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Espectáculo de dança “especial” deixou todos de “coração cheio”

Braga

2020-01-27 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

Cinco instituições participaram ontem no projecto ‘NEE’d for Dance’. Ao palco do Altice Forum Braga subiram 62 utentes, que deram tudo. O público emocionou-se e aplaudiu as performances.

“A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar.”
in Antoine de Saint-Exupéry

Emoção. Muita emoção. Alegria e entrega. Em palco, deram tudo. E o público retribuiu. Emocionou-se e ‘ofereceu’ amor e orgulho em forma de aplausos e lágrimas. O projecto ‘NEE’d for Dance’, que se realizou ontem no Altice Forum Braga, colocou, pela primeira vez em palco, bailarinos com necessidades especiais ou deficiência. A experiência deixou todos os presentes de “coração cheio”.
O espectáculo contou com a participação de 62 utentes da NEED cooperativa, da CERCI Braga, do Centro Novais e Sousa, da APPACDM de Coimbra e da Cerci Marco de Canaveses.
Com participação no projecto ‘NEE’d for Fashion’, a Cerci Braga aceitou novamente o desafio e participou ontem no primeiro concurso do ‘NEE’d for Dance’. “A instituição tem investido muito na dança e já temos feito actuações. Os utentes empenham-se e dedicam-se à dança”, contou a directora técnica do Centro de Actividades Ocupacionais da CERCI Braga, Tânia Crista, garantindo que os utentes “adoram receber os aplausos e sentir que o público valoriza o trabalho deles”.

Desde 2018, que a CERCI Braga abraça um projecto de dança e o que começou com uma videodança alargou-se a outros projectos. Ontem, os utentes apresentaram o ‘Terra Crua’, “um espectáculo que tem a ver com a beleza de cada um e o espelho, no final, transmite isso mesmo: nas diferenças também somos iguais”, explicou.
Da unidade funcional da Tocha da APPACDM de Coimbra, o professor de Educação Física, Rogério Franco, contou que a instituição tem um grupo de ginástica desde 2012, grupo que está inscrito na Federação de Ginástica de Portugal. O professor, que mora em Braga, soube deste projecto e decidiu desafiar a instituição a participar. “Isto é tudo para eles, porque gostam de mostrar às pessoas que também sabem fazer”, observou.
De Braga, também participou no ‘NEE’d for Dance’ o Centro Novais e Sousa e para a directora técnica, Lucinda Vilaverde, “as artes no seu todo é que tornam estes jovens e adultos pessoas felizes”. A alegria em palco era contagiante, porque “é com estes desafios que os utentes conseguem superar muitas dificuldades”, rematou.

Braga está “no centro da inclusão”

Quando há quatro anos começou o projecto, a presidente da NEE’d Cooperativa “nem sequer sonhava” com o espectáculo que ontem colocou Braga “no centro da inclusão” na área da dança. Perante o sucesso do projecto ‘NEE’d for Dance’, que subiu ontem ao palco do Altice Forum Braga, Loide Hardman prometeu já uma segunda edição para 2021 com mais instituições e mais utentes em palco.
“Tudo começou com algo muito pequeno e para um grupo restrito de crianças e jovens. Entretanto, aceitamos o desafio lan- çado por outras instituições que também queriam fazer parte”, justificou a presidente, durante o espectáculo que lhe “encheu o coração”.

Há muitos concursos, mas nesta área para pessoas com necessidades educativas e deficiências não há, daí surgiu a ideia do projecto ‘NEE’d for Dance’. “Eles também têm direito de ser eleitos, votados e serem os primeiros. É um concurso pioneiro a nível nacional, que coloca Braga no centro da inclusão”, assumiu Loide Hardman, agradecendo o apoio da Câmara Municipal de Braga desde a primeira hora, tal como do Altice Forum Braga e das juntas de freguesia que cederam espaços para os ensaios.
A primeira edição contou com a participação de cinco instituições e 62 utentes e a presidente acredita que no próximo ano serão muitos mais. “Estão aqui, responsáveis de outras instituições e acredito que na próxima edição também vão querer estar”, referiu a presidente, confidenciando que “por eles vale tudo a pena”.

E ainda sobre a inclusão, Loide Hardman garantiu que “só pode ser feita desta forma, fazendo o mesmo que os outros fazem. Aí é que está a verdadeira inclusão”. Sobre o concurso, a presidente aplaudiu a forma como todos o encararam. “O público vota, cada instituição trouxe claque e os utentes sentem-se realizados. Em palco, eles estão felizes”, assegurou.
Enquanto o público votou e se contaram os votos, subiram ao palco outros talentos. Daniel Pereira Cristo, o dueto NEE’d for Dance Joana Casartes e Ivo Oliveira e ainda as Líricas - Tuna Feminina da Universidade Católica de Braga animaram o público. No final, o prémio, no valor de 500 euros, foi para a NEED Cooperativa.

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