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Braga, segunda-feira

‘Dentro da Chuva’ revela lado intimista de Aline Frazão
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‘Dentro da Chuva’ revela lado intimista de Aline Frazão

Passeio de Bicicleta Dia 1 de Portugal em Guimarães, 24 de Junho

Braga

2019-04-24 às 07h00

Patrícia Sousa

É hoje, a partir das 21.30 horas, que a cantora angolana sobe ao palco do Theatro Circo, que considera uma espaço “deslumbrante e especial”. Aline Frazão apresenta ‘Dentro da Chuva’, o quarto trabalho.

‘Dentro da Chuva’ é um disco virado para dentro, para o íntimo, de estética delicada e com alguns reflexos dos registos musicais com que a cantora angolana cresceu. Hoje, a partir das 21.30 horas, Aline Frazão apresenta o quarto álbum de originais no Theatro Circo, “um espaço deslumbrante e especial dentro do circuito em Portugal”. Por isso, a jovem cantora, que regressa a Braga, quer muito que este disco, também especial, faça parte desta sala bracarense.
O disco novo é o quarto a solo e é muito diferente do anterior ‘Insular’, que teve participação do guitarrista português dos Linda Martini, Pedro Geraldes.
Depois de já ter gravado em Espanha, Portugal e Escócia, a cantora escolheu agora o Rio de Janeiro, no Brasil. “Quando decidi gravar este disco neste formato, já que é um disco bastante minimalista e focado na voz, pensei logo no Brasil, porque é de lá que tenho essas referências”, começou por justificar, em entrevista à rádio Antena Minho, a cantora angolana, confidenciando que o outro lado do oceano, “sempre despertou muitos afectos”. O Rio de Janeiro é, confidenciou Aline Frazão, “uma espécie de musa à antiga”. E a cantora foi peremptória: “realmente aprendi que o lugar onde gravamos tem muita influência no resultado final, e este fazia todo o sentido ser gravado no Brasil”.
Aline Frazão é autora da maioria dos temas, assina a produção musical e, ao vivo, tal como acontece no álbum, apresenta-se a solo, num quase voz e violão minimalista e poético. Num formato despojado que evoca a intimidade, ‘Dentro da Chuva’ conta com o “contributo valioso” de músicos convidados, como o violoncelista Jaques Morelenbaum, a cantora e compositora baiana Luedji Luna e o músico português João Pires (dos Cordel), com quem Aline partilha a autoria de uma das canções.
Alguns temas são cantados em crioulo de Cabo Verde, como a canção ‘Peit Ta Segura’ que foi composta por Danilo Lopes da Silva, cantor e compositor cabo-verdiano, e cumpre, segundo Aline Frazão, um “desejo antigo” de cantar em crioulo.
Sobre a experiência de estar em estúdio sem banda, Aline admitiu que “foi uma vivência muito introspectiva, uma solidão bonita, muito exigente e muito concentrada”. E a cantora foi mais longe: “tudo dependia de mim, por isso, é um disco muito focado em mim, e tinha de estar ali inteira, porque se assim não fosse não fazia sentido. Foi um espaço de aprendizagem e tive uma equipa fantástica, que me fez sentir mais protegida e aconchegada”.
Se se sente uma cidadã do mundo, Aline foi categórica: “sinto-me uma cidadã de Luanda, do meu bairro, do meu prédio, da minha casa. Identifico-me pouco com a etiqueta de cidadão do mundo. Gosto de ver essas diferenças e continuar a ser eu, essa miúda de Luanda”.
Luanda é, para a jovem também compositora, “uma musa inspiradora”, E justificou: “é o lugar que quero observar durante muitos anos e agora estando a morar lá, tenho uma perspectiva mais informada e menos romantizada e ingénua, mas Luanda vai continuar a ser um lugar que me ensina e inspira muito”. Por isso, a jovem confessou, ainda aos microfones da rádio Antena Minho, a vontade de gravar em Luanda, onde mora há dois anos.
Muito ligada às causas sociais, Aline faz também da música um ‘veículo’ para transmitir mensagens. “A música deve ser um meio de transporte desta mensagem. A música é mais uma elemento de compromisso e de correcção de desiguldades. A demo- cracia só faz sentido se os cidadãos estiverem informados e participarem”, defendeu.
Sobre os direitos sociais em Angola, Aline Frazão lamenta que ainda “haja um desenvolvimento muito pouco significativo” e mesmo com as mudanças políticas recentes, a jovem continua a ser muito critica da realidade política do país. “Os problemas sociais continuam a ser de uma gravidade tal que em algumas situações está muito pior que há 10 anos. Ainda há muito trabalho a fazer ao nível político-partidário e da formação política e de cidadania”, alertou a jovem, confessando-se uma “insatisfeita, porque infelizmente os problemas básicos ao nível da saúde e da educação continuam a ser uma realidade em Angola”.

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