, permite um atendimento em proximidade. Se alguém tiver um problema à meia-noite, pode ir lá e escusa de ir ao Hospital de Guimarães. Este exemplo deveria ser generalizado a todo o país nas regiões mais isoladas”.

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