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‘Confiança’ será residência universitária pública se privados não quiserem comprar
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‘Confiança’ será residência universitária pública se privados não quiserem comprar

Braga

2020-02-25 às 06h00

José Paulo Silva José Paulo Silva

Ricardo Rio surpreendeu ontem a oposição com possibilidade de a ‘Fábrica Confiança’ vir a ser residência universitária da rede pública. Anúncio feito no dia em que foi aprovado o novo regulamento para alienação do imóvel a privados.

Caso não seja alienada na hasta pública agendada para 11 de Março, o edifício da Fábrica Confiança será negociado com a Universidade do Minho e Governo para funcionar como residência universitária no âmbito do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior.
O anúncio foi feito ontem pelo presidente da Câmara Municipal, Ricardo Rio, na reunião quinzenal da vereação, durante a qual foi aprovado o regulamento da nova hasta pública de alienação da Fábrica Confiança
O edil revelou ter abordado com o reitor da Universidade do Minho o cenário de cedência do edifício da Rua Nova de Santa Cruz, tendo Rui Vieira de Castro acolhido bem a ideia, atendendo à carência de alojamento estudantil na cidade.

“Ou se consuma a venda neste segundo processo de hasta pública, ou, tal como já foi dialogado com o reitor da Universidade do Minho, a Fábrica Confiança será disponibilizada para uma residência universitária pública, cumprindo exactamente os mesmos princípios do pedido de informação prévia (PIP), mas obviamente já não por um promotor privado, mas sim pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e pelo Fundo de Reabilitação que está criado neste momento”, explicitou Ricardo Rio.

Caso a hasta pública de 11 de Março fique deserta, à semelhança da realizada a 14 de Fevereiro último, a Fábrica Confiança será disponibilizada “no imediato” para a instalação de uma residência universitária pública.
O imóvel da antiga fábrica de perfumes e sabonetes não será doado à Universidade do Minho, antes será cedido através de contrato de comodato ou outra figura jurídica a acordar.
Os vereadores da oposição, que votaram contra o novo regulamento da hasta pública de alienação da Fábrica Confiança, foram surpreendidos com o anúncio da possibilidade de uma parceria com a Universidade do Minho e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Artur Feio, do Partido Socialista, defendeu esse cenário, desejando que não surjam propostas na nova hasta pública. “É bom que os privados tenham medo. Se fosse investidor, teria algum receio em investir naquele edifício”, declarou.
O vereador socialista entende que “domina-se muito mais facilmente o projecto quando o investimento é público, podendo salvaguardar-se espaços que a cidade reclamava do ponto de vista cultural”.

Para Carlos Almeida, da CDU, a “terceira via” anunciada por Ricardo Rio é de considerar, se bem que, na opinião deste vereador, o presidente da Câmara Municipal continua “a dar primeira oportunidade ao mercado”, mantendo “a obstinação por uma operação imobiliária”.
O eleito comunista considerou o anúncio de Ricardo Rio “um ultimato aos investidores”, ao passo que Artur Feio classificou o mesmo como “surpresa com pezinhos de lã”.

O Município obteve parecer favorável do Conselho Nacional de Cultura a um pedido de informação prévia (PIP) que salvaguarda a volumetria da antiga fábrica e prevê a construção, nos terrenos adjacentes, de um novo edifício destinado a residência universitária com 300 unidades de alojamento.
O documento, que está disponível para consulta no Balcão Único e no ‘site’ da autarquia, prevê a criação, no edifício principal, de um centro interpretativo da memória da Fábrica Confiança e serviços de apoio à residência universitária.


Reitor da Universidade do Minho acha solução “francamente interessante”

O reitor da Universidade do Minho disse ontem ser “francamente interessante” a instituição poder transformar a antiga Fábrica Confiança numa residência universitária pública, possibilidade avançada pela autarquia se o complexo não for vendido na hasta pública.
Rui Vieira de Castro adiantou que já contactou o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior para a possibilidade de inserir a ‘Confiança’ no Plano Nacional de Alojamento Universitário e que Manuel Heitor “manifestou interesse”. “Se se vier a concretizar esta solução, que para nós seria francamente interessante (...), mas há um conjunto de passos para tornar realidade o que neste momento é uma hipótese e tão só”, avisou Rui Vieira de Castro.

O reitor da Universidade do Minho explicou que o presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, fez o contacto com a instituição, “procurando explorar possibilidades de colaboração com a universidade que potenciassem o edifício e a sua utilização para fins de interesse coletivo”.
Rui Vieira de Castro lembrou que “a capacidade de resposta de alojamento estudantil que está claramente aquém daquilo que são as necessidades da comunidade universitária”, pelo que aquela possibilidade seria do “interesse” da Universidade do Minho.

A antiga saboaria e perfumaria ‘Confiança’ foi comprada pela Câmara Municipal de Braga em 2011, mas não foi alvo de qualquer acção de recuperação desde então por “falta de verbas próprias e fundos comunitários”, sendo que no início deste mandato autárquico, o executivo municipal liderado por Ricardo Rio anunciou a intenção de venda das antigas instalações industriais.
As duas primeiras hastas públicas de alienação foram travadas por providências cautelares, tendo o Tribunal Administrativo dado razão à autarquia em ambas.

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