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Carlos Matos: “se for campeão em 2011 será o título mais saboroso”

Desporto

2010-12-27 às 06h00

Paulo Machado Paulo Machado

O ABC está na corrida pelo título nacional de andebol. O capitão Carlos Matos já soma nove na sua conta pessoal e sublinha que em caso de festejar o título em 2011 “será o mais saboroso de sempre na minha carreira”, pela forma como a equipa está a surpreender.

O ABC chega à 16.ª jornada do campeonato nacional da I divisão em andebol a discutir o primeiro lugar. É segundo classificado a escassos dois pontos do líder FC Porto. A história do clube bracarense tem um peso determinante, pese um controlo rigoroso na vertente financeira que não se coaduna com as limitações ao nível da ambição.

Carlos Matos, 34 anos, é o capitão da equipa e um dos baluartes do grupo liderado por Jorge Rito. Destaca que o sentimento que os jogadores nutrem pelo clube é fulcral na conquista das vitórias. Não se estranha, logo, como é que o ABC vai superando obstáculos, mesmo depois de ver jogadores de superior valia a rumar para outras paragens.

Aqueles que colocam algumas interrogações sobre a candidatura do Académico de Braga à conquista de mais um título, podem ficar, agora, com a certeza que as metas estão definidas. O caminho ainda é longo, mas parte dele foi percorrido com sucesso. Os votos de Carlos Matos para o novo ano não podiam ser mais claros. “Espero que o ABC consiga surpreender tudo e todos no mundo do andebol. Se tiver a sorte de ser campeão em 2011, será o título mais saboroso na minha carreira, e já são muitos. Espero que o ABC consiga ainda ser mais acarinhado pelas pessoas de Braga e nos ajudem a alcançar vitórias”, expressou o central.

Numa apreciação aos jogos já decorridos na época 2009/2010, Carlos Matos mostra-se surpreendido pela positiva quanto à campanha da equipa, refutando a ideia que os adversários estão aquém das expectativas.
“O ABC está em segundo lugar e não é pelos outros estarem mal. O Porto lidera com duas derrotas e o ABC tem três derrotas. Não pensava chegar a esta altura com três derrotas, pois não podemos esquecer que já jogamos em casa do Benfica, Porto, Sporting, Belenenses e Águas Santas. E estas equipas lutam normalmente pelo título ou fase final. Tivemos um calendário difícil e, pela falta de capacidade para manter alguns jogadores importantes, penso que é muito bom estar em segundo lugar. Recorde-se que só nos últimos dois anos saíram do ABC seis jogadores internacionais AA. Isso seria uma imagem de desinvestimento e falta de capacidade em lutar pelos títulos. Confesso que tive algum receio no início da época e no ABC joga-se sempre para ganhar, sendo que isso não é fácil num plantel com muita juventude. O campeonato está a ser fabuloso, e nestes últimos seis anos que estou no ABC acho que está a ser o melhor, mas tudo por acontecer”, salientou o atleta de andebol.

Carlos Matos faz um balanço “muito positivo” mas enaltece, ainda, uma esperança muito forte em relação ao futuro. A alma do clube continua viva, são os próprios jogadores (mais experientes) que o transmitem em campo.
A próxima prova de fogo será em Portimão, na disputa da Supertaça de andebol. Na primeira fase, ABC mede forças com Águas Santas e Madeira SAD. E está apostado em chegar à final, apesar de não ter muita tradição nesta competição.

O capitão da equipa bracarense, uma vez mais, coloca a fasquia alta mas rejeita a ideia de ter um calendário fácil, por evitar adversários como Sporting ou Benfica. “Dizem que teoricamente o calendário do ABC é acessível, mas é bom lembrar que isso não foi feito ao acaso. Havia três potes, não podíamos cruzar com o Porto que é primeiro, mas vamos jogar com o quarto e quinto classificado.
O facto do Benfica e Sporting ficar noutro pote não quer dizer que são os mais fortes. Vamos ver o que dá, normalmente a seguir a um período de jogos de selecção, demoramos algum tempo a readquirir os nossos hábitos de jogo. Mas a Supertaça é mais um objectivo”, destacou Carlos Matos.

“Reagimos muito bem à eliminação da Taça Challenge”

A equipa do ABC está a superar as expectativas, mas deitou por terra um dos objectivos da época ao ser afastada da Taça Challenge, pelo modesto clube de Kraguejvac (Sérvia). Os dois jogos da eliminatória foram disputados na Sérvia e a forma como o ABC se despediu ainda está entalada na garganta de Carlos Matos. “Posso chocar as pessoas ao dizer que fomos eliminados da Taça Challenge por uma equipa (Kragujevac) muito inferior à nossa, muito fraca mesmo. Mas existe uma explicação para o sucedido. Já ando no andebol há muitos anos e sei que jogar em países que não estão na primeira linha do andebol com árbitros que não são de primeira linha, torna-se muito complicado. Se a eliminatória tivesse sido em duas 'mãos', em Braga e na Sérvia, o ABC teria passado facilmente. Isso afectou-nos, porque tínhamos o objectivo de continuar na Taça Challenge. Mas sabemos que tudo fizemos para continuar, embora o mais importante para o ABC são as provas nacionais. Depois daqueles jogos na Sérvia, estávamos prevenidos que íamos encontrar um ciclo de jogos no campeonato (Águas Santas, Porto, Benfica e Belenenses) que podia catapultar o ABC para o sucesso e para a luta pelo título, ou então, se corresse mal, deixar a equipa numa posição muito delicada. Reagimos muito bem, fruto de uma extrema competência das pessoas do ABC e no acreditar que é possível”.

“A nossa arma é competência”

O ABC é um clube diferente. Não há volta a dar e só quem se aproxima desta “família” consegue ter uma percepção da afirmação.
O segredo está num trabalho colectivo, onde todos puxam para o mesmo lado.

“Estes resultados surgem fruto da competência das pessoas que trabalham no ABC. Desde a direcção, equipa-técnica e jogadores. Toda a gente ligada ao ABC revela uma enorme competência nos seus cargos e isso faz com que este clube seja diferente de todos. O ABC é diferente porque consegue ganhar independentemente dos nomes que tem e no acreditar que é possível. No início da época fui abordado por algumas pessoas na expectativa de ver o que seria esta época. Continuo a achar que o ABC não tem a obrigação de ser campeão, mas tem a obrigação de lutar para ganhar em todos os jogos. Mas eu acredito que podemos ganhar títulos. E como eu acredito, a direcção e jogadores também acreditam. Isto é aquele suplemento necessário de motivação que reunimos no ABC que nos ajuda a ganhar a adversários teoricamente mais fortes”, revela Carlos Matos.

A gestão do clube, assumida pela SAD, desde há tempos que está no amarelo. Por isso, as épocas são calculadas de uma forma meticulosa. Também por isso nem sempre é possível manter os jogadores desejados, por-que outros valores falam mais alto. Mas o dinheiro não é tudo, e até aí os elogios de Carlos Matos — fruto da sua vasta experiência — se estendem à direcção.

“O ABC faz uma grande gestão com os recursos que tem. E aí prevalece a competência de cada um. Tenho a certeza que há muito dinheiro mal gasto noutros clubes, pelos orçamentos que apresentam, porque nem sempre o conjunto de bons jogadores fazem uma boa equipa. E é possível fazer uma boa equipa, mesmo sem ter muitos jogadores de alta qualidade. No ABC ninguém se resigna. Perante a diminuição no orçamento que existe no ABC nestes últimos anos, seria muito fácil assumir uma posição de segunda linha e dizer que o nosso pensamento é jogo a jogo. No fundo, é isso que fazemos mas queremos ser campeões. E queremos ser campeões porque o sentir desta camisola marca muitos golos. O facto de termos um grupo com jogadores que cresceram aqui ajuda a conseguir muitas vitórias. No ABC nunca jogamos sozinhos, temos o público, e ainda o verdadeiro sentimento pela camisola que vestimos. Não há em Portugal quem sinta mais a camisola que os jogadores do ABC”, afirma, de peito cheio, o capitão da equipa bracarense.

Para Carlos Matos, o trabalho desenvolvido na formação é vital. Mas não só. Mesmo na equipa principal o sentimento alastra-se, até mesmo quando os jogadores que já passaram pelo ABC estão do lado do adversário. Uma vez do ABC, é para sempre do ABC. “Isso verifica-se mesmo pelos jogadores que já saíram do clube enquanto seniores e reconhecem ainda hoje que o ABC é um clube diferente. Isto acontece porque somos pendas do andebol. Sabemos quem nos rodeia, as pessoas vêm cá por nós. Por isso é extremamente complicado dizer o que é o ABC”, salientou Carlos Matos.

E para completar o raciocínio, o atleta do ABC destaca desde já as saudades do regresso aos treinos e à competição, depois do período de férias no Natal. “Vamos de férias e regressar com umas saudades enormes, porque estamos cá por prazer. A busca pela vitória é o que nos alimenta”, referiu o capitão do ABC.

“Enquanto me sentir útil quero estar no ABC”

A carreira de Carlos Matos no andebol está para durar. Aos 34 anos, o ex-internacional português continua em forma, sendo um dos jogadores mais influentes na equipa do ABC, que está na discussão dos primeiros lugares na classificação geral. Por isso, Carlos Matos recusa estabelecer projectos para o futuro, porque “o meu futuro é ganhar títulos”, responde de uma forma ambiciosa, a exemplo do que foi, e é, a sua carreira.

“O meu futuro desportivo ainda não sei. Não faço projectos a longo prazo, fisicamente sinto-me muito bem. Enquanto tiver este prazer de jogar andebol e ser útil ao ABC quero jogar e lutar por esta camisola. No dia em que sentir que perdi competências e não posso ser útil ao ABC retirarei-me, mas sempre ligado a esta casa”, salientou o jogador.
O peso que detém em campo é evidente na influência em termos colectivos. Mas a presença de Carlos Matos — assim como outros jogadores mais tarimbados — alastra-se ao balneário. Aí, o jogador diz sentir a responsabilidade de liderar um grupo que facilmente se identifica com a realidade do ABC.

“Sinto a responsabilidade de receber da melhor forma aqueles que chegam ao clube, quer seja da formação ou novos jogadores. Mas não encaro isso como uma responsabilidade, antes um grande prazer. Todos os jogadores são recebidos da melhor forma e rapidamente encaminhá-los para sentirem o prazer que os que cá estão já sentem”, salientou o central do ABC.

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