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Alto Minho

2019-12-05 às 06h00

Paula Maia Paula Maia

Álvaro Sales Gomes completaria hoje um século de vida. O actual guardião deste símbolo da romaria da Santa Marta de Portuzelo tem dado continuidade à obra do pai e incutiu o mesmo gosto ao seu filho.

Foi pela mão de Álvaro do Rego Sales Gomes que nasceu, na década de 50 do século XX, a vela votiva que desde essa altura, constitui um dos símbolos maiores da romaria de Santa Marta de Portuzelo, em Viana do Castelo.
A vela votiva de Santa Marta, como é conhecida, é um dos objectos icónicos transportado pelas mordomas desta romaria do Alto Minho que a erguem nos momentos mais solenes das festividades como tributo das mulheres santarmatenses à sua padroeira.
De confecção artesanal, nasce de um repto lançado a Álvaro Sales Gomes pelo fundador di Rancho Folclórico de Santa Marta para figurar no cortejo.

A beleza e simbolismo da vela votiva contrasta com a simplicidade dos materiais com que é feita. Coube a Álvaro Sales Gomes, que hoje completaria um século de vida, a criatividade de conceber este verdadeiro símbolo que hoje está entregue nas mãos do filho, Álvaro Fernandes Sales Gomes e do seu neto, também ele Álvaro Sales Gomes.
A vela, com 55 cm de altura (parte é conferida por uma armação de madeira) , é feita à base de papel metalizado prateado e vermelho que dão vida às flores de malmequeres e aos botões de rosa, símbolos que caracterizam as freguesia de Santa Marta de Portuzelo como uma comunidade essencialmente agrícola.

Na base está o laço em fita de seda que dá ao acabamento final a este trabalho que, embora não reúna materiais preciosos, exige perícia, empenho e paciência por parte de quem a concebe.
Desde tenra idade que Álvaro Sales replica a arte do seu progenitor, com a mesma dedicação e empenho que este lhe transmitiu.
Desde 1994, ano em que faleceu Álvaro Sales Gomes, que é o filho quem assume, a título totalmente voluntário, a concepção da vela votiva para a Romaria de Santa Marta de Portuzelo ou para outros pedidos que chegam às suas mãos. “Já chegaram a ser 30 as mordomas a participar no cortejo”, revela ao CM o artesão, admitindo que nos dias de hoje há já alguma dificuldade em encontrar alguns materiais, nomeadamente o fio tenra que “desapareceu do mercado”.

Para adquirir a fita de seda que é aplicada na vabe da vela, Álvaro tem de se deslocar até à cidade dos Arcebispos. “Em Viana, infelizmente, não há disto à venda”, confessa-nos.
Com sucessor garantido, Álvaro diz que o filho apanhou o gosto pela arte. “Começou também ainda novo por curiosidade, para participar. Nunca o obriguei a fazer. Ela é tomou a iniciativa”, diz, garantindo, no intanto, que não vai pedir ao filho que mantenha a tradição. “O meu pai pediu-me para manter a tradição, mas não digo isso ao meu filho. Dou-lhe toda a liberdade”, continua.
Para além das velas votivas, Alvaro Sales executa também palmitos, tabuleiros de oferendas, ornamentações e decorações de andores.
A entrega e dedicação de Álvaro Sales foi reconhecida pela Câmara Muncipal de Viana do Castelo que, em 2017, lhe concedeu o título de Cidadão de Mérito do concelho.

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