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Braga, quarta-feira

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Das relíquias em tons de verde às histórias da ponte do Diabo
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Das relíquias em tons de verde às histórias da ponte do Diabo

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 Das relíquias em tons de verde às histórias da ponte do Diabo

Vale do Ave

2021-06-18 às 10h00

Rui Miguel Graça Rui Miguel Graça

Ruivães e Campos. Cenários idílicos, marcadamente verdes e com toques arquitectónicos incomuns. Os prados virados a sul, o Carvalhal de Esporão, os fornos comunitários, as cascatas e as famosas pontes. A de Rês e a de Misarela. Esta última envolta de espiritualidade e há quem diga que foi o diabo a edificá-la.

Em tempos antigos diz-se que um criminoso em fuga ao chegar à margem do rio Rabagão, desesperado, invocou a ajuda do diabo para passar para a outra margem. Como contrapartida ofereceu a sua alma. O marrafico fez aparecer uma ponte, ordenou ao criminoso para a atravessar sem olhar para trás. Assim fez e chegado à outra margem a ponte desapareceu. Quando a morte lhe bateu à porta, o diabo foi buscá-la. Arrependido pediu a ajuda a um padre. Este preocupado perante a dificuldade, ergue as mãos e pede ajuda divina. “Por Deus das águas puras do Rabagão ou pelo diabo das pedras negras, apareça aqui uma ponte de pedra”. O humilde padre fez o sinal da cruz, ouviu os rugidos de Lucifer e gritou?“arrebenta tu diabo”. Agradeceu o milagre e então a ponte de Misarela ficou envolta em magia.
Há ainda outra crença com a ponte e as mulheres no processo de gravidez. Em suma, são várias as histórias em torno desta ponte de Ruivães, mas para além disso ficou ligada a um marco importante. Em Maio de 1809 foi palco de um combate sangrento entre o exército de Napoleão e as tropas luso-britânicas aquando da segunda invasão francesa.

“Chorai meninas de França,
Chorai por vossos maridos,
Na ponte de Misarela
eram mais os mortos que vivos”
Cancioneiro popular

Ruivães tem ainda a famosa a Ponte de Rês ou Velha, que integrava o traçado da antiga via que ligava Braga a Chaves. Nesta freguesia encontra-se também a cascata do Caldeirão, situada à entrada da aldeia de Zebral, em plena Serra da Cabreira.
Já em Campos o verde é a tónica principal. Este primitivo povoado é classificado como ‘Aldeia de Portugal’. Junto a um antigo moinho, a praia fluvial é uma bela presa de água, no meio da natureza, alimentada pelo rio Lage. Plena de autenticidade.
Imperdíveis são os fornos comunitários, situados nas aldeias de Campos e da Lamalonga. Os fornos do povo, verdadeiros testemunhos de um passado comunitário. Serviam também para refúgio dos viajantes e até dos pobres pedintes.
A partir de Campos pode ser concretizada uma caminhada com cerca de 14 quilómetros e à espera do visitante está uma paleta de cores, fartos lameiros e a vasta fauna da Cabreira.
O?carvalhal do Esporão é uma verdadeira relíquia verde. Aqui fica um parque de merendas, constituindo um espaço de lazer fantástico.
Asede da junta de freguesia está “aberta todos os dias”. Talvez seja esse um dos principais segredos de Ruivães e Campos, na sua forma de estar, num sentido de missão, de partilha e trabalho em rede. “Aqui os habitantes da freguesia têm ao seu dispor apoio permanente para a resolução dos mais diversos problemas”, começou por referir o autarca Manuel Pereira, acrescentando que a ligação entre associações e instituições “é um dos pontos que tem permitido a concretização de diferentes projectos” para esta União de Freguesias. “Naturalmente que, em meios mais pequenos, esses são factores-chave para o sucesso das comunidades”, destaca ainda o autarca.
“Em Ruivães está instalada a secção dos Bombeiros Voluntários, por exemplo. Deste logo são a representação da missão mais nobre na humidade, que é o voluntariado. Associado a esse facto há os riscos inerentes do que representa ser bombeiro. Há um carinho enorme da população para com a corporação e, da nossa parte, enquanto equipa da junta de freguesia, temos procurado imprimir o máximo empenho, através da disponibilização de ver- bas e apoios, para a manutenção de um serviço de vital importância para a zona norte do concelho de Vieira do Minho, salienta Manuel Pereira, autarca da União de Freguesias de Ruivães e Campos. “O seu contributo é essencial para o bem-estar da população”, considera ainda.
Traçando um balanço muito positivo dos últimos anos, destaca a concretização de “obras essenciais para as duas freguesias”. “Desde logo a abertura, alargamento e melhoramento de várias vias de comunicação, que aproximaram mais as comunidades e ampliaram a segurança e qualidade de vida desta união”, ressalva Manuel Pereira.
Talvez seja até histórico esse sentido de missão.?Recordem-se os dois fornos comunitários que ainda hoje são usados pela população para cozer o pão ou para demonstração junto de escolas para perpetuar a história e essa forma de estar.

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