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Captar escuteiros é o “grande desafio”

Braga

2020-07-26 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

A cumprir 77 anos, o Agrupamento N.º 208 - Ferreiros conta actualmente com 71 elementos. Para o chefe de agrupamento, Carlos Alberto Pereira o escutismo “faz cada vez mais falta”, porque os jovens “não têm perspectivas de futuro”.

A celebrar 77 anos, o Agrupamento n.º 208 - Ferreiros do Corpo Nacional de Escutas (CNE) “ainda tem futuro nesta terra”, defendeu o actual chefe de agrupamento. Carlos Alberto Pereira admitiu que o “grande desafio” agora é a captação de escuteiros nas periferias, acreditando que o futuro passa pela criação de agrupamentos inter-paroquiais.
A cumprir o segundo mandato, o chefe de agrupamento destacou que o escutismo faz tanta falta como quando foi fundado por Baden-Powell. “Se em 1907 se justificou o movimento, hoje pelas mesmas razões se justifica. Hoje a escola não os faz felizes, depois tiram cursos que não servem para nada e têm dificuldade em encontrar emprego e a sociedade familiar é desfeita, porque têm que procurar emprego em qualquer parte do mundo. Na prática os nossos jovens têm falta de perspectivas de futuro”, lamentou o dirigente, referindo ainda que “os jovens são cada vez menos autónomos e seguros e isso é preocupante”.

Por tudo isto, na opinião do chefe, o escutismo faz cada vez mais falta. “Hoje os grupos dos jovens são a televisão e a internet e fazem falta os valores da amizade, da inter-ajuda, do respeito, da delicadeza e da convivência, que são alguns dos valores-base do escutismo”.
Até o próprio “recrutamento tradicional” já perdeu efeito, daí a aposta agora passar pela captação das periferias, que é “o grande desafio”. “Desde este ano escutista, a nossa chefe da Alcateia (Lobitos - 6 aos 10 anos) também é catequista. A chefe aceitou o desafio e assim abrimos aqui um canal e temos também a felicidade de termos gente nos bairros, onde também fazemos pequenas actividades para ‘chamar’ as crianças e jovens”, contou Carlos Alberto Pereira, destacando a importância de manter os pais por perto, porque “são potenciais candidatos e colaboradores e é preciso motivar e dar confiança”.

Depois há a “preocupação” do agrupamento se inserir “cada vez mais” na Igreja. “A Igreja também precisa de recursos humanos e há dificuldades e fragilidades, por exemplo, agora com a situação da Covid-19 fomos nós que organizamos as equipas de acolhimento”, adiantou o chefe, defendendo que o agrupamento “está a cumprir a função de ser vanguarda do processo de evangelização da Igreja”. Carlos Alberto Pereira foi mais longe: “todos temos de encontrar estratégias e colaborar”.
Também no caso dos Caminheiros (18 aos 22 anos), o agrupamento aposta na tolerância e flexibilidade. “Temos de desenvolver estratégias, porque muitos vão estudar e trabalhar para fora e só assim os conseguimos manter no agrupamento”.

Pandemia apela ao “regresso à simplicidade”

Com a Covid-19 “tudo mudou e já ninguém é a mesma pessoa”, por isso, o chefe do agrupamento n.º 208 - Ferreiros assumiu a necessidade de adaptação. “Vamos ter que nos adaptar, dar mais responsabilidades aos miúdos”, referiu Carlos Alberto Pereira, admitindo que a Covid-19 veio “apelar ao regresso às origens, à simplicidade e à genuinidade, porque o simples é a essência e o desafio para todos”.
Também é aqui que entra a “pedagogia do exemplo”, porque tal como o fundador do escutismo dizia “não basta ser bom tem que se praticar o bem”.

Para o chefe de agrupamento, o Corpo Nacional de Escutas (CNE) “esteve bem” em todo o processo relacionado com a pandemia. “O CNE esteve muito bem, globalmente. Houve uma preocupação imediata e com rapidez impôs o confinamento, mesmo antes do Governo o anunciar”, aplaudiu Carlos Alberto Pereira, que também já foi chefe nacional do CNE.
Para o actual chefe de agrupamento n.º 208 - Ferreiros, o CNE continua “a cumprir a sua missão e a orientar”.
O certo é que “tão cedo” não haverá acampamentos, a base do escutismo. E aqui o chefe de agrupamento deixou um recado: “o escutismo hoje está muito aburguesado no que diz respeito a técnicas de campo, porque estamos mais acomodados à vida que temos em casa, mas o escutismo marcou precisamente esse desprendimento do comodismo que temos em casa para viver ao ar livre e ter novas experiências”.

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