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Falta de Voluntários prejudica a acção dos bombeiros de Valença
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Falta de Voluntários prejudica a acção dos bombeiros de Valença

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Falta de Voluntários prejudica a acção dos bombeiros de Valença

Alto Minho

2020-09-21 às 06h00

Miguel Viana Miguel Viana

Corporação assinalou este fim-de-semana os 101 anos de existência e depara-se com a falta de elementos do corpo activo. Os 40 elementos de que dispõe não chegam para todos os serviços.

A falta de elementos para reforçar o corpo activo (voluntários) é a principal dificuldade da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Valença, que ontem assinalaram os 101 anos de existência.
Dispondo actualmente de um corpo activo de 40 elementos, a corporação já se viu forçada a recusar serviços, principalmente ao nível de transporte de doentes, por falta de bombeiros.
“A falta de reforço do corpo activo já tem condicionado a nossa acção, principalmente no transporte de doentes. Já tivemos que declinar serviços”, disse Fernando Oliveira, presidente da Associação Humanitária dos ?Bombeiros Voluntários de Valença (AHBVV).

O mesmo responsável garantiu, no entanto, que o socorro às populações nunca esteve em causa. “Ao nível do socorro, os serviços do INEM estão garantidos. Nós funcionamos em rede com o CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes) e quando nós não podemos ir a um serviço, avança outra das corporações mais próximas. Muitas vezes vamos nós prestar socorro fora do nosso concelho”, afirmou Fernando Oliveira.
O presidente da AHBVV apontou como razão para não haver mais voluntários a falta de interesse dos jovens valencianos.
“Há uma crise do voluntariado que é transversal ás corporações de bombeiros do distrito de Viana do Castelo. A juventude não quer fazer voluntariado”, disse Fernando Oliveira, acrescentando que “gostaria de ter as ferramentas para inverter esta situação. Talvez seja uma questão de mentalidades. A juventude tem outras ofertas e o voluntariado não está nos objectivos dela. É preciso fazer sacrifícios para se ser bombeiro”.

O comando da corporação tem lutado contra a falta de efectivos, mas sem qualquer êxito.
“Tentamos fazer acções de sensibilização, mas os resultados foram muito fracos”, disse Miguel Lourenço, comandante dos Bombeiros Voluntários de Valença. A corporação chegou a ter uma escola de bombeiros, mas a pandemia da Covid-19 obrigou à interrupção das actividades, passando a escola para a esfera distrital.

Comemorações internas devido à Covid-19

A pandemia da Covid-19 levou a que as comemorações dos 101 anos dos Bombeiros Voluntários de Valença tivessem sido feitas apenas a nivel interno.
“Não vamos ter as cerimónias que tinhamos no passado, com a sessão solene. Assinalamos de uma forma muito simples os 101 anos da nossa existência. É uma forma de apresentarmos respeito pela situação de pandemia. Tivemos o menor número possível de pessoas nas acções comemorativas”, referiu Fernando Oliveira, presidente da direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Valença.
As comemorações constaram, apenas, do Hastear da Bandeira, da Homenagem a um Benemérito de Valença e a um bombeiro falecido e de uma romagem ao cemitério para colocar uma coroa de flores.

Auto-escada é ‘prenda’ urgente

A reparação da auto-escada e a aquisição de um novo auto-tanque, são as necessidades materiais mais urgentes dos Bombeiros Voluntários de Valença.
Auto-escada tem necessidade de peças novas, como por exemplo, basculantes (que facilitam a elevação da mesma) mas a manutenção fica muito cara. “Já fizemos diligências junto da Comunidade Intermunicipal do Alto Minho para ver se conseguimos financiamentos para esse equipamento, porque nós não temos dinheiro. Precisa de basculantes e nova custa mais de 30 mil euros”, afirmou Fernando Oliveira, presidente da direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Valença. (AHBVV).

O comandante da corporação. Miguel Lourenço, acrescentou que a auto-escada “já tem mais de 20 anos e precisa de muita manutenção. É uma viatura muito importante para a corporação, porque é a única do género no distrito de Viana do Castelo. Atinge 32 metros de altura” (equivalente a um prédio de 10 andares).
Outra das necessidades é uma viatura auto-tanque com grande capacidade. “O que temos ao serviço já tem 37 anos e só leva dois mil litros. Ainda recentemente tivemos um incêndio industrial e sentimos a falta de uma viatura dessas com maior capacidade”, afirmou o comandante Miguel Lourenço.

“Bombeiros são o garante da segurança das populações”

Reconhecido e agradecido pelo trabalho prestado. É desta forma que o presidente da Câmara Municipal de Valença, Manuel Lopes, lembra o trabalho prestado à comunidade pelos Bombeiros Voluntários de Valença, que este fim-de-semana assinalaram os 101 anos de existência.
Em declarações ao ‘Correio do Minho’, Manuel Lopes destacou que “os Bombeiros Voluntários de Valença constituem uma das associações fundamentais do concelho, por isso a sua importância para Valença e para os valencianos é vital e de extrema relevância. São uns dos principais garantes da segurança e do apoio aos valencianos, estando sempre prontos no auxílio da populações. É por isso com muito orgulho e admiração que olhamos para os 101 anos desta querida instituição”.

O autarca valenciano lembra, ainda, o carinho sentido pelos munícipes e que estes correspondem quando chamados a ajudar os ‘Soldados da Paz’. “A comunidade valenciana esta consciente das necessidades dos seus bombeiros. Sempre que esta instituição precisa da comunidade, Valença sempre esteve à altura”, considerou o edil de Valença. Um reconhecimento que se estende, também, além-fronteiras, já que, numa política de eurocidade, os Bombeiros Voluntários de Valença também têm actuado do outro lado do rio Minho. “No caso dos nossos bombeiros, o seu prestígio e a solidariedade da comunidade estende-se até à cidade de Tui, em Espanha. É arrepiante ver o carinho com que eles são aplaudidos quando desfilam na procissão da festa de São Telmo (Tui). Isto diz muito do seu trabalho”, frisou Manuel Lopes.

O município de Valença tem apoiado os Bombeiros Voluntários de Valença com cerca de quatro mil euros mensais, uma verba que, segundo o presidente da Associação Humanitária, Fernando Oliveira, vai servindo “para fazer face às despesas, que são muitas”. Outro dos apoios municipais passa pelo financiamento, em 50 por cento, dos custos relacionados com a Equipa de Intervenção Permanente.
Apoios esses que Manuel Lopes espera que possam vir a ser aumentados num futuro próximo. “O municipio tem protocolado com a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários um conjunto de apoios finandeiros e materiais para fazer face as suas necessidade.  Ao corpo de Bombeiros digo que o município tem a intenção de lhes aumentar o conjunto de benefícios e regalias. Consideramos que devemos muito a está gente”, destacou o autarca valenciano. Manuel Lopes acrescentou que “enquanto representante dos valencianos, os bombeiros sabem que dentro das possibilidades do Município, podem contar, como sempre, com a nossa colaboração”.

O autarca endereçou os maiores sucessos a toda a corporação. “De coração, gostava de poder satisfazer todas as suas necessidades. Conheço os bombeiros, tenho a certeza que continuarão  a ser o referente do garante da nossa comunidade enquanto instituição solidária e pronta sempre a ajudar. Em nome de todos os valencianos, muitos parabéns e obrigado por estarem sempre prontos a ajudar”, referiu Manuel Lopes.

Bombeiros ‘nasceram’ por vontade de rapazes e raparigas

Foi uma semana depois da Implantação da República a 12 de Outubro de 1910, que um grupo de rapazes e raparigas organizou, no Teatro Valenciano, um Sarau Musical, com a finalidade de angariar fundos para a criação dos Bombeiros de Valença. A iniciativa foi um êxito e ao longo de seis anos foram feitos vários peditórios. Contudo, um incêndio num prédio da Rua Direita, em 1917, fez perceber que ainda não existia um corpo de bombeiros organizado. As chamas foram apagadas com recurso a uma bomba, propriedade da Câmara Municipal, por pessoal sem a devida preparação.
Dois anos depois, em virtude de um outro incêndio, a sociedade civil valenciana acabaria por se mobilizar para a criação do corpo de bombeiros. Vários habitantes de Valença reuniram-se em Junho de 1919 e nomearam uma Comissão Organizadora para a fundação dos Bombeiros e elaboração dos respectivos estatutos. Os mesmos foram aprovados em Assembleia Geral a 27 de Julho desse ano.
A partir daí a população envolveu-se, de forma empenhada, na compra de material de combate a incêndios.

Era necessário um quartel - sede, tendo o Governador Militar da Praça-Major Inácio Severino de Melo Bandeira, conseguido a cedência do prédio militar conhecido como ‘Armazém de Material’. O edifício foi recuperado e, a 19 de Setembro de 1920, era inaugurada a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Valença, designação que mantém actualmente.
A associação estava equipada com três bombas braçais e um carro para o transporte de seis homens e que servia para puxar as bombas, com cavalos ou mulas. Tornou-se necessário um quartel novo e em 1926 foi comprado ao Ministério da Guerra o o antigo prédio da Hospedaria Militar da Casa da Guarda, sita no Largo do Sol.
O edifício tornou-se pouco operacional e na década de 70 do século passado começou a ser falada a construção de um novo quartel-sede. Acabou por ser construído no sítio dos Eucalíptos, num terreno do Ministério das Finanças.

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