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‘Espaço Fuga’ é novo refúgio das artes e animação do Agrupamento de Escolas de Real
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‘Espaço Fuga’ é novo refúgio das artes e animação do Agrupamento de Escolas de Real

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‘Espaço Fuga’ é novo refúgio das artes e animação do Agrupamento de Escolas de Real

As Nossas Escolas

2019-10-23 às 06h00

Paula Maia Paula Maia

Sala do aluno foi transformada num espaço com várias valências onde o cinema, os jogos e as artes criativas ganharam uma nova expressão.

Já foi a Sala de estudo, Sala do Aluno mas este ano está transformada no ‘Espaço Fuga’ que, tal como o nome indica, serve para os estudantes ‘fugirem’ à rotina do estudo através de momentos de cultura e lazer. O projecto foi apresentado o ano passado por um grupo de docentes, tornando-se uma realidade no presente ano lectivo graças também ao esforço dos alunos que no termino das aulas do ano lectivo transacto, no final de Junho, permaneceram na escola para ajudar nas obras de reconversão do espaço.

Com o apoio de várias entidades, entre as quais a autarquia, juntas de freguesia e até o Nova Arcada, foi criado um espaço ímpar, com várias valências, destacando-se o cinema (com capacidade para 40 lugares), os jogos (ex: xadrez); a música; a leitura; a tecnologia (computadores) e a criatividade (com espaço dedicada às artes).
O espaço integra ainda uma área de estar com vários puff’s. O nome dado a este novo ‘canto in’ foi escolhido pelos alunos.

Apesar de ser o mais recente, este não é único espaço onde os estudantes da EB 2,3 de Real podem permanecer e dar asas à imaginação. A Sala Recreativa, aberta todo o dia, possibilita aos estudantes concretizar actividades à base da pintura, do desenho, do recorte, do barro, entre outras.
Mesmo junto ao refeitório - onde as mesas foram colocadas de forma a almoçarem em grupo - está também a Sala de Estudo que permite a alunos e professores estudarem em conjunto.
Também a biblioteca disponibiliza aos alunos livros e filmes para todos os gostos.

Zita Esteves: “A componente familiar está a desaparecer”

Promover e fortalecer um relacionamento de proximidade com com os pais e encarregados de educação é actualmente uma das principais preocupações dos responsáveis do Agrupamento de Escolas de Real. Sem querer substituir o papel da família, os dirigentes locais há muito perceberam que à escola compete muito mais do que transmitir conhecimento. “A componente familiar está a desaparecer. Todos sentimos isso, desde professores e funcionários. Os próprios alunos queixam-se que em casa não têm diálogo, que não têm tempo com os pais.?Os pais trabalham muito a pensar que aquilo que tem de dar aos filhos é só dinheiro para comprar roupa, mas não chega”, diz a directora do Agrupamento de Real, Zita Esteves.

É essencialmente no relacionamento entre os alunos, na sua forma de estar nas aulas, no seu aproveitamento escolar e no diálogo que estabelecem com os directores de turma que os problemas são mais notórios, embora muitas vezes camuflados. “Eles procuram muito o grupo, a relação com os colegas. Procuram também um relacionamento de proximidade com os directores de turma, mesmo no terceiro ciclo onde já se devia notar alguma autonomia”, continua a dirigente escolar, acrescentando que estas são situações “silenciosas, com consequências psicológicas muito mais profundas que se prolongam após a saída da escola”.

E é, sobretudo, no 1.º Ciclo do Ensino Básico onde o problema que ganho terreno. “O que acontecia só na EB?2,3, ao nível do 6.º e 7.º ano, hoje verifica-se já no 1.º Ciclo onde os meninos apresentam carências. Já temos problemas de relacionamento derivados da ausência dos pais, ou porque estão fora, ou porque permanecem muito tempo no trabalho, ou por mau relacionamento e/ou por monoparentalidade”, avança a a directora.
As situações nem sempre são facilmente perceptíveis, mas surgem como base de alguns comportamentos menos adequados, dentro e fora da sala de aula. Nesse sentido, todos os intervenientes têm um papel importante. “Todos têm um papel importante. Os assistentes operacionais detectam, por vezes, em ambiente de recreio estas interacções negativas. Estes indícios são depois transmitidos ao director de turma - ou outro docente - que, por sua vez, procura um ambiente de diálogo para perceber o que se passa. Caso se confirma alguma situação remete-se para a psicóloga. Se o aluno conseguir exteriorizar é meio problema resolvido. Enquanto não o fizer temos ali uma ‘bomba’”, admite Zita Esteves.

Para colmatar esta lacuna, o agrupamento procura chamar os pais à escola, envolvendo-os nas mais diversas actividades. “Queremos os pais na escola para fazerem um acompanhamento mais próximo dos alunos. É a única forma de trabalharmos em conjunto”, adianta a directora, apontando como exemplo a comemoração da Semana da Alimentação onde os pais marcaram presença durante toda a semana na cantina da escola, acompanhando as refeições dos filhos, vendo o que e como comem ou tempo que demoram. “Verificou-se um relacionamento de proximidade tão bom que os alunos demoraram mais tempo na cantina, comeram tudo, explica Zita Esteves, confirmando que estão já calendarizadas para este ano lectivo várias actividades no sentido de promover e reforçar esta proximidade.
Os serviços de Psicologia do agrupamento estão também cada vez mais presentes para responder a estes casos que, segundo a directora, são cada vez mais frequentes. “Às vezes falámos em bullying. Ele não está no recreio das escolas, vem de casa, destas situações”, remata a directora.

Agrupamento aumentou número de alunos. Mais de 350 são estrangeiros

Inserido numa forte zona habitacional que tem conhecido um aumento exponencial nos últimos anos, o Agrupamento de Escolas de Real viu aumentar o número de alunos no presente ano lectivo, passando de perto de 1600 em 2018 para 1700 estudante em 2019. O aumento é transversal a todos os níveis de ensino.
A este aumento não é alheia a onda de imigração que o concelho tem conhecido, sobretudo brasileiros. Segundo a directora, são mais de 200 os alunos de nacionalidade brasileira a frequentar este ano o agrupamento. Mas, há também outras nacionalidades. No total são mais de 350 os alunos estrangeiros.

De acordo com Zita Esteves, o acolhimento destes estudantes exigiu às escolas, em termos de resposta educativa, um trabalho específico que respondesse a necessidades específicas. “Felizmente temos recursos humanos para fazer frente à situação. Temos de preparar um conjunto de respostas com medidas universais, selectivas e adicionais”, explica a directora, dando conta das várias respostas do agrupamento, como a Sala de Estudo que funciona a tempo inteiro com um grupo de professores residentes que acompanham os alunos que, de forma espontânea vão para lá estudar e ainda com um grupo de professores que estão adstritos ao apoio aos estudantes.

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