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Coligação e oposição discordam sobre desempenho da Agere
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Coligação e oposição discordam sobre desempenho da Agere

Braga

2020-07-26 às 06h00

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

Desempenho da Agere dominou a apresentação de resultados das empresas municiais à Assembleia Municipal de Braga. PSD e CDS-PP fizeram elogios ao “trabalho notável” e a oposição defendeu o resgate de todo o capital da empresa para o domínio público.

Reunida anteontem à noite, a Assembleia Municipal aprovou, com dez votos contra e cinco abstenções, o Relatório de Contas Consolidadas da Câmara Municipal de Braga de 2019. Nesta sessão extraordinária foi ainda dado conhecimento aos deputados municipais dos relatórios anuais de contas das empresas municipais, um ponto da ordem de trabalhos que ficou marcado pelas críticas da oposição e pelos elogios dos partidos que integram a Coligação ‘Juntos por Braga’.
Foi sobretudo a Agere a ser alvo das críticas por parte dos deputados da CDU, Bloco de Esquerda e PS. Aliás, as críticas levaram já a uma reacção da administração da Agere, que através de comunicado, vem “esclarecer e repor a verdade” concre- tamente no que toca ao novo sistema de contentorização do lixo.

A CDU, pela voz da deputada Bárbara Barros, começou por considerar que o facto de a empresa ser detida em 49% do capital por privados “penaliza a população bracarense”.
Face aos resultados obtidos pela Agere em 2019, a CDU entende que “é possível reduzir os tarifários, indo mais longe do que as tímidas reduções” praticadas.
Já António Lima, do BE, reconheceu que a introdução de uma tarifa social para a água, lixo e saneamento “foi positiva”, mas considera que o processo para aceder à tarifa é “moroso” e “burocrático” o que faz com que muitos bracarenses que seriam elegíveis para a tarifa social não estejam a beneficiar da mesma.

Para o BE, a adesão à tarifa social deveria ser automática, como já acontece com a tarifa social da energia. Pelas conta dos bloquistas, esse automatismo faria com que 14.600 agregados beneficiassem dessa tarifa social.
A intervenção de António Lima acabou por ser mais dura ao considerar “uma vergonha” que a Agere tenha obtido 6,6 milhões de euros de lucros, dos quais “cinco milhões vão ser distribuídos como dividendos”.
“Temos de acabar com isto de privatizar tudo o que no domínio público dá lucro”, disse António Lima, defendendo que a Câmara de Braga “deve ter a dignidade de reverter a Agere para o Município”.
“A água é um bem essencial a que todas as pessoas têm direito. É um direito da humanidade. E, no entanto, em democracia, achamos normal que a água encha os bolsos de meia dúzia de senhores”, lamentou o deputado bloquista, que acabou por centrar a sua intervenção apenas na Agere.

Pelo PS, começou por ser João Nogueira a “louvar” o facto de ter havido uma redução no tarifário da Agere, mas afirmou depois que a empresa continua a cobrar a taxa para a recolha diária do lixo, quando deixou de prestar esse serviço aquando da implementação do novo sistema de recolha que acabou com a colocação dos sacos com lixo porta a porta.
Mais tarde, Pedro Sousa também dirigiu mesma crítica à Agere, considerando que o novo sistema de recolha do lixo “perdeu qualidade no serviço”, nomeadamente no que à proximidade diz respeito”, uma vez que “obriga as pessoas a percorrem uma distância mais longa” para depositar os sacos com lixo.
O deputado socialista confessou ainda que “gostava muito que a Agere nunca tivesse sido privatizada”, pois lamenta que “os elevados lucros” da empresa “não possam ser investidos no concelho, no desenvolvimento do território”.

Pelo PSD, João Granja, defendeu que a introdução do novo sistema de contentorização do lixo “foi uma revolução no concelho”, pois “elevou a qualidade do serviço prestado” e pôs Braga “ao nível de grandes cidades europeias”.
João Granja admitiu, porém, que há necessidade de afinar o modelo, porque “o trabalho ainda não está concluído”, aludindo ao facto de que o ideal será ter todo o concelho servido pelos novos contentores. No entanto, considerou que a população reconhece o trabalho “notável” da Agere a este nível, o que se traduz na forma como aderiu ao novo sistema de recolha de resíduos sólidos urbanos.
João Medeiros, do CDS-PP optou for elogiar o desempenho global de todas as empresas municipais, anunciando que o seu grupo parlamentar partilhava um “voto de louvor pelos resultados alcançados em 2019 pelas empresas municipais” de Braga.


TUB mantém objectivos

A CDU defendeu, em Assembleia municipal, que os TUB devem reforçar o número de viaturas disponíveis e em circulação. “Não basta renovar a frota”, disse Bárbara Barros, realçando que é necessário ter mais autocarros a circular e lembrando que a os transportes públicos são prejudicados por falta de corredores exclusivos para BUS na cidade.
Pelo PS, Pedro Sousa saudou o esforço de renovação da frota feito pelos TUB, mas considerou que o mesmo “deveria ter um ritmo mais acelerado”.
João Granja, do PSD, optou por recordar que pelo 6.º ano consecutivo os TUB aumentaram o número de passageiros.
Recordou ainda que objectivo é que até 2021 um terço da frota esteja renovada. “É um objectivo ambicioso, mas vai ser cumprido”, afirmou.


Rio e Lima trocam argumentos

Esta sessão da Assembleia municipal acabou por ficar marcada por uma troca de palavras entre Ricardo Rio e António Lima, no momento em que de discutia a desafectação de uma parcela de terreno do domínio público, em Ferreiros, situação que advém de um acordo judicial entre o município e uma empresa imobiliária. O início do caso remonta ainda ao século passado, mas só agora ele tem desfecho.
O tema levou António Lima do BE, a afirmar que não sabia a razão pela qual “o Ministério Público não investiga estas negociatas”, que decidem sempre a favor do especulador imbiliário. O presidente da Câmara não gostou do que ouviu e exigiu retratamento por parte do deputado do BE, a quem acusou de “fazer política suja” por “atirar a pedra e se esconder”. O deputado do BE respondeu que a acusação não tinha “nada de pessoal” contra Rio. Lima especificou que o que queria dizer é que considera estranho o MP não investigar estes negócios do imobiliário que envolvem o nome do Sporting de Braga.

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