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Carlos Oliveira: “A restauração terá de continuar a encontrar formas de diversificar os seus serviços”
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Carlos Oliveira: “A restauração terá de continuar a encontrar formas de diversificar os seus serviços”

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Carlos Oliveira: “A restauração terá de continuar a encontrar formas de diversificar os seus serviços”

Economia

2020-05-21 às 06h00

Paula Maia Paula Maia

Além da confiança, essencial para a retoma, Carlos Oliveira, ex-presidente da InvestBraga, defende que os empresários terão de encontrar novas formas de complementar a sua actividade, como o catering, takeway e novas experiências em casa dos clientes.

Confiança e segurança são as palavras de ordem para a retoma gradual da economia e que se aplicam na sua plenitude ao sector da restauração, um dos mais afectados pela crise pandémica que estamos a atravessar.
Município de Braga, InvestBraga e URBAC promoveram ontem uma sessão de debate para analisar o impacto da restauração nos diversos sectores de actividade e a opinião generalizada é de que a confiança será o ‘motor de arranque’ para a retoma que se pretende para o sector, com claros benefícios para toda a cadeia de valores associadas, como é o caso dos vinhos, dos transportes, entre outras.

Carlos Oliveira, ex-presidente da InvestBraga, actual presidente executivo da Fundação José Neves e um dos oradores desta webinar, diz que “é preciso dar confiança na experiência dentro dos restaurantes”, defendendo também que os empresários do sector, além dos apoios do Estado, têm de encontrar “algum tipo de serviços que não lhes eram naturais, mas que estão adjacentes à sua actividade, para complementar aquilo que era sua actividade anterior”. Carlos Oliveira aponta como exemplos não só o serviço de takeway já adoptado por muitos restaurantes, mas também o catering, assim como “experiências diferenciadas proporcionadas em casa dos clientes”, envolvendo também outros parceiros de logística. “Tudo isso se for bem feito, admito que, num processo que vai ser lento, haja uma recuperação”, afiança o também membro do conselho Consultivo do Conselho Europeu para a Inovação. Carlos Oliveira admite, no entanto, que muitos restaurantes não vão conseguir ultrapassar esta fase.

“Portugal não tem dinheiro. Não vale continuar a pedir apoios porque todos os sectores estão a fazê-lo” continua o responsável, frisando que só a União Europeia poderá ajudar o país a atravessar esta situação, advertindo que o governo vai ter de optar por modelos de apoio “mais seleccionados” para poderem ser mais “impactantes”.
Questionado sobre a necessidade de capacitar os empresários da restauração para a área digital de forma a encontrarem soluções para enfrentarem melhor esta crise, Carlos Oliveira diz que o digital é uma ferramenta que pode auxiliar, por exemplo, na área das reservas, na interligação com os parceiros da área da logística, “mas não é o digital que vai salvar a restauração”.

Tiago Carvalho, representante do movimento URBAC, afirma que os restaurantes adoptaram todas as medidas de segurança para transmitir a confiança que se pretende aos clientes, passando a mensagem de que “ir a um restaurante é tão seguro com ir a casa de um amigo”, mas reconhece que aos empresários do sector são colocados novos desafios cujo objectivo é “acrescentar valor ao valor que já tínhamos, ou seja ao nosso produto, ao nosso espaço, à nossa forma de servir”. Nesse sentido, Tiago Carvalho diz que as ideias apresentadas neste debate por Carlos Oliveira são desafios que os empresários estão disponíveis para “abraçar e batalhar”, embora considere há muitos negócios em que a adaptação se torna mais difícil.

Ricardo Rio: “A reconquista da confiança tem de ser feita de forma gradual”

Confiança é também a palavra escolhida pelo presidente da câmara de Braga como chave para a retoma no sector da restauração. Ricardo Rio, que também participou neste webinar sobre o impacto da restauração nos sectores de actividade local, diz que a primeira dimensão em que os cidadãos têm de confiar é “nas condições de confecção das refeições nos restaurantes” e que isso pode-se traduzir-se não só em ter uma experiência no próprio espaço físico, mas também na requisição dos seus serviços através do takeway ou outro.

O autarca concorda com a necessidade dos empresários enveredaram por novas oportunidades de negócio, que esta crise veio acelerar e aprofundar, mas sublinha que o traço identitário da própria cidade passa também pelas experiências que só podem ser encontradas nos próprios restaurantes, pelo que é necessário reconquistar a confiança dos clientes, num processo que também concorda ser “gradual”.
O autarca de Braga não tem dúvidas de que a retoma nesta sector vai trazer consequências para vários sectores de actividade local.
De mãos dadas com a restauração, também o sector dos vinhos beneficia com o reavivar do negócio que representa 30% das vendas de vinho. Anselmo Mendes, empresário e enólogo trouxe a esta discussão a perspectiva do sector que é também fortemente afectado pela crise da restauração, que escoa parte da produção vinícola “e onde fazemos os nossos nomes”.

O enólogo refere que uma tábua de salvação para o sector tem sido o mercado externo, que absorve grande parte da produção nacional, mercado que embora tenha sofrido quebras “está a retomar rapidamente”, tendo crescido até em alguns deles, como é o caso da Suécia.
Anselmo Mendes critica a verba definida pelo governo para apoiar o sector, 10 milhões de euros, considerado claramente insuficiente, defendendo a apostar na produção de álcool para combater a escassez de mercado.
Também o sector dos transportes sofreu perdas abruptas com a queda da restauração, obrigando os empresários do sector adaptarem-se a outras realidades.
Fernando Torres, presidente da Torrestir, adiantou neste debate que se as exportações caíram, as importações caíram ainda mais, empurrando 50% dos trabalhadores da Torrestir para casa, a maioria para teletrabalho.
A empresa criou novos serviços para enfrentar os novos desafios, de onde se destacam as entregas ao domicílio, na ordem dos 15 por cento, e a entrega de medicamentos, na ordem dos 30 por cento.

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