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Exclusividade médica e reflexão sobre ‘o útil vs o fútil’ são desafios
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Exclusividade médica e reflexão sobre ‘o útil vs o fútil’ são desafios

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Exclusividade médica e reflexão sobre ‘o útil vs o fútil’ são desafios

Braga

2019-12-05 às 06h00

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

Unidade de Cuidados Intensivos Polivalente assinalou o 25.º aniversário, numa altura em que se de-para com dois grandes desafios: assegurar equipas dedicadas e reflectir sobre a utilidade vs futilidade.

As Unidades de Cuidados Intensivos deparam-se actualmente com dois grandes desafios: assegurar equipas dedicadas de médicos e de enfermeiros e, no contexto do envelhecimento da população, questionar a utilidade versus a futilidade do tratamento em cuidados intensivos.
Os desafios são traçados por Luís Lencastre, director da Unidade de Cuidados Intensivos Polivalente (UCIP) do Hospital de Braga, serviço que ontem assinalou o 25.º aniversário com a realização de um simpósio que reuniu figuras de destaque no panorama da Medicina Intensiva. Tendo como público-alvo profissionais de saúde, neste simpósio foram abordados temas fulcrais na área dos Cuidados Intensivos.

À margem do simpósio, Luís Lencastre alertou para a necessidade de renovar os quadros médicos nas Unidades de Cuidados Intensivos, isto porque os clínicos que estiveram na abertura destas unidades estão agora a aproximar-se do final da carreira e é necessário estimular os jovens médicos para a Medicina Intensiva.
“É preciso renovar os quadros e assegurar aos médicos que não têm de trabalhar fora dos Cuidados Intensivos para ganhar mais um pouco de dinheiro. É preciso pensar outra vez a exclusividade e remunerar a exclusividade um bocadinho melhor para que os médicos se possam dedicar de uma forma mais intensa aos Cuidados Intensivos como acontecia há uns tempos atrás”, referiu o director da UCIP.

Para além da assegura equipas dedicadas de médicos e também de enfermeiros, Luís Lencastre defende também que é necessário questionar a “utilidade versos futilidade”, isto porque se antigamente, quando havia menos camas nos Cuidados Intensivos, este era um serviço restrito a pessoas novas, com longa esperança de vida, sobretudo politraumatizados, com o envelhecimento da população esse cenário mudou e são cada vez mais os idosos, com várias patologias, a ocupar essas camas. “É uma situação que cria dificuldades no sentido da utilidade do serviço. temos de pensar se estamos a ser úteis ou não. essa destrinça entre o que é útil e o que é fútil é importante fazer nos Vida dos Intensivos e é um dos nossos desafios para o futuro”, referiu.

Para Luís Lencastre, “as pessoas tem de se consciencializar que nem sempre prolongar a vida das pessoas é uma coisa boa. É bom prolongar a vida quando a vida é boa, é razoável, mas é mau prolongá-la quando ela é má. Esta reflexão é também um dos nossos grandes desafios do futuro, talvez um desafio maior do que ditar as unidades de mais médicos”.
Actualmente, a UCIP do Hospital de Braga conta com 15 médicos, 36 enfermeiros e 10 auxiliares e todos eles eles assumem como missão “cuidar o doente crítico o melhor possível”.

“Os casos mais graves são os nossos”, assume Isabel souto Silva, enfermeira chefe da UCIP do Hospital de Braga, realçando a importância da relação que é mantida com os familiares dos doentes.
No átrio do Hospital foi montada uma simulação do que se passa na UCIP, uma forma de divulgar o que se passa no interior de um serviço que a população associa aos doentes mais graves. De facto, assim o será, uma vez que um em cada cinco doentes ali internados acaba por não resistir, mas prefere dar o ênfase aos casos de sucesso.

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