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Cordão humano contra violência na escola

Casos do Dia

2019-10-23 às 06h00

Redacção Redacção

Comunidade Educativa da EB/S de Valença formou ontem cordão humano por uma escola mais segura, após agressões a professores e funcionários.

Mais de 100 pessoas, entre professores, pais e auxiliares, participaram ontem num cordão humano por uma escola mais segura, na sede do Agrupamento de Escolas Muralhas do Minho, em Valença.
A iniciativa, organizada pela comunidade educativa, circundou todo o espaço exterior da escola EB 2,3/S daquela cidade.
No recreio do estabelecimento de ensino, junto às grades, dezenas de alunos assistiam ao protesto, alguns exibindo cartazes onde se lia: "Não há violência na escola" e "Queremos uma convivência sã na escola".

No espaço fronteiro à escola, no interior do cordão humano que a comunidade educativa formou contra a violência, concentraram-se cerca de duas dezenas de pessoas de etnia cigana que gritaram "Não ao Racismo".
Os protestos, ambos pacíficos, que decorreram durante cerca de meia hora acompanhados de perto por militares da GNR, surgem na sequência da alegada agressão, na semana passada, dos encarregados de educação de uma aluna a dois professores e dois auxiliares de acção educativa, caso que está a ser investigado pela GNR.
No cordão humano, Catarina Domingues, uma das professoras alegadamente agredidas, explicou que apenas quis defender uma das auxiliares envolvidas no caso.

A docente de educação especial e educação visual garantiu que a funcionária foi "injustamente" agredida pela mãe da aluna de 14 anos.
"Quando tentei defender a funcionária fui apanhada pela mãe da criança. Mais tarde, chegou outro colega que também foi agredido", explicou.
A professora referiu a existência de "alguns casos" de violência envolvendo encarregados de educação e "invasões" do estabelecimento de ensino, que passou a estar "protegido por portões automáticos".
"Temos situações pontuais, mas desta gravidade não. Tantas agressões de uma vez só, e com tanta agressividade, nunca aconteceu", destacou.

Uma das duas funcionárias alegadamente agredida, Célia Rodrigues, garantiu "não se tratar de questão de racismo, mas de respeito", explicando que a aluna "queria passar a frente de todos" numa fila de alunos e que a impediu de o fazer. "Fui insultada com todos os nomes possíveis e imaginários. Um professor que veio tentar apaziguar a situação também foi insultado", afirmou.
Já o pai da aluna, Bruno Rossio, culpou a direção do estabelecimento de ensino que disse "ter-lhe virado as costas por ser cigano".
"Não é a primeira vez que a minha filha é ameaçada. Falei com a direção da escola para ver se tomavam medidas drásticas e não tomaram. Porquê? Porque não sei ler nem escrever e porque sou cigano. É uma vergonha", disse.

O encarregado de educação acusou uma funcionária de ter "apanhado a filha, deitando-lhe a mão ao pescoço e arranhando-a toda no pescoço", e um professor que "apanhou a filha e ameaçou-a".
"Apresentei queixa, só que antes da queixa a minha mulher bateu, não nego. A minha mulher bateu porque já que não vemos a direcção a tomar medidas drásticas, o pai e a mãe da criança tomam medidas”, reforçou.
O cordão humano promovido pela comunidade educativa contou com o apoio do Sindicato dos Professores do Norte (SPN) e do Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE), que exigiram "medidas urgentes para travar este tipo de casos, cada vez mais frequentes nas escolas".

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