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Crescimento é possível com “alinhar de vontades” e co-responsabilização
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Crescimento é possível com “alinhar de vontades” e co-responsabilização

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Crescimento é possível com “alinhar  de vontades” e co-responsabilização

Nacional

2021-03-06 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

‘O Papel dos Municípios no Desenvolvimento Económico das Cidades’ foi o tema do encontro promovido, anteontem à noite, pela JSD Braga e pela JSD Famalicão e que juntou os autarcas de Braga, Ricardo Rio, e de Famalicão, Paulo Cunha.

Braga sofreu, nos últimos anos, uma “profunda transformação económica” fruto do “alinhamento entre vontades”, defendeu o presidente da Câmara Municipal de Braga. O “grande desafio” agora, de acordo com Ricardo Rio, é “continuar a ter capacidade para se reinventar”. Do outro lado da cadeira, o presidente da Câmara Municipal de Famalicão, Paulo Cunha, destacou o papel importante da “governança do território”, assumindo que Famalicão “é orgulhosamente uma cidade industrial”.
Os presidentes das autarquias sentaram-se, lado a lado, para falar do ‘Papel dos Municípios no Desenvolvimento Económico das Cidades’, num debate promovido, anteontem à noite, na Casa das Artes de Famalicão, pela JSD Braga e pela JSD Famalicão.

Ricardo Rio assegurou que “o grande sucesso” alcançado nos últimos anos, e que espera que seja “duradoiro”, deve-se ao “alinhamento entre as vontades de todos os agentes da cidade”.
Assim nasceu a InvestBraga. “A InvestBraga foi um agente facilitador de muitos investimentos. Esse trabalho conjunto foi de facilitar o processo, tornando mais atractivo, desburocratizando processos, facilitando e estimulando investimentos”, referiu Ricardo Rio, destacando aqui uma dimensão que fez “toda a diferença”: o marketing territorial. “Promovemos o destino Braga como um destino atractivo. Convencemos os investidores a escolherem Braga por terem aqui os alicerces para os seus projectos diferenciadores serem desenvolvidos”, contou.

Braga, continuou o autarca, “sofreu uma profunda transformação do seu perfil económico”. De 2013 a 2019, a cidade mais do que duplicou o número de turistas. “Todos tivemos de mostrar uma oferta diferenciadora e de apostar em nichos diferenciados. Houve dinâmicas que fizeram de Braga uma cidade viva e muito dinâmica. Apostamos também no turismo de negócios. Tudo isto teve como alicerce o crescimento das sinergias que se criaram”, constatou ainda Ricardo Rio, evidenciando o facto da cidade “ser reconhecida internacionalmente faz com que mais investidores internacionais queiram aqui investir”. O desafio agora “não é tanto o sustentar esta tendência de crescimento, mas a grande expectativa é que a cidade continue a ter esta capacidade de se reinventar”, até porque “hoje já não se fabrica em Braga, hoje inventa-se em Braga e isso faz toda a diferença”.
Sobre o desenvolvimento e crescimento económico também o presidente da Câmara Municipal de Famalicão lembrou que o concelho é “um dos que mais valor acrescenta às importações”. Por isso, Paulo Cunha foi peremptório: “somos orgulhosamente uma cidade industrial”.

Paulo Cunha foi mais longe: “continuamos a ser líderes no têxtil, mas um têxtil com tecnologia incorporada, com qualidade e com valor e é nesse valor e qualidade que se afirma no plano mundial. Um têxtil não só de vestuário, mas um têxtil da aeronáutica, do sector automóvel, da saúde, da segurança. Um têxtil que é hoje ferramenta e matéria-prima para muitas áreas”.
Em termos de geopolítica, a célula cidade está a ganhar “um papel relevante no desenvolvimento dos territórios”. A par desta mudança, Paulo Cunha destacou ainda que o paradigma do autarca também mudou. “Hoje deixamos de ser autarcas focados nas infra-estruturas, há a dimensão infra-estrutural do sistema, da inovação, do empreendedorismo. Queremos criar condições para que o território seja atractivo”. Mas há mais. “Hoje, o território posiciona-se internacionalmente ao nível da capacitação de investimento, de turistas e de residentes”.

O presidente da autarquia famalicense destacou também a lógica de ‘cluster’ entre empresas, autarquias, escolas, comunidade. “Temos uma malha social que se relaciona e cada um tem um papel a desempenhar e se nos relacionarmos podemos crescer todos. Podemos crescer em comunidade”, assumiu Paulo Cunha, defendendo “a co-responsabilização entre agentes públicos e privados em tudo o que é intervenção no espaço público”.
Famalicão quer continuar a ser um concelho industrial e para isso tem que ter mão-de-obra qualificada. “Apostamos na formação profissional e criamos uma rede local de educação e informação ágil, funcional, cujos intérpretes têm consciência do seu papel para depois colher frutos. A capacidade de empregar depende muito da qualificação dos recursos humanos”, alertou.
Paulo Cunha evidenciou ainda a “avaliação permanente” que hoje é feita ao trabalho do município que “é factor de responsabilidade e um grau de exigência maior”. Paulo Cunha assumiu a sustentabilidade social, económica, ambiental e democrática com a governança com base no consenso e nas dinâmicas locais.

Região Norte é “completamente desconsiderada” no PRR

A região que “mais produz, que mais exporta, que mais contribui para o que de muito bom acontece no país, que é sempre a última na recessão e sempre a primeira na recuperação é a que é completamente desconsiderada” no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), acusou o presidente da Câmara Municipal de Famalicão. “Se tivéssemos regiões administrativas isto não acontecia”, assegurou Paulo Cunha.
Ainda a falar durante a iniciativa ‘O Papel dos Municípios no Desenvolvimento Económico das Cidades’, promovida anteontem à noite pela JSD Braga e pela JSD Famalicão, o presidente da autarquia famalicense foi mais longe: “este Governo tem levado ao limite ,em muitas dimensões, a sua vocação centralista. Não podemos ignorar a desconsideração pela região Norte”.
A atitude do Governo, continuou Paulo Cunha, “deve merecer a censura não só dos autarcas, mas da região e da comunidade”, admitindo que “este tipo de gestos são reveladores de um à vontade da governação com quem põe e dispõe, sabendo que nada ou pouco acontece”.

Também o presidente da Câmara Municipal de Braga olha com “mágoa” para o PRR.
“Olhamos para um território como o nosso com todas as dinâmicas e o potencial que aqui existe e o Estado Central não tem consciência ou se tem consciência, que é ainda mais grave, não potencia o crescimento destes territórios. Isto é altamente reprovável que assim aconteça e seja mais fácil investir e canalizar recursos que não são tão importantes para outras franjas do território nacional quando investimentos que podiam ser diferenciadores não têm a mesma prioridade nestes territórios”, apontou o dedo.
Para Ricardo Rio seria “um acto de justiça” haver alterações ao PRR, mas confidenciou não ter esperanças que o Governo ouça as pretensões dos autarcas.

Ricardo Rio admitiu também que aqui a regionalização seria “crucial”.
“É importante quando se olha para a lógica da integração regional, porque em momentos como este é fundamental que haja uma voz una e representativa de todo o território e que não se deve ficar pelos poderes públicos”, alertou.
Quando se começou este processo de desenvolver algumas situações para defender o processo da regionalização, Rio lembrou que se fez questão de chamar todos os agentes da comunidade.
“Em questões relevantes para o desenvolvimento do território há uma certa demissão de intervir politicamente e reivindicar o que território merece”, confirmou o presidente da autarquia de Braga, admitindo que esse é um “grande desafio”: “sermos catalisadores de uma voz mais unificada em todo este território”.

Foi preciso “travar a fundo muita da dinâmica do território”

Com a pandemia, o presidente da Câmara Municipal de Braga admitiu que se teve de “travar a fundo muita da dinâmica do território”. Ricardo Rio confessou que tem sido um “período de grande exigência para os autarcas”, obrigando-os “a desdobrar em muitas frentes” que não eram da sua responsabilidade.
O certo é que o trabalho que as autarquias fizeram “foi garantidamente um alívio para as dificuldades da população, das instituições e das empresas”.
Também o presidente da Câmara Municipal de Famalicão acredita que “este país estaria muito pior se não fosse o arrojo dos autarcas”. Paulo Cunha foi mais longe: “somos agentes muito envolvidos neste processo e temos sido bem sucedidos”. O autarca foi peremptório: “nós não voltamos as costas, quando outras dimensões da governação o têm feito, há apoios que não passam de anúncios, há apoios que demoram meses a chegar à economia real”.


Exige-se mais financiamento e outras ferramentas

Basta olhar para a diversidade cultural dos concelhos do Quadrilátero Urbano e ver o que as autarquias “têm feito pela cultura”. O presidente da Câmara Municipal de Famalicão, Paulo Cunha, aplaudiu o papel impulsionador das autarquias na parte cultural, lamentando que esse esforço não seja acompanhado por financiamento. A lei devia ser “reformulada”, criando condições para a que “a cultura tenha presença económica”, defendeu.
Também para o presidente da autarquia bracarense, a cultura
“é pilar fundamental de qualquer estratégia de desenvolvimento”. Por isso, o plano de desenvolvimento estratégico do concelho incluiu uma dimensão cultural para “transformar Braga num pólo dinâmico culturalmente com oferta ecléctica para todos”.
Braga “foi capaz de se munir de oferta regular, numa estratégia cultural partilhada com todas as instituições e cidadãos”, o mesmo acontecendo com a candidatura a Capital da Cultura.

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