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Centros de saúde obrigados a fazer “reestruturação enorme”
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Centros de saúde obrigados a fazer “reestruturação enorme”

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Centros de saúde obrigados a fazer “reestruturação enorme”

Nacional

2020-03-27 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

No Concelho de Vila Verde, por exemplo, as extensões de saúde foram todas encerradas e os profissionais foram concentrados nos centros de saúde de Vila Verde e de Prado.

Os últimos tempos têm sido de grandes mudanças também nos centros de saúde. Depois de várias reestruturações, as rotinas começam agora a normalizar-se. No caso do concelho de Vila Verde [ver caixa ao lado] os serviços foram concentrados nos centros de saúde de Vila Verde e de Prado. “Fiquem em casa” continua a ser o ‘grito’ dado por todos os profissionais.
“Foi uma fase complicada para todos. A mudança de rotinas acaba sempre por condicionar e alterar o nosso dia-a-dia. Tivemos que nos adaptar para tentar responder às necessidades que são mais prementes da população que nós servimos”, explicou a médica de família da Unidade de Saúde Familiar (USF) Pró-Saúde, Cláudia Pereira, admitindo que os centros de saúde “sofreram uma reestruturação enorme”.

O Centro de Saúde de Vila Verde, por exemplo, foi ‘dividido’ em três alas. “Temos uma ala com uma equipa, com médico, enfermeiro e secretário clínico, que assegura os serviços mínimos. Há consultas que não podem ser descuradas de forma nenhuma, como são o caso da vacinação das crianças, da consulta das grávidas, dos hipocoagulados, dos curativos e dos domicílios a pessoas muito dependentes, que precisam que as equipas de cuidados continuados vão a casa fazer a reabilitação respiratória diariamente”, explicou a médica, referindo que esta equipa fixa está a cumprir estes requisitos e com o horário normal da unidade.
Depois, há uma segunda equipa que está a receber as consultas urgentes não respiratórias. “Temos uma ala, também com médico, enfermeiro e secretário clínico, para receber as pessoas que tenham sintomas agudos e precisam de consulta, como por exemplo, uma infecção urinária ou uma gastroenterite”, relatou.

A terceira ala do centro de saúde é direccionada para as pessoas que chegam só com queixas respiratórias e também com provável infecção por Covid-19. “Nessa ala, tivemos uma grande dificuldade de adaptação. Há colegas que usavam, para fazer de viseira, um acetato ‘preso’ pelos óculos, porque não temos material”, lamentou a médica, realçando aqui as “dificuldades” que os cuidados de saúde primários têm passado. “Temos algum material, mas estamos com algum receio que acabe”, alertou.

À porta do centro de saúde está um enfermeiro a fazer a triagem dos utentes que vão chegando. Se a pessoa tiver alguns sintomas respiratórios “vai directamente para a sala de isolamento”, onde o médico avalia e articula com a linha de apoio médico e directamente com o Hospital de Braga a ver se tem critérios ou não para fazer o teste.
O Centro de Saúde de Vila Verde está aberta todos os dias da semana das 8 às 20 horas. O próximo objectivo é que se possam fazer os testes à Covid-19 na própria unidade de saúde.
Cláudia Pereira não se cansa de alertar para o mais importante: “fiquem em casa”. “É fundamental que as pessoas percebam a importância do isolamento, não há outra forma tão eficaz de conseguir controlar a propagação do vírus”, confirmou a médica.

“Maior trabalho” é passar a mensagem aos idosos para ficarem em casa

O concelho de Vila Verde tem uma população bastante idosa e que depende dos cuidados de saúde primária e da proximidade aos centros de saúde.
Na fase de adaptação, confessou a médica Cláudia Pereira, “foi um trabalho duplo tentar adaptar e conciliar a resposta aos utentes com provável infecção de Covid-19 e à população que tem outros problemas de saúde”.
E a médica alertou: “as pessoas continuam exactamente com os mesmo problemas que já tinham e não podemos descurar da vigilância, porque temos a probabilidade de termos aqui consequências ainda mais graves”.
Mas o “maior trabalho” em todo este processo continua a ser a educação para a saúde, sobretudo junto dos mais idosos.
“Fizemos contactos telefónicos e apelos nas redes redes sociais para os familiares sensibilizarem os mais idosos para a importância de se manterem em casa”, contou Cláudia Pereira, já que “é difícil” fazer chegar a mensagem aos mais idosos.
“As pessoas mais idosas têm que reduzir ao mínimo o contacto com outras pessoas. Temos de fazê-los perceber que não podem ir ao café ao lado, não podem reunir com os vizinhos nem jogar às cartas e que têm de evitar estar com a família, sobretudo, as crianças e os jovens, que, muitas vezes, são transmissores assintomáticos”, apelou a profissional de saúde, recordando que os mais idosos “são os mais vulneráveis”.

“Que esta aprendizagem sirva de lição para todos”

Também nos concelhos de Barcelos e de Esposende foram muitas as reestruturações que se fizeram nos centros de saúde. “Temos conseguido uma boa articulação com todas as entidades, mas é tudo novo para nós”, confessou o director executivo do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Cávado III Barcelos/Esposende, esperando que esta aprendizagem nos “sirva de lição” para que possamos “estar bem melhor preparados” para o futuro. Fernando Ferreira insistiu ainda no apelo que mais se tem ouvido por estes dias: “fiquem em casa”.
O ACES Cávado III Barcelos/ Esposende, que gere todas as unidades de saúde daqueles concelhos, também reorganizou os serviços para fazer face à pandemia da Covid-19.
“O Centro de Saúde de Barcelos tem apenas o atendimento exclusivo a utentes com suspeita de Covid-19 e/ou com sintomatologia do foro respiratório”, informou o director executivo.

Fernando Ferreira referiu ainda que os profissionais estão todos envolvidos, mas divididos em três grupos. “Temos um grupo na linha da frente, outro nos cuidados mínimos e inadiáveis e depois temos os que estão na retaguarda. Estes que estão na retaguarda, ao fim de 15 dias, passam para a linha da frente. Há uma rotatividade dos profissionais”, esclareceu.
Na passada segunda-feira, o dia não foi fácil. “Foi um bocado complicado estabilizar todo o trabalho, depois de um fim-de- semana em que tudo mudou. Foi difícil, mas no segundo dia já correu melhor”, garantiu o director executivo, adiantando que todos os dias são confrontados com novas orientações.

Fernando Ferreira aproveitou a oportunidade para esclarecer que os centros de saúde não fecharam, foram apenas deslocados.
“Estamos em Estado de Emergência, assim que a situação ficar estabilizada volta tudo ao normal”, assegurou Fernando Ferreira. E o director executivo garantiu: “há muita preocupação, porque as pessoas acham que vão perder os cuidados de saúde. Mas não. Estas alterações são apenas para proteger os profissionais e criar condições de trabalho, evitando a exaustão, e rentabilizar os recursos e materiais existentes”.

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