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Ventosa e Cova: aqui a natureza parece não ter sido tocada
Carlos Salgado de saída; Rui Nibra regressa a casa

Ventosa e Cova: aqui a natureza parece não ter sido tocada

Gonçalo Guedes está em “perfeita forma”

Ventosa e Cova: aqui a natureza parece não ter sido tocada

Vale do Ave

2021-06-11 às 06h00

Rui Miguel Graça Rui Miguel Graça

Sabe aqueles lugares que transmitem paz? Ventosa e Cova são desses doces espirituais, onde parte da natureza parece até ter sido apenas beijada pelos raios solares ao longo dos séculos. São paisagens verdejantes, misturadas com algumas casas senhoriais requintadas, puro deleite para o turismo.

“Eu quero uma casa no campo como Elis Regina; Plantar os discos, os livros; E quem sabe uma menina; Por mim até podem ser mais; Um amor como os meus pais; Os dias como os demais;
Sem serem todos iguais. Casa no campo com a porta sempre aberta; Deixar entrar amigos”...
Capicua (Casa No Campo)

A antiga via augusta, proveniente das Astúrias em direcção à nobre Bracara Augusta atravessou esta união de freguesias nos tempos dos romanos e deixou, naturalmente, as suas marcas. Talvez tenha começado com essa influência e que foi perdurando com o avançar da história que Ventosa e Cova exibe um misto de casas senhoriais com requinte, paisagens envolventes, muitas delas que parecem nem terem sido tocadas pela mão humana e, ainda, um contexto patrimonial religioso de enorme relevo. A?União de Freguesias é ainda presenteada pela albufeira da Caniçada, sendo que o Brancelhe, barco turístico concelhio está mesmo atracado na Ventosa. Aliás, é daqui que começam os passeios turísticos e que nascem momentos de puro deleite, em contacto com paisagens que apenas parecem ter sido beijadas pelos raios solares ao longo dos séculos.

Historicamente, há um documento de 1120 que fala da área da Ventosa como sendo um couto. As Inquirições de 1220 dão-lhe o nome de Ribeira de Soaz, mas a partir de 1258 já tem o nome de Ventosa. Já no que diz respeito a Cova, embora se creia ter havido um povoamento pré-histórico em virtude de existência de vestígios arqueológicos castrejos, a freguesia só aparece referida em documentos a partir do século XII.
As casas, outrora senhoriais, estão agora centradas no turismo, mas as traças, a história, as vivências ecoam nas paredes, nos seus jardins. Em Ventosa destacamos a Casa do Visconde do Penedo, edificada provavelmente no século XIX, da Tarruca, das Alminhas, da Carvalha, do Mestre e também a Casa da Teresinha. Já em Covas há a de Faldrém, do Seminário (tem registada sobre o lintel da porta principal a data de 1707), a do Caso, da Regueira, da Eira, da Lage, das Quintães e também o Palheiro dos Pobres, onde antigamente serviu como refúgio para os mais necessitados.

Todavia a espiritualidade não se cinge apenas ao contacto com os verdes ou o toque cristalino das águas. Também se faz por força da fé e na União de Freguesias há diversas espaços que o tornam um local de culto. Na Ventosa encontramos, por exemplo, a Igreja Paroquial, dedicada a São Martinho, o Cruzeiro e a Capela de S. Brás, em Penedo. Já em Cova a igreja é dedicada a S. João e apresenta um encantador granito rosa. Já implantada no Monte de Castro, num espaço de cortar a respiração, surge a grande capela de Nossa Senhora da Conceição. As alminhas pontuam igualmente a União de Freguesia.

António Cardoso: “Um belo exemplo de trabalho em parceria”

“A União de Freguesias de Ventosa e Cova é banhada pelas águas cristalinas do Cávado o que lhe permite usufruir de paisagens de rara beleza. Aqui está ancorado o barco Turístico Brancelhe que navega na Albufeira de Caniçada e que proporciona ao turista a bordo um mundo mágico de lendas, memórias e viagens inesquecíveis. A hospitalidade das suas gentes faz desta união de freguesias um belo exemplo daquilo que deve ser o trabalho em parceria. O excelente relacionamento com o Executivo da Junta de Freguesia e com as restantes instituições das duas freguesias contribuiu para a concretização de obras muito importantes para o bem estar e desenvolvimento de todos. É nesta lógica que queremos continuar, pois estando próximos dos eleitos locais, as nossas acções contribuíram para a melhoria da qualidade de vida dos habitantes de Cova e Ventosa”.

Uma união acarinhada por ambas as comunidades

em tamanho, mas gigantes na proximidade e na ligação entre ambas as comunidades. Uma lógica de “articulação permanente” é a missiva dominante na União de Freguesias de Ventosa e Cova, como destaca o autarca local. “Esse é mesmo o maior desafio”, acrescenta Bruno Gonçalves.
“O futuro prepara-se no presente e de forma contínua”, ressalva o presidente da União de Freguesias. “Pretendemos, diariamente, dar resposta ao compromisso assumido com os habitantes de Ventosa e Cova e o que se sente é que a agregação das duas freguesias é vista com bons olhos pelas populações de ambas”.
“A dinamização do Centro de Convívio e Lazer é o maior exemplo desta política de proximidade”, salienta o presidente da união de freguesias.

O trabalho realizado tem sido também em outra vertente. Para além de proporcionar maior qualidade de vida aos habitantes de Ventosa e Cova, há também uma componente turística que é “forte”. “Tem mesmo uma palavra a dizer. Há dezenas de unidades de turismo em espaço rural, o que tornam esta união de freguesias num lugar de destaque e de atracção”, acrescenta ainda o edil.
Nesse prisma, “nos últimos anos, em articulação com a Câmara Municipal de Vieira do Minho, foram realizadas um conjunto de obras, que muito têm contribuído para a melhoria das acessibilidades a todos os lugares da freguesia”, refere o autarca. Bruno Gonçalves destaca mesmo que “o alargamento e a pavimentação de várias vias de comunicação têm sido uma constante”.

Dentro deste contexto há, igualmente outro desafio no foco, típico de povoações do interior de Portugal, cujo trabalhado redobrado aponta para a fixação no território. O campo tem imensos encantos. Tem uma paz associada a si, tem os seus trunfos únicos. Como diz a música de Capicua é uma casa completa, com um pedaço de terra e até é possível adormecer na relva.

O?paraíso tem partida aqui marcada

De olhos postos na água, o Brancelhe parte da Ventosa em direcção à aventura. Esta embarcação de recreio dispõe de quarenta e seis lugares sentados. Navega o ano inteiro pelo espelho de água da Caniçada, num passeio turístico de cerca de uma hora, sendo sempre necessária marcação prévia.
De Julho a Setembro, o barco turístico realiza passeios fixos às quartas-feiras e domingos. Naturalmente são os meses mais quentes que atraem mais turístas ao concelho de Vieira e também aos passeios do Brancelhe, contudo quando começa a instalar-se o Outono, naquele misto de dias solarengos com um toque de friozinho, na transformação da paisagem para as cores estivais, onde o amarelo e o laranja ganham força em detrimento do verde intenso, nota-se outra magia e na memória ficam gravadas notas de enorme satisfação.
Pois bem. O paraíso tem partida aqui marcada. Está ancorado nesta União de Freguesias e é provavelmente a sua cereja no topo do bolo.

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