Correio do Minho

Braga, sábado

- +
Contas feitas e por fechar elevam custo do Estádio Municipal de Braga para 190 milhões
Prendas únicas, petiscos e animação no Mercado de Natal

Contas feitas e por fechar elevam custo do Estádio Municipal de Braga para 190 milhões

Plano Municipal da Juventude construído de forma participada para os jovens do concelho

Contas feitas e por fechar elevam custo do Estádio Municipal de Braga para 190 milhões

Braga

2019-10-22 às 06h00

Teresa M. Costa Teresa M. Costa

Câmara divulgou os custos do Estádio Municipal de Braga em resposta a requerimento da CDU. A despesa já supera os 175 milhões de euros para uma obra cuja estimativa era de 65 milhões de euros.

O Estádio Municipal de Braga vai onerar os cofres municipais em mais de 190 milhões de euros. As contas ainda não estão fechadas, mas, no pior dos cenários, e contabilizando todas as parcelas, o valor do estádio construído para o Euro 2004 vai ultrapassar os 190 milhões de euros, estima o presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio.
As contas do estádio foram entregues ontem aos vereadores da oposição na reunião quinzenal do executivo municipal em resposta a um requerimento do vereador da CDU, Carlos Almeida.
Os dados ontem divulgados, e que mereceram, por parte de Ricardo Rio, uma palavra de reconhecimento aos colaboradores de diferentes divisões do município pelo “trabalho quase titânico”, contabilizam custos de 175.132.366 euros, somando os custos de construção, o projecto, a aquisição dos terrenos e os juros.

O presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, reconhece que este levantamento - que constitui a análise mais discriminada a que alguém já teve acesso - “foi um exercício útil” até para sustentar os valores que uma e outra entidade, como o próprio Tribunal de Contas, foram avançando.
Ricardo Rio defendeu o rigor da informação que “não tenta criar qualquer conflito político” por considerar que “é um assunto que não é preciso fazer mais empolamento político”.

Estádio custou 15 vezes mais que o Altice Forum Braga

As contas do Estádio Municipal de Braga ontem apresentadas aos vereadores da oposição totalizam mais de 175 milhões sem contar os valores pendentes de processos judiciais dos cerca de 11 milhões de euros já não são passíveis de recurso e os encargos financeiros a suportar até à liquidação dos vários empréstimos bancários que totalizam 75 milhões de euros e só os juros valeram quase 25 ME em 2018.
E se olhando apenas para os custos de construção eles se saldam por mais do dobro da estimativa inicial, o presidente da Câmara faz a comparação e aponta que o estádio custou mais que o hospital central e é dez vezes mais que o seria necessário para a Variante do Cávado e para resolver o Nó de Infias.
Este levantamento permitiu ainda constatar que só em construção foram gastos oito milhões de euros nas projectadas piscinas olímpicas que não chegaram a ser concluídas.


CDU pede responsabilidades para milhões do erário público

O vereador da CDU, Carlos Almeida, só lamenta que a informação sobre o Estádio Municipal de Braga só tenha chegado oito meses depois do requerimento, o que “não é razoável”.
Sem prejuízo de uma análise mais minuciosa, o vereador comunista releva o facto de todos terem acesso ao mesmo nível de informação. “Para não andarmos aqui com variações de milhões de euros que são dinheiro do erário público” argumenta.
Quanto aos números, Carlos Almeida apela à assumpção de responsabilidades. “Há aqui uma clara e notória negligência na gestão de todo este processo” aponta o eleito da CDU para quem “é impensável” uma obra com um orçamento inicial de 65 milhões de euros atingir o seu triplo. “Não podemos assobiar para o lado” reforça o vereador que aponta a responsabilidade política, mas também “outro tipo de responsabilidades”, nomeadamente no acompanhamento do processo e na fiscalização.

Importa perceber qual é o futuro do equipamento

Para os vereadores do PS, pela voz de Artur Feio, é positivo que a Câmara tenha divulgado as contas do estádio em nome do esclarecimento. À primeira análise, o vereador socialista aponta que falta o montante em dívida e o esforço financeiro que ainda é exigido ao município. “Queremos perceber o montante a pagar pelo município à data de hoje” para avaliar o argumento do adiamento de investimentos devido ao excesso de dívida referente ao estádio, afirma Artur Feio.
Quanto ao custo total imputado ao estádio, admite que “uma análise crua do número assusta” mas remete “um enquadramento de momento” lembrando que todos os aditamentos ao contratos foram aprovados por maioria pelo que acredita que os “valores foram bem explicados e fundamentados”.
Para a oposição socialista, importa perceber qual o futuro do próprio equipamento em relação à cidade com Artur Feio a assumir que o PS discorda da venda e que “o equipamento deve ser potenciado no seu fim e no objectivo”.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.