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Confiança segue para hasta pública sob a contestação da oposição
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Confiança segue para hasta pública sob a contestação da oposição

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Confiança segue para hasta pública sob a contestação da oposição

Braga

2020-01-26 às 06h00

Marta Amaral Caldeira Marta Amaral Caldeira

A alienação do edifício da Fábrica Confiança foi o único ponto debatido pelas forças partidárias com assento na Assembleia Municipal de Braga. A proposta do executivo municipal foi aprovada e a hasta pública terá lugar já no próximo mês de Fevereiro.

A Assembleia Municipal de Braga ratificou nesta sexta-feira a proposta de venda do edifício da antiga Fábrica Confiança, com os votos contra do Partido Socialista, CDU e Bloco de Esquerda, que defendem que o património deve ficar na esfera municipal. O presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, diz que o projecto de requalificação do edifício pela via de uma residência universitária privada “garante a salvaguarda daquilo que é hoje o património, classificado ou não, da Fábrica Confiança”.

A proposta do executivo municipal para a alienação do edifício da Fábrica Confiança foi aprovada pela Assembleia Municipal com 42 votos a favor, 25 contra e quatro abstenções, tendo inclusivamente obtido o voto favorável da Junta de Freguesia de S. Victor (localidade onde se localiza o edifício). No fim da votação, que foi nominal, alguns elementos da Plataforma ‘Salvar a Confiança’ ergueram cartazes com as caras do executivo a dizer ‘vendidos’. A hasta pública deverá ter lugar em meados de Fevereiro próximo, com o preço-base de 3,6 milhões de euros.

Ricardo Rio voltou a esgrimir à Assembleia os principais argumentos para a alienação da Confiança, indicando que “o que está em causa não é o uso, mas garantir que o edifício seja reabilitado e colocado ao serviço da comunidade para um qualquer fim” - algo que o autarca diz que este projecto cumpre ao criar mais alojamento para estudantes universitários e requalificando, simultaneamente, o edifício antigo. Mas não só. O edil frisou, ainda, que o projecto vai promover também a “regeneração urbana” daquela zona da cidade e melhorar a interligação à Universidade do Minho (UMinho), também pela Quinta da Armada.

Para o presidente da Câmara de Braga a “salvaguarda patrimonial” está garantida neste projecto que tem como fim estratégico a disponibilização de uma residência universitária privada em Braga, contando já com um Pedido de Informação Prévia da autarquia que estipula as “regras e condições” que o promotor terá que seguir. O edil bracarense indica que o projecto responde a “uma necessidade premente” em termos de alojamento universitário, referindo que o próprio reitor da UMinho o vê como uma “solução” para um problema que existe.
Rio afirmou, ainda, que os técnicos do Ministério da Cultura e do Conselho Nacional de Cultura, que já deram o aval ao projecto, consideraram esta intervenção “como urgente” no sentido de que, assim, se consiga salvar a Fábrica Confiança, actualmente já muito degradada.

Respondendo às críticas do socialista Pedro Sousa, que pedia um “referendo”, o presidente da Câmara de Braga disse que já foi legitimado nas últimas eleições autárquicas que a coligação venceu com mais 5000 votos, quando apresentou precisamente no seu programa eleitoral a alienação da Fábrica Confiança.
À CDU, que pela voz de Bárbara Barros, lembrava a possibilidade de candidaturas a fundos comunitários para a requalificação da Confiança, o presidente da Câmara de Braga respondeu que mesmo assim haveria outros projectos “prioritários” para onde canalizar as verbas como o Parque de Exposições de Braga ou o Mercado Municipal.

A discussão sobre a proposta de alienação da Fábrica Confiança começou com o PS a exibir vídeos que contrastavam as posições de Ricardo Rio sobre o tema em 2013 e mais recentemente. O socialista Pedro Sousa falou a seguir, criticando a proposta, lembrando que a aquisição do edifício foi um dos poucos momentos em que todas as forças partidárias partilharam “a mesma visão” e acusando o executivo de usar uma residência universitária - que classifica de “mamarracho de sete pisos” - como “máscara” para a venda da Confiança.

Bárbara Barros, da CDU, destacou “as ideias” que os vários movimentos cívicos têm tido para salvar a Confiança e criticou a opção de a “vender a todo o custo” num negócio que diz ser “enjeitado”. “O que hoje ficará claro, com esta votação, mais do que a venda da Fábrica Confiança, é quem se vende e quem não se deixa comprar”, disse.
Alexandra Vieira e António Lima, do Bloco de Esquerda, falaram de uma história “trágica” da Confiança, indicando que a sua venda “não resolve os problemas de tesouraria da Câmara Municipal, mas favorece os interesses privados. É um negócio da China para o comprador”.


Dezenas de pessoas sensibilizaram deputados a votar contra

Munidos de cartazes com a palavra de ordem principal a dizer ‘A Confiança não se vende’, algumas dezenas de pessoas juntaram-se às portas do Centro da Juventude de Braga, onde decorreu a Assembleia Municipal de Braga, anteontem à noite, para sensibilizar os deputados municipais a votar contra a alienação do edifício da Fábrica Confiança.
Cláudia Sil, da Plataforma ‘Salvar a Confiança’, lembrou que esta venda “é um erro histórico”, considerando que o edifício, que diz ser “património bracarense”, dever-se-ia manter na esfera pública e ser transformado num Centro Cívico Cultural, “pois foi para isso que foi comprado”.
Segundo a Plataforma, o que está previsto “não são residências universitárias, mas sim apartamentos de luxo”, prometendo que a luta “vai continuar”.

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