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Espaços de estética e cabeleireiros à reconquista da confiança dos clientes
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Espaços de estética e cabeleireiros à reconquista da confiança dos clientes

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Espaços de estética e cabeleireiros  à reconquista da confiança dos clientes

Braga

2020-05-24 às 06h00

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

Cabeleireirose centros de estética reabriram, após quase dois meses encerrados, e procuram reconquistar a confiança dos clientes. O sector trabalha com novas regras, mas muitas das medidas de segurança eram já prática comum.

Têm esperança e confiança no futuro, mas não escondem que a pandemia causada pela Covid- -19 caiu como uma bomba num sector que estava pujante e começava a viver a sua época alta. Falamos dos espaços dedicados à estética e dos salões de cabeleireiro que, depois de quase dois meses de portas fechadas estão a adaptar-se a nova normalidade.
Se uma loja de vestuário até teve oportunidade de recorrer às vendas online, ou se os restaurantes serviram refeições em regime de take-away, o certo é que na área da estética não houve alternativa.
Facilmente se percebe que só pessoalmente se pode fazer uma depilação numa cliente, uma manicure, retocar as raízes do cabelo ou fazer um novo penteado. São todas tarefas que exigem contacto de proximidade, fazendo destes também profissionais de risco.
Muitos optaram por fechar as portas ainda antes do estado de emergência ser declarado. Não esperavam, porém, ficar encerrados tantas semanas.
“Fechei a 13 de Março e na altura, confesso, pensei que seria por duas semanas. Nunca que seriam quase dois meses”, confessa Susana Mota, proprietária de um espaço de estética e bem-estar, aberto há 14 anos, na Rua Padres Carmelitas, em Braga.
A empresária encerrou, na altura, voluntariamente, uma decisão que lhe pareceu natural e que foi bem acolhida pelas clientes que viram os seus agendamentos serem desmarcados.
“Começou toda a gente a ficar muito alarmada e tive algumas desmarcações por causa dessa situação. Também percebi que tive muitas clientes que tinham ido de férias no Carnaval, muitas das quais para Itália, que na altura vivia já uma situação dramática. Tive algum receio e decidi que não valia o sofrimento e o colocar-nos a nós em risco”, recorda.
A partir daí foram quase dois meses de travessia no deserto. Ainda tentou vender alguns vouchers online, aproveitando ocasiões como o Dia do Pai, o Dia da Madrinha e o Mia da Mãe. “Vendi apenas dois vouchers. Mesmo dando aos clientes um ano de prazo para usufruir da oferta”, lamenta.
O único apoio que teve durante os quase dois meses em que esteve parada foi o lay-off simplificado para a colaboradora relativo ao mês de Abril, porque mesmo o mês de Março teve de ser ela a suportá-lo.
“A minha facturação foi zero, mas as despesas continuaram a ser as mesmas”, recorda.
Conta que ainda contactou o banco para avaliar se valeria a pena recorrer a uma das linhas de crédito com condições especiais anunciadas pelo Governo. “Percebi logo que não. O dinheiro nem chegou a alguns balcões, pelo que me apercebi. Penso que esse apoio deve ter ido todo para ajudar as grandes empresas porque nas mais pequenas, por aquilo que me tenho apercebido, praticamente ninguém conseguiu essa ajuda”, relata a empresária, lamentando que o sector da estética tenha sido esquecido nos apoios implementados.
“Confesso que até me enervava quando ouvia as notícia, porque a nós não chegou nada. Na minha perspectiva o Estado devida era ter dado logo um fundo de maneio para que as empresas tivessem liquidez e as pessoas continuassem a ter dinheiro para fazer a sua vida”, diz Susana Mota.
“Fala-se muito no turismo, mas para nós esta também seria a nossa época alta”, alerta, explicando que é sobretudo na Primavera que as pessoas começam a preparar o corpo para o Verão e a recorrer aos tratamentos estéticos. “Nós somos como as formigas, amealhamos na Primavera e no Verão para compensar o Outono e o Inverno que são mais parados. Este ano não vamos conseguir fazer esse pé-de-meia e isso também em deixa receosa”, confessa.
À facturação zero juntou-se a necessidade de fazer um investimento considerável, mas necessário, para reabrir as portas.
Susana Mota teve de adquirir acrílicos, desinfectante, protecções de sapatos para as clientes, máscaras... tudo o que é necessário para reabrir no contexto que vivemos actualmente.
Pela proximidade física que os serviços de estética envolvem, este sector já utilizava muito as máscaras de protecção e fazia regularmente a desinfecção do espaço. E também aqui há uma grande diferença, o preço do material de protecção disparou. “Eu comprava uma caixa de máscaras a 10 euros e agora a mesma caixa custa 50 ou 60 euros”, diz.
A 5 de Maio reabriu, cumprindo todas as regras de segurança impostas pela DGS. No entanto, nunca poderá atender o mesmo número de clientes, desde logo porque tem de ter pelo menos 15 minutos entre cada marcação “para que as clientes não se cruzem e para efectuar a desinfecção profunda de todo o espaço entre cada atendimento. “Nisto não podemos facilitar, pelas nossas clientes e por nós também”, frisa.
Na reabertura, os primeiros dias foram de agenda cheia, sobretudo para depilações e massagens para tratar a retenção de líquidos. “Depois o movimento diminuiu porque “as pessoas ainda tinham algum receio”, mas agora nota que estão a regressar. “As clientes já perceberam que estamos a cumprir todas as regras de segurança e aos poucos vamos tendo a agenda preenchida”, revela, confessando que apesar da tempestade mantém a esperança de que a vida regressa à normalidade possível. Isto porque acha que “vamos ter de aprender a conviver com este novo vírus”.
“O meu lema agora é viver uma semana de cada vez e logo se vê”, remata Susana Mota.
Nos cabeleireiros a situação é muito similar ao que se passa nos espaços de estética e bem-estar.
Quando a 17 de Março fechou as portas do seu salão, localizado em Nogueira, Braga, Catarina Barrocas já vinha a notar um decréscimo no movimento motivado pela situação de alarme que se vivia. O decréscimo de marcações, associado também “ao medo”, porque a actividade “implica sempre muita proximidade física com os clientes”, levou-a a fechar as portas.
“Não pensei que seria por tanto tempo. Achei que iria reabrir mais cedo. Depois, quando anunciaram a reabertura do sector até achei que foi prematuro porque não sabia se estaríamos preparados para desconfinar tão cedo”, confessa.
Durante o período em que esteve encerrada recorreu ao lay-off para a colaboradora e ficou aguardar ajuda para os sócios-gerentes. É aqui, sobretudo, que aponta o dedo à falta de apoios, porque enquanto profissional que paga os seus impostos e os seus descontos para a Segurança Social esperava um apoio condizente. “O único apoio que eu tive foi da Agere com o desconto na factura da água, de resto, as contas continuaram todas a chegar para pagar”, refere.
Quem também se socorreu do lay-off simplificado foi Célia Ferreira, com salão de cabeleireiro em Fraião, Braga. Com duas funcionárias de baixa médica (“o que até ajudou”, confessa), o lay-off foi pedido apenas para um colaborador a quem a empresária fez questão de completar o salário na íntegra.
Sobre as medidas de apoio, considera que todos queriam muito mais, mas tem consciência de que “não dá para ajudar toda a gente”.
Ana Rocha abriu em Setembro último o seu próprio salão de cabeleireiro, em Vila Verde. Poucos meses depois viu-se forçada a fechar. Foi logo a 14 de Março. Uma opção tomada sobretudo por “viver com pessoas que fazem parte do grupo de risco”.
O único apoio que teve enquanto esteve encerrada foi a ajuda da Câmara Municipal local também no pagamento da factura da água.
Além de não terem ajudas, para estas três empresárias o reabrir portas implicou ainda investimentos.
As toalhas e resguardos descartáveis já faziam parte dos seus stocks, mas eram utilizados apenas para serviços mais técnicos.
“Por questões ambientais sempre evitei utilizar o descartável, mas agora tem de ser”, explicaCatarina Barrocas.
Gel desinfectante, luvas, viseiras, máscaras e painéis de acrílico estão entre o material que foi necessário adquirir. Mas também foi preciso mudar procedimentos, desde logo no que toca à desinfecção dos espaços que era feita ao final do dia e agora é realizada entre cada atendimento.
As zonas de espera foram eliminadas e o atendimento passou a ser feito exclusivamente por marcação.
A nova realidade obriga a ter uma agenda mais espaçada para dar tempo para que os clientes não se cruzem e para que a desinfecção seja efectuada correctamente.
Atendem-se menos pessoas, mas é possível dar mais atenção durante cada serviço. “É certo que perdemos dinheiro, mas ganhamos na relação de proximidade com os clientes porque estamos mais disponíveis e con- seguimos dar-lhe mais atenção”, refere Célia Ferreira.
Surpreendente tem sido a reacção dos clientes que têm acatado e cumprido muito bem todas regras, referiram as três cabeleireiras.
Notam que começam a reconquistar a confiança da clientela, mas sentem que esse é um processo gradual e que vai levar o seu tempo
Logo que reabriram, os clientes procuraram sobretudo serviços como retocar a cor ou as madeixas ou fazer um corte. Há, no entanto, menos clientes que vão ao cabeleireiro apenas para lavar e secar o cabelo, situação que atribuem ao comportamento responsável das pessoas que continuam a querer sair o mínimo possível de casa porque sabem que a pandemia ainda não acabou.
Quanto ao futuro, Catarina Barrocas considera que os momentos difíceis não passaram e que os próximos tempos serão um teste para o sector.
“Penso que vai sobreviver quem é realmente profissional, quem aposta na qualidade dos produtos que utiliza e dos serviços”, vaticina Catarina.
Já Célia Ferreira acredita que ainda vai levar muito tempo a regressarmos aquilo que era antes da pandemia: “Nota-se que os clientes estão a regressar, gradualmente, mas vai levar tempo até que as coisas normalizem”.
Ana Rocha é mais optimista e acredita que a situação actual vai melhorar, embora considere que isso não pode acontecer a qualquer custo. “Para já, o que é realmente imporatnte é que as pessoas tenham responsabilidade, cuidem de si e protejam os outros”, confessa a cabeleireira.

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